Por vezes, a geografia parece brincar com realidades que parecem saídas de um filme de ficção científica. Um dos fenómenos mais curiosos são as chamadas ilhas recursivas, uma expressão usada para descrever uma sequência natural em que uma ilha contém um lago, dentro do qual existe outra ilha, que por sua vez pode albergar outro lago, e assim sucessivamente.
Embora o termo “recursivo” ainda não seja oficial na terminologia científica clássica, tornou-se popular na geografia mais acessível por conseguir explicar de forma clara e visual este tipo de estrutura natural interligada. Estas ilhas resultam da sobreposição de processos geológicos e hidrológicos, como atividade vulcânica, subsidência do terreno, formação de caldeiras, acumulação de água e erosão.
O que torna este fenómeno fascinante é que desafia a forma como normalmente pensamos em mapas. Habitualmente, imaginamos uma ilha como um pedaço de terra rodeado de água, mas as ilhas recursivas obrigam-nos a ver camadas e níveis sobrepostos. Muitas estão associadas a paisagens vulcânicas, o que lhes dá uma componente visual e simbólica poderosa – não é por acaso que se tornaram presença frequente em documentários, livros de curiosidades e debates geográficos.
Um vulcão pode criar uma ilha, cujo cratera se enche de água formando um lago, e um novo cone vulcânico pode surgir no centro, originando outra ilha.
Quais são os exemplos mais surpreendentes do mundo?
Não podemos começar esta lista sem falar de um dos países com mais ilhas do planeta: o Canadá. Na região de Kitikmeot, no Nunavut, encontra-se uma das mais famosas, a Ilha Victoria.
É nesta zona do mapa que a geografia parece brincar contigo. Dentro da Ilha Victoria há um lago, dentro desse lago existe outra ilha, dentro dessa ilha há outro lago e, no meio desse lago, surge ainda mais uma ilha.
O resultado? Uma sequência quase hipnótica de ilhas e lagos em camadas: ilha, lago, ilha, lago, ilha. Um verdadeiro exemplo de como a natureza adora complicar a sua própria lógica – e deixar-nos de boca aberta.
Outro exemplo frequentemente citado são as Filipinas, com a sua cadeia impressionante de ilhas e lagos. Aqui a sequência quase perfeita desafia a lógica: a ilha de Luzon contém o lago Taal, dentro desse lago ergue-se a ilha vulcânica de Taal e na cratera do vulcão surge o Vulcan Point, uma pequena ilha dentro de um lago vulcânico.
Durante anos, este local foi considerado o exemplo mais profundo e documentado deste fenómeno fascinante, um verdadeiro quebra-cabeças natural que mostra como a Terra adora brincar com a própria geografia.
Outro caso emblemático é o lago Toba, um enorme lago vulcânico situado na ilha de Sumatra. No seu interior encontra-se Samosir, uma grande ilha que, por sua vez, alberga vários lagos internos mais pequenos.
Este sistema formou-se após uma das erupções vulcânicas mais colossais da história da Terra, há cerca de 74.000 anos, e é um exemplo espetacular de como um cataclismo pode criar paisagens complexas e duradouras.
Em Oregon, nos Estados Unidos, o Crater Lake oferece outro exemplo conhecido. Este lago ocupa a caldeira de um antigo vulcão e alberga a Wizard Island, uma ilha formada a partir de um cone vulcânico após o colapso original. Embora a recursividade aqui seja menos pronunciada, continua a ser um exemplo claro de uma ilha dentro de um lago, que por sua vez está dentro de uma estrutura vulcânica.
Existem outros casos menos conhecidos, espalhados pelo Canadá, Escandinávia e Rússia, onde glaciares e processos tectónicos criaram configurações semelhantes, nem sempre tão “perfeitas” do ponto de vista conceptual. Cada um destes lugares mostra-te que as ilhas recursivas não são uma raridade isolada, mas sim o resultado lógico de processos naturais que se combinam, criando verdadeiros jogos de espelhos geográficos.
Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.
Segue o idealista/news no canal de Whatsapp
Whatsapp idealista/news Portugal
Para poder comentar deves entrar na tua conta