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Plano 2020/2030 defende criação de habitação social em meios residenciais

Construção de raiz e recuperação do parque habitacional devoluto para fomentar acesso à habitação em vez dos habituais bairros sociais, que geram guetos, diz Costa Silva.

Photo by Sunrise on Unsplash
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Autor: Redação

O plano de recuperação económica elaborado por António Costa Silva, consultor do Governo, apresentado esta semana também toca no tema da habitação social. Destacando que a Covid-19 veio colocar em evidência a urgente necessidade de acabar com as debilidades no acesso à habitação - por ser “um fator de desigualdade social e segregação territorial” -, o documento defende o fim dos bairros sociais e a integração da habitação social em zonas residenciais. 

O documento "Visão Estratégica para o plano de recuperação económica e social de Portugal 2020-2030" destaca assim a importância do “provimento público de habitação, seja por construção de raiz de habitação social, mas não de bairros sociais, seja por recuperação de parte do parque habitacional devoluto e a sua redistribuição”.

Esta proposta, citada pela Lusa, faz parte de um amplo conjunto de iniciativas que António Costa Silva, que foi convidado pelo Governo para elaborar o documento, desenhou para os diversos setores de atividade. Em termos globais, o antigo presidente da Partex estima que a economia portuguesa poderá cair 12% em 2020 e avança com um conjunto de propostas para os diversos setores de atividade.

Num documento de 142 páginas, fica o alerta: não vale a pena ter "ilusões", acrescentando-se que "a crise sanitária causada pela doença Covid-19 traz consigo uma profunda recessão económica que tem características globais e que vai ferir profundamente" a economia.

Costa Silva lembra que as previsões para a economia portuguesa e mundial têm vindo a ser revistas e adianta que Portugal "pode vir a enfrentar uma das piores crises da sua história" e que "a queda do PIB [Produto Interno Bruto] em 2020 pode chegar aos 12%", um valor que é muito superior à recessão prevista pelo Governo no Orçamento Suplementar aprovado recentemente na Assembleia da República e que previa uma queda do PIB de 6,9%, mas que o executivo também já admite rever.

A partir de setembro "a situação de muitas empresas pode deteriorar-se significativamente", considerando ser "fundamental existir no terreno um programa agressivo para evitar o colapso de empresas rentáveis", pode ler-se ainda.