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Guimarães: cidade limpa, bonita e bem conservada - porque os turistas só lá ficam um dia?

Arquivos da CMG
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Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

Guimarães é uma cidade que está na moda e tem um novo fôlego. É bonita, limpa, acessível, bem preservada, com muitos pontos de interesse, sobretudo a nível cultural e histórico.  Capital Europeia da Cultura em 2012, o chamado "berço de Portugal" foi catapultado para o mundo e tornou-se visita obrigatória para nacionais e estrangeiros, sendo mesmo uma das cidades portuguesas mais visitadas por turistas. Mas é, em grande parte, um turismo de passagem, que em média dura apenas um dia. 

Este mesmo cenário foi confirmado pelo idealista/news em reportagem pela cidade. À conversa com turistas  - que deram grande enfoque às qualidades da cidade, mas confirmaram ficar pouco tempo -, e com alguns comerciantes - que lamentam a falta de mais medidas por parte da autarquia -, é evidente o anseio por que se consiga aumentar a estadia média turística na cidade.

Confrontada com esta realidade a vereadora do Turismo, Sofia Ferreira, diz, em entrevista ao idealista/news, que tem em preparação um projeto ambicioso, para em breve Guimarães atingir a média de permanência dos turistas para dois dias, igualando o Porto.

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Autarquia quer ampliar centro histórico

Muito perto de um dos ex-libris da cidade, a Torre da Alfândega (onde pontua a conhecida inscrição Aqui Nasceu Portugal, e a maioria dos turistas aproveita para fazer uma 'selfie')  Manuel Fernandes foi o primeiro transeunte que abordámos, e de quem recebemos as primeiras notas sobre a cidade. “Muito bonita, limpa, acessível, com património está bem preservado, e um centro histórico muito bem conservado”, considera. 

Manuel Fernandes não se considera um turista, mas antes um “visitante assíduo que mora a poucos quilómetros", considerando que "esta cidade é um orgulho”, 

E demonstra ser um atento conhecedor do que se passa aqui. “A autarquia quer ampliar o centro histórico, ligando as ruas de D. João I e Rua de Camões”, diz. 

O evento Capital da Cultura, acrescenta, “veio dar um incremento muito forte na afirmação da cidade”, frisando que "já antes era muito visitada, mas agora é muito mais e melhorou muito”. 

Foi, também, Manuel Fernandes que deu o mote para a abordagem de uma realidade, que afinal parece ser uma preocupação de todos. “É preciso criar condições para que os turistas fiquem mais que um dia. O turista não vem diretamente. Tirando alguns espanhóis que ficam dois dias, o fim-de-semana”. 

A justificação do problema, na sua opinião, “é porque as agências de viagens apostam no turismo no Porto e no Douro e depois trazem os turistas aqui um dia”. 

“Vamos voltar em breve, por mais tempo” 

“É uma cidade muito limpa, bem conservada, muito bonita, mas deu para ver muito pouco”, lamenta Andressa, com sentida pena, mostrando-se rendida aos encantos da cidade. A jovem turista, que fazia parte de um grupo de seis amigos espanhóis, estava de passagem por Guimarães durante apenas meio-dia. Estavam de regresso ao Porto onde acabavam de passar oito dias. 

Em Guimarães, este grupo foi ao Castelo e ao Paço dos Duques, e passeou um pouco a pé, no centro da cidade. Destacando ter ficado atraída pela “beleza das casas tradicionais do centro histórico”, as “ruas estreitas e bem conservadas” e a “boa comida”., Andressa reitera que lhe soube a pouco e promete voltar em breve, porque gostou muito da cidade. "Para a próxima vamos o Santuário da Penha. Não conseguimos ir desta vez”, indica a jovem espanhola.

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Capital da Cultura despertou curiosidade lá fora

Ellie e a amiga, romenas, aproveitaram uma folga nas aulas de mestrado em línguas, na Universidade do Porto, para rumarem a Guimarães, numa visita rápida. “Estávamos com muita curiosidade de visitar a cidade desde que foi capital da cultura”, diz. 

Na sua opinião, o evento foi muito divulgado e na altura ficou com muita vontade de conhecer. “Queremos visitar o Castelo, o Paço dos Duques, a Plataforma das Artes, o Centro Cultural do Palácio de Vila Flor”, apontando para um dos mapas que recolheram no posto de turismo.   

Nesse momento, no Largo do Toural - a praça mais central da cidade -, aproveitavam o sol primaveril para fazer “um reforço ao pequeno-almoço e tirar as primeiras fotos”. A primeira impressão sobre a cidade, para as duas estudantes, foi excelente. “Estamos a gostar muito, tem muitos jardins, monumentos, é tudo muito bonito”. 

Para o casal Maria Guida Marques, portuguesa, e Luís Vila, brasileiro, Guimarães é uma das cidades eleitas para visitar em diferentes ocasiões, já que Portugal é, também, o país onde, nesta fase da vida, passam metade do ano. 

Guida destaca, sobretudo, o facto de na Quaresma (período que antecedeu a Páscoa), "as igrejas estarem todas abertas e ser possível visitar”. 

Foi o que fizeram durante a manhã, que terminou com um almoço, que, frisa, foi “muito bom”, preparando-se agora para regressar a Moimenta da Beira, onde ficam até ao final do verão. 

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Encantos que atraem os turistas

Passear pelas ruas estreitas de Guimarães significa encontrar muitos e variados motivos de interesse que despertam a atenção dos passeantes. Um deles é, sem dúvida, visível no Salão de Barbearia Londres, onde “o Sr. Manuel Silva, barbeiro, fadista, dono da barbearia, aproveita uma pausa para fazer um ensaio”, tocando um fado na guitarra portuguesa, explica Luís Oliveira, empregado, enquanto lava o cabelo a um cliente. 

Os turistas entram, alguns demoram alguns minutos a ouvir os tons melancólicos de um fado, outros continuam no seu passeio. 

Segundo Luís Oliveira, “a autarquia tem incentivado muito o turismo”. Mas, adverte, “tem de fazer mais para fixar os turistas, e não ser apenas um turismo de passagem, de fim-de-semana e das pontes”. 

“Autarquia tem que fazer muito mais” 

Esta mesma opinião é partilha pelo proprietário de uma das esplanadas mais movimentadas do Largo da Oliveira - um dos espaços mais nobres do ‘burgo vimaranense’, onde ficam localizados alguns dos seus mais belos e históricos monumentos -, “a autarquia devia fazer muito mais”, do que está a fazer para inverter este turismo de passagem. 

Luís destaca o facto de o número de restaurantes ter triplicado ou quadruplicado nos últimos anos, contudo, adverte, “funcionam bem apenas na hora de almoço e no fim-de-semana”. 

Para este empresário, “é preciso criar um roteiro que inclua o Paço dos Duques, o Castelo de Guimarães, mas também o Santuário da Penha, pois a maioria dos turistas nem sequer vai lá”. 

Inaugurado em 1947, o Santuário da Penha é um exemplar único da arquitetura religiosa de Marques da Silva. Monumento de singular beleza e valia arquitetónica e religiosa é uma obra emblemática de Guimarães. 

Localizado a cerca de sete quilómetros do centro da cidade, da cidade, o Santuário da Penha - de onde pode apanhar-se também o teleférico – é um dos atrativos da cidade que está arredado da maioria dos turistas. 

Bem como a Citânia de Briteiros, um sítio arqueológico da Idade do Ferro, situado no alto do monte de São Romão, na freguesia de Salvador de Briteiros, concelho de Guimarães. 

“Oferta de casas para arrendar é escassa” 

Já Paula Gonçalves, comerciante, dona de uma mercearia na Rua Paio Galvão, destaca a falta de casas para arrendar, considerando que esta é uma realidade que está a prejudicar o mercado. “Verifica-se muita procura de casas para arrendar, mas a oferta é pequena”, destaca a lojista. 

Considerando que a partir da primavera nota-se um aumento de turistas, Paula Gonçalves afirma que a escassez de empreendimentos de Alojamento Local não ajuda o turismo. 

“Sente-se muito turismo agora”, frisando, “mas, nota-se que são turistas de um dia, estão de passagem, só os espanhóis é que ficam mais tempo”. 

Para a dona da mercearia tradicional, a cidade tem sido procurada por muitos cidadãos brasileiros. E, na sua opinião, “muitos querem ficar por cá”, mas as rendas altas dificultam a escolha. 

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