Rota dos eclipses: os melhores lugares para viajar e ver os próximos

Não deites os óculos fora nem desanimes se perdeste o eclipse. Há uma rota de eclipses que podes colocar na agenda.
eclipse solar
Unsplash

As reações ao eclipse solar total de 12 de agosto, observado em Portugal, Espanha e outros países da Europa, estão por todos os lados. Mas este foi apenas o início de um período especial para os amantes de astronomia, em que a Península Ibérica ocupa um lugar privilegiado no calendário dos eclipses solares.

Em 2024, o EL PAÍS já tinha alertado para uma sequência excecional de três grandes eclipses solares em Espanha entre 2026 e 2028, dois totais e um anular. O jornal antecipava mesmo um impacto turístico comparável ao de grandes eventos desportivos, devido à concentração de visitantes nas estreitas faixas onde estes fenómenos podem ser observados em todo o seu esplendor.

Publicidade

2 de agosto de 2027: atravessar a fronteira para ver um eclipse total

Para quem vive em Portugal, o eclipse de 2 de agosto de 2027 é provavelmente a oportunidade mais tentadora para transformar um fenómeno astronómico numa escapadinha de verão. Em Portugal será visto como parcial, mas basta seguir para o sul de Espanha para entrar na faixa de totalidade.

Aquele que é já conhecido como "o eclipse do século" acontecerá durante a manhã (pelas 09h50) e atravessará o Estreito de Gibraltar. A faixa de totalidade incluirá praticamente toda a província de Cádiz, parte de Málaga e as cidades autónomas de Ceuta e Melilla. Segundo o Instituto Geográfico Nacional espanhol, Cádiz terá cerca de 2 minutos e 54 segundos de totalidade, enquanto Ceuta poderá aproximar-se dos 4 minutos e 48 segundos.

Para os portugueses, esta poderá ser uma das formas mais simples de experimentar um eclipse total a partir de uma roadtrip até à Andaluzia. Cádiz surge como uma opção interessante por juntar a observação astronómica a praias preciosas, onde podes dar um mergulho depois do espetáculo nos céus. 

Egito: seis minutos de noite em pleno dia

Três pirâmides do Egito
idealista/news

O mesmo eclipse de 2027 prosseguirá pelo Norte de África e pela Península Arábica, atravessando países como Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito. O ponto de maior duração será no Egito, onde a totalidade atingirá aproximadamente 6 minutos e 23 segundos.

É por isso que Luxor já se destaca como um dos destinos de astroturismo mais desejados para 2027. Na cidade egípcia, a fase total deverá durar cerca de 6 minutos e 22 segundos, com o máximo do fenómeno pouco depois das 13 horas locais. Poucos cenários conseguem competir com a possibilidade de assistir a um eclipse total junto aos templos do antigo Egito e ao vale do Nilo. Nesta tua viagem pelo Egito, podes dar um saltinho ao Vale dos Reis e ainda visitar Giza, onde encontrarás o Grande Museu Egípcio e as Três Pirâmides. 

O Norte de África oferece ainda outra possibilidade mais próxima de Portugal. Para quem procura uma viagem mais curta do que uma deslocação ao Egito, podes visitar Marrocos, um país que com enorme diversidade paisagística e gastronómica.

6 de fevereiro de 2027: o “anel de fogo” entre a América do Sul e África

Antes do grande eclipse total de agosto, haverá outro fenómeno imperdível. No dia 6 de fevereiro de 2027, um eclipse anular atravessará zonas da América do Sul e da África Ocidental. Neste tipo de eclipse, a Lua não cobre completamente o disco solar e deixa visível um círculo luminoso em redor da sua silhueta, o famoso “anel de fogo”.

A faixa de anularidade passará por países como Chile, Argentina, Uruguai e Brasil antes de atravessar o Atlântico e alcançar Costa do Marfim, Gana, Togo, Benim e Nigéria. A fase anular poderá aproximar-se dos oito minutos nas zonas mais favoráveis.

É uma opção sobretudo para quem pretende organizar uma viagem de longa distância em torno do fenómeno. 

26 de janeiro de 2028: Portugal no centro do espetáculo

Se em agosto de 2027 será necessário atravessar a fronteira para alcançar a totalidade, no dia 26 de janeiro de 2028 muitos portugueses poderão assistir a um eclipse anular sem sair do país.

A faixa do “anel de fogo” atravessará a América do Sul, cruzará o Atlântico e chegará a Portugal antes de continuar por Espanha. A ESA, European Space Agency, coloca precisamente Portugal e Espanha como os dois destinos europeus onde será possível observar a fase anular.

No território português, o Algarve, partes do Alentejo e a Madeira estão entre as regiões abrangidas pela faixa de anularidade. Faro poderá ter cerca de sete minutos de fase anular, enquanto Portimão se aproxima dos seis minutos e meio. No Funchal, as previsões apontam igualmente para cerca de sete minutos. Lisboa e grande parte do Norte verão o fenómeno apenas como eclipse parcial.

Nota que o eclipse de 26 de janeiro de 2028 ocorrerá durante a tarde (pelas 16h08) e por ser inverno poderá haver nebulosidade. Por isso, será essencial escolher um local com o horizonte desimpedido e acompanhar as previsões meteorológicas para aumentar as hipóteses de veres este fenómeno raro no nosso país.

22 de julho de 2028: Sydney também está na rota dos eclipses

Porto de Sydney
Unsplash

Quem quiser levar o astroturismo para outro continente pode acrescentar mais uma data ao calendário. Apenas seis meses depois do eclipse anular ibérico, no dia 22 de julho de 2028, haverá um novo eclipse solar total.

A sombra da Lua atravessará a Austrália e alcançará também zonas da Nova Zelândia. O fenómeno poderá atingir uma duração máxima de cerca de 5 minutos e 10 segundos.

Entre os destinos mais acessíveis está Sydney. A cidade ficará dentro da faixa de totalidade e deverá assistir a aproximadamente 3 minutos e 49 segundos de eclipse total, com o máximo por volta das 14 horas locais. A possibilidade de ver a escuridão cair sobre Sydney Harbour transforma este eclipse numa desculpa quase perfeita para uma grande viagem em família até à Austrália.

Como organizar uma viagem para ver um eclipse? 

avião para ver o eclipse
Unsplash

Seguir a rota de um eclipse é diferente de visitar uma atração turística ou um museu. O espetáculo acontece a uma hora fixa, numa faixa geográfica muito concreta e depende sempre das condições meteorológicas. Por isso:

  • Reserva o alojamento com antecedência: os hotéis e até alguns serviços de transporte podem esgotar rapidamente nas zonas de melhor visibilidade; 
  • Mantém alguma flexibilidade: se houver previsão de nuvens, pode ser necessário mudar de local para encontrares o céu limpo; 
  • Protege os olhos: durante as fases parcial e anular, é essencial usar óculos com filtros solares certificados ou métodos seguros de observação indireta. Portanto, não precisas de deitar os óculos usados no eclipse de 12 de agosto no lixo; 
  • Escolhe bem o destino: nos próximos anos, será possível ver eclipses na Andaluzia, Algarve, Madeira ou Egito. Faz um orçamento e tenta perceber que viagem realmente compensa. Uma viagem à Austrália pode sair-te cara, mas faz sentido se for um destino que tens poupado para visitar. 

O que torna os próximos anos particularmente interessantes é a variedade. É possível fazer uma curta viagem de Portugal até à Andaluzia para assistir a um eclipse total em 2027, ficar no Algarve ou viajar até à Madeira para ver o “anel de fogo” em 2028, ou transformar o fenómeno numa aventura maior pelo Egito ou pela Austrália. 

Para quem procura uma viagem diferente, talvez seja altura de escolher um destino não apenas pelos museus, mas também pelos fenómenos que os seus céus têm reservado.

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.