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“O desporto dá perspetiva, dá foco e obriga a ser persistente”

Carlos Teixeira jogou voleibol até aos 40 anos, tendo iniciado a atividade de consultor imobiliário na RE/MAX Convictus d’ Ouro, há cerca de um ano.

Luís Vieira
Luís Vieira
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

“Eu estou a vestir a camisola”, diz Carlos Teixeira em entrevista ao idealista/news. Na opinião do antigo jogador de voleibol profissional, a mediação imobiliária é uma atividade muito exigente, onde cada dia é totalmente diferente do anterior. Tal e qual como as épocas desportivas, em cada um dos anos. 

Como caracteriza o seu percurso enquanto desportista de alta competição?

O desporto foi uma escola fundamental para mim. Sem essa parte, eu não iria estar preparado para as dificuldades da atualidade. Depois, fui um privilegiado. Fui campeão em vários clubes, fui campeão num país estrangeiro, ganhei títulos pelo meu país, que representei em mais de 300 ocasiões. Joguei campeonatos do Mundo e da Europa e a Liga dos Campeões. Só nunca fui aos Jogos Olímpicos …

O grande desafio é tentar encontrar uma atividade que ofereça uma dose de adrenalina parecida com o que eu tinha enquanto atleta profissional. Acredito que estou a encontrar algo parecido no imobiliário.

Como decorreu a transição para a vida ativa?

A transição é algo que vai decorrendo. Não sei se algum dia a irei terminar. Digo isto, porque sinto que estou sempre a competir, mas num universo onde não conheço as regras, nem os jogadores. O grande desafio é tentar encontrar uma atividade que ofereça uma dose de adrenalina parecida com o que eu tinha enquanto atleta profissional. Acredito que estou a encontrar algo parecido no imobiliário.

De que forma o desporto foi importante para superar as dificuldades que surgem? 

É fundamental. O desporto dá perspetiva, dá foco e obriga a ser persistente. Dá a certeza de que, se não for em grupo, tudo é mais difícil e menos gratificante e dá a capacidade de encaixe nos momentos maus. Aprendemos a saber perder. Não falo de ser resignado com as adversidades. Mas acho que o mundo precisa de gente que aceite a derrota com dignidade. Que aprenda com ela e que avance. Sem grandes desculpas.

Carlos Teixeira
Carlos Teixeira

Como está a decorrer o percurso na atividade de mediação imobiliária?

Eu estou a vestir a camisola. É, definitivamente, uma atividade muito exigente, em que cada dia é totalmente diferente do anterior. Tal e qual como eu vivia as minhas épocas desportivas. E isso agrada-me. Estou sempre, na minha cabeça, a fazer paralelismos entre as duas atividades. No desporto (voleibol) eu nunca iria conseguir ter uma carreira. No imobiliário sei que isso é possível.

A transição de carreiras é um tema tabu entre os atletas. Eles não querem dar parte fraca e imaginar que um dia vai acabar. E isso é aterrador.

Como descreves a experiência na Sports Embassy?
A Sport Embassy é um projeto de atletas para atletas. Isto quer dizer que a capacidade de antecipar problemas futuros é, na minha opinião, um dos pontos fortes do projeto. A transição de carreiras é um tema tabu entre os atletas. Eles não querem dar parte fraca e imaginar que um dia vai acabar. E isso é aterrador. Eu comecei a acompanhar o projeto desde cedo. Ter feito o programa da Sport Embassy ajudou-me a estruturar melhor algumas ideias e a, por exemplo, decidir o passo seguinte. No meu caso foi importante o trabalho com pessoas.

Que conselhos dá aos atletas para que estejam preparados para os desafios futuros?

Os atletas têm de entender que fazem parte de algo mais complexo do que a vida num estádio, piscina ou pavilhão. Muita coisa se joga fora do seu ‘habitat natural’. O meu conselho é que se interessem, genuinamente, pelo todo, ou seja, conheçam os vossos diretores e o que fazem, conheçam os vossos patrocinadores, jornalistas, etc. Envolvam-se na vida do clube, na comunidade. Isto pode ser uma ajuda grande para o pós-carreira. Vai dar perspetiva, vai dar empatia pelo trabalho dos outros, vai relativizar a importância de certos acontecimentos. Vai ajudar no que se segue à carreira de atleta. Pelo menos, no meu caso, tem sido fundamental.