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Assim será reconvertido o Matadouro do Porto - 40 milhões depois e um arrojado desenho japonês

Kengo Kuma and Associates with OODA
Kengo Kuma and Associates with OODA
Autor: Redação

O antigo Matadouro Industrial de Campanhã, que ocupa uma vasta área na zona oriental da cidade, vai ser alvo de um projeto de reconversão. O investimento de quase 40 milhões de euros será suportado na íntegra pela Mota-Engil, que venceu o concurso lançado pela Câmara do Porto para a concessão do espaço. Depois de há mais de 20 anos abandonado, ali vai nascer agora uma área para a instalação de empresas, galerias de arte, museus, auditórios e espaços para acolher projetos de coesão social. As obras arrancam em abril de 2019 e o objetivo é que estejam concluídas em 2021.

O arrojado projecto de arquitetura, feito em parceria com o gabinete OODA, instalado em Matosinhos, é da autoria do arquiteto japonês Kengo Kuma, conhecido pela assinatura do estádio que vai acolher a abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020; por equipamentos culturais como o Suntory Museum of Art, também no Japão, ou o francês Besançon Art Center; ou pelo "spa" caribenho do Mandarin Oriental Dellis Cay.

A Mota-Engil, segundo adiantou a Lusa, "fica obrigada a cumprir o programa delineado pela Câmara do Porto nos próximos 30 anos". No final desse período o equipamento ficará municipal. À autarquia, que ocupará uma parte do antigo Matadouro, cabe a realização de projectos de dinamização cultural, de envolvimento da comunidade e afectos à coesão social.

Ponte pedonal vai ligar jardim suspenso ao Estádio do Dragão

Além da construção de uma grande cobertura que unirá o antigo e o novo edifício, a proposta destaca-se pela construção de uma passagem pedonal por cima da Via de Cintura Interna (VCI), que "cria um impacto visual único para quem atravessa" a mais concorrida estrada da cidade. Outro dos elementos-chave é a rua pedonal coberta – a primeira na cidade –, que atravessa o espaço de uma ponta à ponta, ligando ao jardim suspenso sobre a VCI que dá acesso à estação de metro do Estádio do Dragão.

O Matadouro, de acordo com a autarquia, "pode servir como grande impulsionador económico, social, cultural e demográfico das freguesias mais orientais do Porto (Bonfim e Campanhã), mas será também um extraordinário pólo dinamizador de toda a cidade".

E o presidente da Câmara, Rui Moreira, citado pelo JN, diz "não [ter] dúvidas que, tal como a Casa da Música, na zona Ocidental da cidade, esta será a obra icónica da zona Oriental e não é por acaso que desperta o interesse dos investidores privados".

Matadouro para o Porto como o Centro Pompidou está para Paris

O concurso de concessão que a câmara lançou em agosto do ano passado contou com três concorrentes e indicava "a reconversão integral do complexo, mantendo a sua memória histórica e natureza arquitectónica, em espaços empresariais diversificados e polivalentes".

Já os autores do projecto dizem que a sua proposta, com 20.500 de área construída, pretende “reactivar, reinventar, este espaço e dar continuação a essa história e memória da cidade”.

"Sem querer sermos exagerados, diríamos que o futuro “Matadouro estará para o Porto como o Centro Pompidou está para Paris, tal a exposição internacional acrescida que esta obra do italiano Renzo Piano deu à Cidade Luz".

Obras arrancam daqui a um ano

O presidente da Câmara do Porto apontou esta terça-feira para abril de 2019 o início da obra de requalificação do Matadouro Industrial, que deve ficar concluída “no prazo de dois anos”, num “investimento total de 40 milhões de euros”.

“Esperamos ter o contrato em junho. Iremos enviar para Tribunal de Contas, num processo que esperamos que possa decorrer em dois meses. Depois, temos um prazo mínimo de projecto de sete meses, ou seja, até março. A perspetiva é lançar obra em abril de 2019 com prazo previsto de dois anos”, revelou o independente Rui Moreira, citado pela Lusa.

Na reunião camarária pública em que apresentou o projeto à vereação, o autarca acrescentou estar em causa “um investimento total 40 de milhões de euros, dos quais 36 milhões” serão para a “obra prevista”.