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Teixeira Duarte: resultado líquido desce 75,3% durante a pandemia

Rendimentos operacionais do grupo caíram 30,7%, tendo sido afetados pela retração da economia um efeito da pandemia da Covid-19.

Max Langelott/Unsplash
Max Langelott/Unsplash
Autor: Redação

O grupo português Teixeira Duarte apresentou um resultado líquido em 2020, atribuível a detentores de capital, de 3,6 milhões de euros. Este valor é 75,3% inferior ao apurado em 2019 – nomeadamente 14,4 milhões de euros. Os efeitos da pandemia da Covid-19 nos mercados externos está por detrás deste resultado.

O grupo fundado em 1921 pelo Engenheiro Ricardo Esquível Teixeira Duarte que desenvolve a sua atividade nos quatro continentes, viu também os seus rendimentos operacionais diminuírem em 2020 face ao ano anterior, em concreto 30,7%, fixando-se no final do ano passado em 722,6 milhões de euros. “Este decréscimo resulta essencialmente da retração da economia afetada pela situação de pandemia da Covid-19, nomeadamente em Angola e Brasil”, revela a empresa no Relatório de Gestão do Conselho de Administração 2020 divulgado na passada sexta-feira (dia 30 de abril de 2021) na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A maioria dos rendimentos operacionais do grupo em 2020 advêm da sua atividade na construção – em concreto, 51,6% -, setor que contou com uma carteira de encomendas no valor de 1.348 milhões de euros. Cerca de 17,3% diz respeito ao segmento imobiliário e 14,8% a concessões e serviços. Os restantes valores dos rendimentos operacionais da Teixeira Duarte advêm dos segmentos da distribuição (9,9%), hotelaria (4,3%), e automóvel (2,1%), refere o mesmo documento.

O volume de negócios da empresa também desceu entre estes dois momentos – 30,7% - atingindo os 608,4 milhões de euros no final de 2020. O grupo detalha no relatório que Portugal e os mercados externos registaram diminuições do volume de negócios de 20,4% e 34,5%, respetivamente. “Os mercados externos que mais contribuíram para esta última variação foram o Angolano com 41% e o Brasileiro com 27,6%”, lê-se no documento. Este indicador foi “globalmente afetado em todos os setores pela atual conjuntura económica e pela desvalorização cambial”, revela ainda. O único que se destacou pelo seu “bom desempenho” foi o segmento imobiliário.

O EBITDA registou uma diminuição de 47,1 % face ao ano anterior, atingindo o montante de 100,5 milhões de euros. A redução deste indicador é justificada pelo grupo, sobretudo pela variação das diferenças de câmbio operacionais, pela alienação de 50% da participada “TDE – Empreendimentos Imobiliários, S.A.” e ainda pela redução da atividade na generalidade dos mercados onde o Grupo opera, impactado pela pandemia Covid-19 e desvalorizações cambiais.

Já os resultados financeiros foram menos negativos em 2020, registando 39,2 milhões de euros que comparam com os negativos de 86,5 milhões de euros em 2019. “Esta melhoria deveu-se essencialmente à redução das responsabilidades em divisas operada pelas entidades do Grupo em Angola”, revela o documento.

A dívida financeira líquida fixou-se no montante de 693,5 milhões de euros no final de 2020, o que se traduz numa redução de 24,5 milhões face ao ano passado. O rácio dívida financeira líquida / EBITDA fixou-se em 6,9x no final de 2020.

As demonstrações financeiras do período foram aprovadas em reunião do Conselho de Administração de 13 de abril de 2021, mas ainda estão sujeitas a aprovação pela Assembleia Geral de Acionistas prevista para dia 24 de maio de 2021.