Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Eleições europeias: PS vence e ganha maior “fôlego” para as legislativas de outubro

Autor: Redação

O PS venceu as eleições europeias de domingo (26 de maio de 2019) e o PSD teve uma derrota pesada. O BE assumiu-se como terceira força política e o CDS teve o pior resultado de sempre em eleições ao Parlamento Europeu, que podem servir de barómetro para as eleições legislativas de outubro. A abstenção fica na história como a mais alta de sempre (68%).

Jornal de Negócios
Jornal de Negócios

Vamos por partes: o PS venceu com 33,38% do votos – a vitória com maior margem desde 1999 – e conseguiu eleger nove representantes para o Parlamento Europeu; o PSD obteve 22,01% de votos e manteve os seis representantes; o BE fixou-se como a terceira força política e conseguiu 9,82% dos votos, bem como dois representantes em Estrasburgo; a CDU reuniu 6,81% dos votos e perdeu um eurodeputado, ficando agora com dois; o CDS obteve 6,19% dos votos e manteve apenas um eleito; o PAN teve 5,08% e conseguiu eleger um eurodeputado, o que é inédito.

De referir ainda que outro dos grandes perdedores da noite eleitoral foi António Marinho e Pinto, que nas europeias de 2014 conseguiu eleger dois eurodeputados para o seu partido de então, o MPT (Movimento Partido da Terra), mas que agora fica fora do Parlamento Europeu.  

Já a Aliança de Pedro Santana Lopes fracassou, porque não conseguiu eleger Paulo Sande para o Parlamento, e o mesmo aconteceu com o Livre e com a coligação Basta.

Apesar do número de votantes ter aumentado, a taxa de abstenção fixou um novo recorde (68,6%), o que fica a dever-se não só ao habitual desinteresse dos portugueses relativamente às europeias, mas também ao enorme aumento de inscritos no estrangeiro.

O resultado das eleições europeias veio confirmar que os portugueses continuam a privilegiar os partidos mais tradicionais e antigos, à exceção do PAN, recusando-se “virar” à extrema-direita, à semelhança do que acontece noutros países europeus. 

Liderança reforçada a pensar nas legislativas 

Com a diferença de mais de 11% entre PS e PSD, bem superior à de cerca de 4% verificada há quatro anos, quando PSD e CDS concorreram coligados, os portugueses deram nas urnas um sinal daquilo que poderá acontecer nas legislativas de outubro, reforçando a liderança.

“Crescemos em votos e crescemos em mandatos e ficámos com mais de dez pontos do que o nosso principal adversário”, disse o primeiro-ministro António Costa. Segundo o Jornal de Negócios, o chefe de Governo assumiu-se “como candidato sombra ao Parlamento Europeu, marcando presença nas principais ações de campanha onde a sombra feita ao cabeça de lista Pedro Marques foi sempre notada”. 

O governante assegurou ainda que a vitória do PS nas eleições legislativas dá “força renovada” ao partido e ao Governo para enfrentar o futuro. 

Nova cara ao Parlamento Europeu

Os partidos tradicionalmente mais representativos em Estrasburgo perderam força e, em sentido contrário, confirmam-se as chegadas de eurocéticos e populistas de extrema-direita, bem como de ambientalistas.

O fim do domínio pelos dois principais grupos políticos europeus de centro-direita e centro-esquerda, com uma subida expressiva dos ambientalistas e ganhos, embora menores que o esperado, dos nacionalistas, marca as eleições europeias de 2019, escreve a Lusa.

Numas eleições em que a participação eleitoral média na União Europeia (UE) foi a mais alta dos últimos 20 anos e 8% acima do anterior sufrágio, as duas grandes famílias políticas do Parlamento Europeu (PE), o Partido Popular Europeu (PPE) e os Socialistas & Democratas (S&D), perderam a maioria que detinham há décadas na assembleia europeia.

O PPE mantém-se como a principal força política europeia, com 178 eurodeputados, mas perde 39 lugares no hemiciclo, e o S&D continua a ser a segunda força política, com 152 deputados, menos 35 que na atual legislatura, segundo uma projeção do PE baseada em resultados oficiais e provisórios em 22 países e em estimativas nos restantes seis.

A Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE) torna-se, de forma destacada, a terceira força política no Parlamento Europeu, com 108 eurodeputados, um crescimento de 40 eurodeputados que passa pela integração do francês En Marche, enquanto os Verdes europeus ganham 15 assentos, para ser o quarto grupo político, com um total de 67 representantes.

A “onda verde”, como foi designada por vários dirigentes de partidos ambientalistas, foi especialmente proporcionada pelos Verdes alemães, que passaram a segunda força mais votada na Alemanha, e pela crescente importância atribuída pelas populações às questões ambientais.

As forças nacionalistas eurocéticas, na agenda destas eleições sobretudo em face da proposta aliança nacionalista que o líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, se propõe formar, também registou ganhos, mas não deverá dispor do número de eurodeputados suficiente para bloquear sozinha votações decisivas.

Segundo dados ainda provisórios, os eurocéticos deverão somar 172 eurodeputados, mais 17 que na atual assembleia, mas distribuídos por três grupos políticos diferentes - Conservadores e Reformistas (ERC), Europa das Nações e das Liberdades (ENF) e Europa da Liberdade e da Democracia Direita (EFDD) -, com diferentes agendas políticas.

A União Nacional (ex-Frente Nacional), de Marine Le Pen, voltou a vencer as europeias em França, embora segundo resultados provisórios com algumas décimas menos que em 2014, derrotando a estratégia de Emmanuel Macron de impôr a sua agenda progressista.

Matteo Salvini, segundo as sondagens à boca das urnas, ficou aquém do esperado, embora se afirme claramente como principal partido de Itália.

Na Alemanha, onde os eleitores castigaram os partidos da grande coligação – a União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel e o Partido Social-Democrata (SPD) –, fazendo os Verdes duplicar a sua votação, para 20%, e subir a segundo partido mais votado e mantendo a extrema-direita eurocética da Alternativa para a Alemanha (AfD) com uma votação de cerca de 10%. Os 28% obtidos pela CDU mantêm-na como o partido mais votado, mas são o pior resultado da história da formação, e os 15% pelo SPD deixam muito fragilizada a coligação governamental alemã.