Em Marinaleda, cidade espanhola localizada na província da Andaluzia, não existem polícias – não há relato de crimes desde 1979 – nem desemprego. E a câmara municipal paga a quem quiser construir uma casa. Marinaleda aparenta ser um paraíso democrático, mas será que é?
Segundo o Observador, todos os moradores de Marinaleda trabalham numa coperativa agrícola e têm um ordenado de 1.200 euros. Não há registo recente de crimes, a não ser um, no ano passado, mas insólito: o presidente da câmara, Juan Manuel Sánchez Gordillo, organizou um protesto e assaltou supermercados, tendo depois entregue os artigos roubados à população pobre. Tratou-se, segundo o próprio, de um “ato de desobediência não violento”.
No que diz respeito à habitação, todas as pessoas têm autorização para construir um lar gratuitamente. E a autarquia até oferece os materiais para a obra e entrega um subsídio de 195 euros por cada m2. Depois ficam com a casa por apenas 15 euros por mês – não a podem vender para benefício privado.
Mas será que Marinaleda é mesmo uma cidade perfeita? Segundo o Guardian, a cidade foi vítima de uma enorme bolha imobiliária. A construção (exclusivamente pública) de casas sociais fez disparar o preço das habitações e em 2008, com a crise financeira, tudo rebentou: o imobiliário, a produção, o financiamento da própria cidade, escreve o Observador.
Segundo o relato de um jornalista holandês, que visitou a cidade atraído pela ideia de uma utopia socialista, ninguém pode sair de casa sem que a autarquia fique com a propriedade. O mesmo conta que antes da expropriação dos terrenos da cooperativa, a taxa de desemprego era de 70%. E mais: só existem dois cafés e duas pequenas mercearias em Marinaleda e não há restaurantes. Mas há, por outro lado, uma piscina gigante.
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