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MSF colapsa com meio século de história e 157 milhões de euros por cobrar

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Autor: Redação

Com quase 50 anos de existência, a MSF Engenharia entrou em processo de insolvência, devendo mais de 280 milhões de euros a fornecedores. Os bancos são os principais credores da construtora, que também dívidas aos trabalhadores e à Segurança Social. Mas a história do colapso desta empresa tem também outro lado para ser contado: reclama 156,7 milhões de euros de créditos por cobrar e diz que a "única solução" para ser viabilizada passaria pelo recebimento da dívida de Angola.

Do total, cerca de 90,6 milhões são detidos sobre devedores em Portugal e 19,7 milhões sobre terceiros no mercado externo, avança o Jornal de Negócios, detalhando que só de obras realizadas em África e no mercado nacional a MSF tem mais de 55 milhões a receber.

Para poder ser viabilizada, a "única solução" para a MSF - que participou em Portugal em obras como a construção da fábrica da Autoeuropa, a linha vermelha do metro de Lisboa e as auto-estradas A8, A12, A15 e A17 - "seria o início de um processo de recebimento da dívida de Angola", defende a empresa na documentação entregue em tribunal para requerer a declaração de insolvência citada pelo diário,  acrescentando que nenhuma outra resolveria "o problema de fundo".

O pagamento da dívida de Angola, segundo argumenta a construtora que chegou a estar presente em 10 geografias internacionais (realizando obras como a construção do aeroporto da Boa Vista, em Cabo Verde, ou auto-estradas no Senegal e na Polónia), permitiria ultrapassar as consequências da falta do desembolso de 12,75 milhões de euros do financiamento que ficou previsto no âmbito do Processo Especial de Revitalização (PER) de 2017.

Além disso, e segundo conta o jornal, garantiria "as operações de 2019" e "uma verba substancial para utilização como colateral na emissão de garantias bancárias para futuros concursos". No entanto, a empresa admite que "a expetativa de sucesso a curto prazo é reduzida".

Os bancos são os principais credores da MSF, que tem também dívidas aos trabalhadores, à Segurança Social e fornecedores. A dívida da empresa à banca é essencialmente a que foi incluída no plano de pagamentos do PER, a que acresce a constituída posteriormente, no valor total de 243,1 milhões de euros.