O projeto de uma casa dos arquitetos portugueses Rui Taveira, José Taveira e Sofia Oliveira é um dos dez finalistas do concurso internacional 'Not a Hotel - Design Competition 2026', anunciou a organização.
Inspirado na obra de José Saramago, o projeto dos arquitetos portugueses, intitulado "Life could be just", foi selecionado entre 1.058 propostas submetidas por candidatos de 112 países.
O desafio do concurso, este ano, consistiu em conceber uma casa para a ilha de Yakushima, no Japão, classificada como Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
O projeto português centra-se "na ligação entre a construção e a floresta, usando frases do escritor José Saramago para explicar como o espaço deve dialogar com o território e com quem ali vive", explicam os criadores de "Life could be just".
"Uma casa para aprender a olhar de novo"
Trata-se de "uma casa para aprender a olhar de novo", lê-se na abertura da memória descritiva do projeto, que começa por se fixar na ilha de Yakushima e como ela "ensina antes de se deixar desenhar": "A paisagem não é composta, mas revelada lentamente através da vegetação densa, da humidade constante e de um clima que molda tudo aquilo em que toca. A natureza não espera por permissão.
O musgo avança sobre a pedra, a chuva permanece, as árvores crescem sem correção. O tempo não se mede aqui, acumula-se". A casa proposta pelos arquitetos portugueses emerge assim dessa "condição de lentidão e persistência", "não procura competir com a ilha, nem acrescentar significado ao que já está completo".
Por isso, "cada espaço é concebido como um instrumento silencioso de atenção, enquadrando a paisagem com cuidado e contenção, abrandando a perceção, permitindo a presença". Os materiais foram "escolhidos para envelhecer, para escurecer, para registar a chuva e a humidade", prossegue a descrição do projeto.
"A transformação é aceite, não resistida. O luxo encontra-se na duração, não no excesso". Neste contexto, na obra de arquitetura surge a obra literária de Saramago: "A vida poderia ser tão simples como sentar-se na relva, segurar uma margarida e não lhe arrancar as pétalas, não porque as respostas sejam conhecidas, mas porque são de tão pouca importância que descobri-las não valeria a vida de uma flor".
Esta casa, garantem os arquitetos portugueses, "existe neste entendimento, não para procurar respostas, mas para proteger as condições em que já não precisam de ser feitas".
Vencedores conhecidos a 28 de março
"Life could be just", de Rui Taveira, José Taveira e Sofia Oliveira, compete com os projetos "Sound of rain", da Austrália, "Deep transparency", "Living stones" e "Echo of the mountain", dos Estados Unidos, "A crafetd shelter", do México, "Between forests" e "Primitive retreat", da Coreia do Sul, "The dragon's breeze", da Turquia, e "Aida", da Rússia.
O júri da competição conta com os arquitetos Bjarke Ingels, da Dinamarca, e Sou Fujimoto, do Japão, que já expôs por diversas vezes em Portugal, nomeadamente no Centro Cultural de Belém (2019 e 2013) e no Museu do Oriente (2016), em Lisboa, tendo sido convidado da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos e do Fantasporto, em 2009. Ambos os arquitetos são detentores do Leão de Ouro da Bienal de Veneza, entre outros prémios.
A iniciativa Not a Hotel procura "unir arquitetura e cultura", tendo nomes como Pharrell Williams na sua direção criativa. A fase final desta edição do prémio acontece no próximo dia 28 de março, no Centro Nacional de Arte de Tóquio, onde os concorrentes, entre os quais os arquitetos portugueses, vão apresentar as suas propostas presencialmente. A vitória garante a construção do projeto em solo japonês.
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