Uma fatia da riqueza da família Espírito Santo escapou às mãos da Justiça. O Grupo Espírito Santo (GES), à margem do arresto associado ao processo de insolvência, manteve na sua posse seis propriedades enormes - que somam mais de 130 mil hectares (o equivalente a quase duas ilhas da Madeira) -, avaliadas entre 345 milhões de euros e 884 milhões de euros, localizadas no Paraguai. A consultora Deloitte foi mandatada para proceder à venda no mercado internacional desta carteira de ativos designada “PAYCO”.
Estas propriedades agrícolas, segundo o Jornal Económico que avança com a notícia e conta a sua história, começaram a ser compradas há mais de 40 anos, em 1976, depois do Processo Revolucionário Em Curso (PREC). Os Espírito Santo fugiam da onda de nacionalizações do país, após o 25 de Abril, e tentavam recomeçar a sua atividade empresarial noutro país. Se em Portugal o governo desse momento era liderado pelo comunista Vasco Gonçalves, o Paraguai era então liderado pelo ditador Alfredo Stroessner.
A decisão de investimento na América Latina foi tomada pelo então patriarca do grupo Espírito Santo, Manuel Ricardo, precisamente durante uma “janela de oportunidade” que lhe foi dada para reconstituir a atividade empresarial que o seu grupo familiar acabava de perder em Portugal.
E Robert McNamara — o secretário de Estado da Defesa dos EUA durante o tempo de Kennedy e responsável pelo aumento do envolvimento norte-americano na Guerra do Vietname — ajudou Manuel Ricardo Espírito Santo a criar o império agrícola na América do Sul, tal como relata o semanário.
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