JP Morgan vai investir 750 mil milhões em habitação nos EUA

Espera financiar a construção de um milhão de casas a preços acessíveis e ajudar 500 mil pessoas a comprar casa.
Sede da JP Morgan nos EUA
Sede da JP Morgan nos EUA Unsplash

O JP Morgan, uma das maiores instituições financeiras do mundo, prevê mobilizar mais de 750 mil milhões de dólares (cerca de 650 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual) até 2035 para aumentar a oferta de habitação nos EUA. O objetivo da instituição é financiar um milhão de casas a preços acessíveis e apoiar 500 mil pessoas na compra de casa.

O montante representa um aumento de quase 40% face ao capital que o banco mobilizou para o mercado imobiliário nos dez anos anteriores e coloca o JP Morgan entre os investidores privados com maior volume de capital comprometido com a habitação à escala mundial.

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O anúncio surge no âmbito da American Dream Initiative, o projeto plurianual lançado pela instituição com o objetivo de “alargar as oportunidades a milhões de norte-americanos e às gerações futuras através de investimentos direcionados para as comunidades locais”, sublinha o banco.

Duas linhas de atuação: construção e apoio à compra

O montante, que terá origem tanto em financiamento por dívida como em capitais próprios e subsídios, será canalizado através de duas grandes linhas de atuação.

A primeira prevê a construção de um milhão de habitações a preços acessíveis, destinadas a agregados familiares com rendimentos até 120% do rendimento médio da respetiva área.

A segunda linha pretende ajudar 500 mil pessoas a comprar casa, das quais pelo menos 200 mil serão compradores pela primeira vez. Para isso, o banco estabeleceu como meta aumentar em mais de 40% o volume de crédito hipotecário e prevê contratar 850 novos consultores para trabalhar neste projeto.

Além disso, a instituição anunciou que irá estudar novos produtos de financiamento destinados a casas pré-fabricadas, uma tipologia que tem vindo a ganhar expressão perante a necessidade de reduzir os custos e os prazos de construção. Serão também desenvolvidas ferramentas digitais para simplificar o acesso ao crédito habitação e mantidos programas de apoio à entrada, com o objetivo de reduzir as barreiras à compra de casa.

“Um mercado imobiliário acessível e resiliente é essencial para impulsionar o crescimento económico e aumentar as oportunidades”, afirmou Michelle Herrick, responsável pelo Commercial Real Estate do JP Morgan. “Estamos focados em ajudar mais pessoas a ter acesso a habitações de qualidade que possam pagar e trabalhamos com a comunidade imobiliária, os governos locais e organizações sem fins lucrativos para ampliar as soluções habitacionais em todo o país.”

Aposta na influência política e regulatória

A instituição anunciou também uma estratégia de intervenção ativa nas políticas públicas, com o objetivo de “utilizar informação baseada em dados para identificar lacunas no mercado”. Além disso, pretende apresentar recomendações políticas “baseadas em evidência” para direcionar “os nossos recursos para as áreas onde possam ter maior impacto”.

“Com o objetivo de promover estas políticas e mobilizar as partes interessadas para impulsionar soluções”, a instituição vai integrar o recém-criado Conselho Consultivo de Habitação da Câmara de Comércio dos Estados Unidos.

O anúncio surge num momento em que a escassez de habitação a preços acessíveis constitui um dos principais problemas económicos e sociais dos EUA. As taxas de juro elevadas dos créditos hipotecários, a escassez de terrenos disponíveis para construção e a morosidade dos processos de licenciamento têm travado a construção em vários mercados, fazendo subir tanto os preços das casas como as rendas.

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