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Pedro Couto e Reis Campos compram terrenos no Porto para desenvolver habitação para classe média

O empreendimento, em Ramalde, prevê a construção de quatro ou cinco torres, com entre 350 a 400 casas novas

Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

Pedro Couto, dono da construtora Telhabel, e Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN (Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas), juntaram-se para fazer negócios. Compraram um conjunto de terrenos na nova zona de expansão da cidade do Porto, em Requesende, para construir habitação destinada ao segmento médio. O empreendimento, localizado na freguesia de Ramalde, prevê a construção de quatro ou cinco torres, com entre 350 a 400 habitações. 

Ao idealista/news, Pedro Couto confirmou “a aquisição de três parcelas de terreno, a três proprietários diferentes, com uma área total de construção superior a 50 mil metros quadrados (m2), para desenvolver habitação para o segmento médio”. Mas o empresário diz, porém, que ainda é cedo para avançar como “as características do projeto a construir e com o valor do investimento que vai ser aplicado, tendo em conta que se encontra em fase de estudos”. 

Promovido pela sociedade Vanguardplace - Sociedade Imobiliária, S.A, o novo empreendimento está a ser projetado pelo arquiteto Henrique Granja, do gabinete Granja Arquitetos, fazendo parte da carteira de ativos privados de Pedro Couto - que integra também outros empreendimentos como é o caso dos Jardins da Efanor, em Matosinhos,  encontra em desenvolvimento, e do emblemático quarteirão da Aurifícia, na zona da Rua de Cedofeita, no Porto, entre outros. 

Projeto prevê construção de 350 a 400 habitações 

O projeto em desenvolvimento já tem aprovado o projeto de loteamento há vários anos, tendo sido submetido pelos anteriores proprietários, mas acabou na altura por não avançar. Ao idealista/news, o arquiteto Henrique Granja explicou que o facto de o projeto estar apenas dependente do alvará de loteamento para avançar com a obra de construção, que vai ser assegurada pela Telhabel.  

“O nosso papel foi o de reconfigurar o que estava aprovado anteriormente com o novo projeto, à luz do que são agora as linhas urbanísticas para as novas zonas em desenvolvimento – que vão ser visíveis no novo PDM da cidade -, privilegiando os espaços e equipamento públicos, e as zonas verdes e optando pela construção em altura”, destaca.  

Assim, o novo empreendimento prevê a construção de 350 a 400 habitações – número que está ainda dependente das áreas das tipologias – que se vão desenvolver em quatro ou cinco edifícios em altura. 

Projeto localizado junto à Estrada da Circunvalação  

O novo complexo residencial fica localizado junto à Estrada da Circunvalação e à Avenida das Congostas e ao lado da Ribeira da Granja - o maior curso de água que atravessa a cidade do Porto, com 6,5 quilómetros de extensão dos quais 80% estão encanados – mas que nesta zona corre céu aberto. 

Refira-se que a Câmara Municipal do Porto, através das Águas do Porto, iniciou há alguns anos a limpeza, despoluição e requalificação deste ribeiro, em especial nos troços a céu aberto e naqueles que, encontrando-se entubados, podem ainda ser reconvertidos em áreas de verdes. 

Por outro lado, esta zona de Requesende, em Ramalde é atualmente uma das zonas de expansão da cidade, e onde o novo PDM do Porto - que se prevê que esteja aprovado até março/abril de 2021 -, vai permitir um índice de construção mais elevado, incentivando o investimento em projetos de habitação a  preços médios, cuja escassez na cidade é conhecida. 

Jardins da Efanor para desenvolver a médio prazo 

Sobre o empreendimento Jardins da Efanor, localizado em Leça da Palmeira, junto ao centro comercial Norteshopping, Pedro Couto aponta que este é “um projeto para desenvolver nos próximos anos, sendo maioritariamente de habitação e tendo em estudo alguma componente de serviços”. 

Neste momento, está determinado a fazer a conclusão a construção do primeiro edifício, que prevê “esteja pronto no final do verão”, constituído por 60 apartamentos e com mais de “60% vendido”. Em breve, revela ainda o empresário nortenho, “vamos iniciar o arranque de um segundo edifício, mais pequeno”, num total de 24 apartamentos, de tipologias T0 e T1. 

Sobre este projeto, Pedro Couto aproveita para destacar o papel da  Invest&Co, empresa especializada na gestão e promoção de ativos, que é a responsável pelo seu desenvolvimento e pela comercialização. 

Telhabel com carteira de obras de 50 milhões de euros 

Fundada em 1973, em Vila Nova de Famalicão, por Manuel Sampaio Couto, pai de Pedro Couto, a Telhabel tem atualmente atividade em Portugal e Angola e cerca de 300 trabalhadores. Atualmente, a construtora tem uma carteira de obras que atinge os 50 milhões de euros, montante que inclui as obras em execução para terceiros, mas também os projetos próprios. 

Embora, neste momento, a atividade em Angola seja reduzida, foi um mercado que teve um peso significativo, especialmente na construção, infraestruturas, obras de arte e habitação. Por isso, o empresário acredita que este é um “mercado com grande potencial”, e onde querem incrementar a atividade, indicando que a Telhabel está também a “olhar de forma séria para outros mercados”.

Atuando nas mais diversas áreas, desde obra pública e privada, a empresa está atualmente a construir um conjunto de projetos residenciais no Porto, como é o caso do edifício Célere Portodouro, um condomínio de 60 apartamentos, ou o edifício Delfim Pereira da Costa, edifício de habitação integrado no projeto Jardins da Efanor. Destaca-se também o edifício Infante, localizado sobre a margem do rio Douro, que vai ser totalmente reabilitado e adaptado para um novo restaurante. 

Em Lisboa, tem em curso edifícios República 87, um imóvel de arte nova na fachada, e a reabilitação do Rossio 62. 

De referir também o projeto dos novos Paços do Concelho da Trofa, uma intervenção que ocupará uma zona de antigas naves industriais e dará lugar a 6.200 m2 de um espaço totalmente renovado. 

Do novo conjunto edificado manter-se-á o corpo do edifício mais antigo, datado de 1948, correspondente à extinta Indústria Alimentar Trofense que será também reabilitado e englobado nos novos volumes.