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Sismos em Lisboa: capital toma medidas para reforçar resiliência dos edifícios e minimizar riscos

Autor: Redação

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou, por unanimidade, uma proposta para que sejam tomadas medidas para prevenir o risco sísmico, assim como reforçar a resiliência sísmica na capital. Investigador descobriu a origem dos sismos violentos em Portugal. 

A proposta aprovada pela AML foi elaborada pela Comissão Permanente de Transportes, Mobilidade e Segurança, na sequência de um debate realizado em abril de 2018, e destaca que deve ser evitada “a construção de novos hospitais e outros equipamentos relevantes como quartéis de bombeiros, centros de saúde, escolas e lares de idosos em zonas inundáveis por ação de um tsunami e que os projetos incluam sistemas de proteção antissísmica adequados, tais como isolamento de base”.

Segundo a Lusa, o documento recomenda também que se promova “o reforço sísmico dos edifícios municipais que sejam alvo de obras de reabilitação” e que sejam criados “mecanismos de fiscalização sobre as intervenções de reabilitação urbana, especialmente no edificado anterior à legislação antissísmica”.

Alterações legislativas na calha? 

A proposta acrescenta que a autarquia deve promover junto das entidades competentes “a ponderação da alteração à legislação aplicável para que seja introduzido reforço sísmico das construções em obras de reabilitação de edifícios anteriores à legislação antissísmica”. 

Está ainda prevista a inclusão de um conjunto de medidas de autoproteção, como “promover o conhecimento e prevenção da população em relação aos riscos sísmico e de tsunami, bem como a informação das formas de redução dos riscos nos edifícios e infraestruturas existentes”.

O documento, que foi apresentado e discutido dia 30 de abril na AML, destaca que “todos os edifícios essenciais ao socorro da cidade”, como quartéis de bombeiros e esquadras, devem ser dotados “de todas as normas de segurança, incluindo sistemas de proteção antissísmica”.

A proposta pede que sejam identificados, em articulação com as juntas de freguesia, “todos os cidadãos que vivam em condições de isolamento ou que detenham dificuldades de locomoção, para que permitam que seja disponibilizada informação aos agentes de proteção civil, com vista a que estes cidadãos sejam prontamente socorridos”.

Segundo um relatório redigido pela Comissão Permanente de Transportes, Mobilidade e Segurança, o debate, que contou com membros da comunidade científica, permitiu concluir que "a ocorrência de um sismo de grande magnitude em Lisboa no futuro é quase uma certeza”, pelo que a cidade “deverá estar preparada” para tal.

Descoberta origem de sismos violentos em Portugal 

Entretanto, um investigador português quis saber qual é a origem dos sismos violentos ocorridos em solo nacional e concluiu que o risco sísmico ao largo da costa vem de uma zona chamada Planície Abissal da Ferradura, situada a 250 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente.

A procura pela resolução do enigma da fonte do terramoto de 1755 levou João Duarte, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a confirmar uma anomalia na crosta terrestre ao largo da costa portuguesa. Anomalia essa que pode explicar porque ocorrem sismos violentos numa zona aparentemente calma.

“É o local de início de um processo de subducção, em que uma placa cai por baixo ou se descasca”, conhecida nas margens do Oceano Pacífico e em zonas de grande atividade sísmica, como o Japão, disse o investigador, citado pela Lusa.

Segundo João Duarte, “não é possível dizer que vai haver mais sismos, porque este é um processo absolutamente lento, demora 10 a 20 milhões de anos”. O responsável frisou que a descoberta, só por si, nada tem a ver com a capacidade de prever sismos de grande dimensão, que são irregulares e cuja ciclicidade é apenas estatística.

Considera-se atualmente que um sismo na costa portuguesa na ordem dos 8,5 a 9 graus na escala de Richter, como o de 1755, se repete “entre mil a dois mil anos”, mas este número pode não significar nada se os sismos de grande dimensão se sucederem em períodos mais curtos de tempo, como é comum, “não se sabe bem porquê”, explicou.