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PDM do Porto vai potenciar o investimento privado, garante autarquia

Vereador do Urbanismo considera que estão criados os instrumentos para atrair mais investimento sustentável.

Novo PDM do Porto potencia o investimento privado
Gtres
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

O novo PDM (Plano Diretor Municipal) do Porto, que entrou em vigor no dia 9 de julho de 2021, tem identificado um conjunto de projetos mobilizadores de captação do investimento privado, prevendo novas zonas de expansão e construção, mas sempre numa perspetiva de crescimento económico sustentável. 

A ideia foi deixada por Pedro Baganha, vereador do Urbanismo, Espaço Público e Habitação, numa intervenção sobre “Os projetos mobilizadores no novo PDM do Porto”, que aconteceu esta quarta-feira (24 de novembro de 2021), na IX Semana da Reabilitação Urbana do Porto, que conta com o idealista como portal oficial, e está a decorrer no Edifício da Alfândega do Porto.

Pedro Baganha começou por destacar “o esforço contínuo” na reabilitação urbana, sobretudo no centro da cidade, referindo “as seis novas ORU (Operações de Reabilitação Urbana) e um documento estratégico que estão em preparação” para um conjunto de zonas da cidade e que destinam a impulsionar a reabilitação urbana nessas áreas. 

Começando a sua apresentação sobre o novo PDM pela zona do centro da cidade, destacou a importância de obras como o Mercado do Bolhão, que se encontra a “poucos meses da abertura”, mas também o papel do investimento privado, em projetos como o do Quarteirão da Casa Forte, o empreendimento Bonjardim, promovido pela Avenue.

Mas o destaque vai também para a importância do investimento público da Metro do Porto, na linha Rosa, “o primeiro quarto da linha Circular à cidade”, que, frisou, é muito importante para a mobilidade e para resolver o congestionamento de trânsito em algumas zonas.

Projeto no Quarteirão da Casa Forte

Parque urbano na Lapa resulta de parceria com privado

Uma das áreas da cidade onde está prevista uma forte intervenção é na Lapa – uma zona que se estende desde a Escola Carolina Michaelis até ao Largo da Lapa e Praça da República.

Sendo uma das zonas onde está prevista uma ORU, intervenção que conta com a Porto Vivo SRU, Pedro Baganha destacou a parceria feita com o promotor do Renaissance Park Hotel, que cedeu ao domínio público 11.000 metros quadrados (m2) dos 14.000 m2 que terá o Parque Urbano da Lapa.

A intervenção pública prevê os arranjos do espaço público, mas também a “construção de habitação acessível”, numa antiga “messe dos oficiais”, um projeto a ser desenvolvido com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

“Autarquia iniciou conversas com privados” na Via Nun’Alvares

Uma das zonas de expansão da cidade é a nova Via Nun’Alvares, uma zona localizada junto da Praça do Império, próxima da Foz do Douro e da Avenida da Boavista, cuja concretização se arrasta há várias décadas.

O responsável do Urbanismo referiu que o objetivo passa por “reformular”, sendo que o novo modelo já tem sido objeto de “conversas com os privados”, proprietários dos terrenos junto ao novo arruamento, embora tenha alertado que se mantêm “os parâmetros urbanísticos”.

Assim, está planeado um novo modelo territorial, que prevê um novo perfil para a Via Nun’Alvares, "com áreas verdes, parque urbano e desportivo” e um novo “parque de estacionamento”.

Zona Empresarial de Ramalde com índice de construção 1,8 

Sobre a Zona Empresarial de Ramalde, Nuno Baganha destacou o facto de esta ser uma das zonas do Porto que devido à possibilidade de expansão permite também um dos maiores índices de construção previstos no PDM, ou seja, de 1,8.

Esta grande área da freguesia de Ramalde, que inclui as zonas do Viso e Requesende – para onde estão previstos alguns dos grandes empreendimentos residenciais destinados à gama média de clientes –, tem, segundo o vereador, “alguns loteamentos que são coerentes com a nova política urbanista”, no entanto, frisou, “alguns desses loteamentos vão ser reformulados”.

Nesta zona está prevista a construção de um “parque linear”, numa zona próxima do edifício da futura sede da Liga de Futebol. O responsável acrescentou que a intenção da autarquia é avançar com a “renovação do espaço público na zona empresarial de Ramalde”.

Empreendimento Parque dos Sobreiros encontra-se no Campus da Asprela
Empreendimento Parque dos Sobreiros / Parque dos Sobreiros

Reforço dos espaços verdes e desportivos na Asprela

Na zona da Asprela, freguesia de Paranhos, onde se concentra a maioria das universidades públicas e privadas da cidade e onde o objetivo é que seja um polo de inovação, a aposta já contemplada no novo PDM passa pelo reforço da componente “verde e ecológica”, visível no parque central, e na “expansão de equipamentos desportivos”.

Nesta zona são visíveis os investimentos privados – sobretudo através de operadores internacionais – na construção de residências universitárias. 

Nuno Baganha enalteceu ainda o facto de a autarquia ter previsto já a expansão da Universidade do Porto, tendo “reservado espaço” para esse efeito.

Contumil apresenta grande potencial de crescimento

A zona de Contumil, na freguesia de Campanhã – a parte mais a norte da cidade – é, na opinião do responsável do pelouro do Urbanismo, o “território com maior potencial de crescimento”. Esta zona de expansão, para onde podem construir-se empreendimentos de uso misto – habitação e serviços –, “tem uma capacidade de construção prevista entre 1,4 e os 1,8”, destacou.

Outra zona próxima é a zona do Plano de Pomenor das Antas – onde atualmente se desenvolvem vários projetos residenciais –, que se encontra em fase de concretização, e outras áreas próximas como a Praça da Corujeira, onde está em construção o Matadouro, e que será um dos equipamentos âncora deste território.

A zona do Freixo, sobretudo a sua marginal, é na opinião de Pedro Baganha uma zona de grande potencial, contudo impõe-se o “arranjo público deste espaço”.

A construção da nova ponte sobre o Douro nesta zona é um dos projetos que ajudará a resolver os problemas de acesso a esta zona da cidade.