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“Tudo o que torna a casa mais bonita ajuda a valorizar”

Cristina Jorge de Carvalho, CEO do Atelier CJC Architecture and Interior Design, em entrevista ao idealista/news.

Cristina Jorge de Carvalho, CEO do Atelier CJC Architecture and Interior Design / Atelier CJC Architecture and Interior Design
Cristina Jorge de Carvalho, CEO do Atelier CJC Architecture and Interior Design / Atelier CJC Architecture and Interior Design

Imagina o cenário: vives num apartamento em Lisboa que tem a mesma área que o do teu vizinho. Ambos T2, por exemplo. Será que a tua casa pode ser vendida ou arrendada a um preço mais caro por ter um projeto inovador de arquitetura e/ou de design de interiores? “Sim, sem dúvida”, diz ao idealista/news Cristina Jorge de Carvalho, CEO do atelier CJC Architecture and Interior Designlocalizado em Lisboa, que celebra duas décadas de existência este ano. 

Segundo a especialista, "tudo o que torna uma casa mais bonita, que mostra como o espaço pode ser utilizado em equilíbrio, ajuda a valorizar”. “Fazemos projetos que sejam perenes e que mais que técnicas de marketing sejam instrumentos para valorizar a vida dentro de casa”, conta.

Fale-nos um pouco sobre a evolução do negócio do Atelier CJC. Há quanto tempo opera no mercado e o que tem mudado com o passar dos anos? 

Estamos a celebrar 20 anos de atividade. A CJC Architecture & Interior Design começou por ser um atelier de design de interiores, mas com o decorrer dos anos fomos juntando novas áreas de negócio que são complementares. Essa complementaridade de serviços, que vão da arquitetura à criação de mobiliário e decoração, permite-nos responder aos clientes, que são cada vez mais exigentes e conhecedores.

Atelier CJC Architecture and Interior Design
Atelier CJC Architecture and Interior Design

A dedicação que pomos em cada projeto é fundamental. Temos também a preocupação de estarmos sempre atualizados sobre os materiais inovadores, trabalhamos sempre com os melhores fornecedores e artesãos. A linha estética que temos tem-se mostrado intemporal, resistente às tendências, compatível com o gosto dos nossos clientes mais exigentes. 

O Atelier CJC, além de se afirmar como uma referência na decoração do design de interiores, desenvolve e implementa projetos inoivadores de arquitetura, certo?

Olhamos para a arquitetura como uma disciplina que deve incluir o edificado na paisagem e, por isso, preferimos que os projetos sejam contagiados pela sua envolvente. Um apartamento no centro de Lisboa não pode ser visto da mesma forma que uma moradia no Alentejo, nem como um hotel no Douro. Quando criamos com o pressuposto de que cada projeto é único, os edifícios são sempre inigualáveis. 

Criámos, por exemplo, uma casa de férias na Comporta que é a nossa leitura de uma casa típica das aldeias piscatórias trazida para a atualidade. Usámos materiais naturais, autóctones, muitos deles à vista, mas aumentámos as áreas, a luz natural e as zonas de lazer.

"A exigência é cada vez mais elevada, até pela entrada de clientes internacionais no mercado português"

Na moradia no Alentejo, o princípio arquitetónico da integração na paisagem é exatamente o mesmo e o resultado é distinto: temos toda a área de construção sobreposta por um terraço utilizado para o lazer e um pátio semi-interior, proporções semelhantes às que se encontram em Grândola e, no entanto, temos um projeto absolutamente contemporâneo.

São, desta forma, dois modelos de negócio distintos mas que se “tocam”: projetos de arquitetura e de design de interiores? 

Temos vários tipos de clientes e por isso várias unidades complementares. Com os privados temos uma relação de muita proximidade, que se prolonga para lá da entrega de um projeto. Com os clientes empresariais, como os hotéis e promotores imobiliários, temos uma metodologia específica para permitir aos clientes avaliar o custo/benefício. Para a arquitetura utilizamos um tipo de conhecimentos, para os interiores outro, mas no fundo, são todas áreas que se influenciam reciprocamente, que se complementam.

O que distingue o Atelier CJC da concorrência? 

O que faz este atelier são as pessoas que aqui trabalham. Temos na equipa as melhores arquitetas, designers de interiores e temos uma fortíssima equipa de gestão. Eu própria, antes de decidir fazer a formação em Londres, na Inchbald School of Design, tinha uma carreira na área da Gestão, fui professora no ISCTE e no ISCEM. Por isso, os nossos projetos têm sempre também uma gestão do ‘budget’ do cliente muito cuidada. Nos nossos projetos colocamos sempre alguma componente de “consultoria”, uma vez que a minha formação em gestão me permite ter uma visão mais global de um projeto.

No seu portfólio constam vários projetos de espaços exclusivos e originais, casas particulares, hotéis, apartamentos modelo, escritórios e spas. É um público muito abrangente. É fácil lidar com a exigência dos clientes? 

Temos uma capacidade instalada para acompanhar 15 projetos em simultâneo. A exigência é cada vez mais elevada, até pela entrada de clientes internacionais no mercado português. Mas a exigência é um estímulo, e nós somos muito exigentes também. Quando se faz o que se gosta, é sempre fácil. Trabalhoso, claro, mas apaixonante.

Estão em causa projetos chave-na-mão e peças específicas? Fale-nos um pouco sobre os mesmos. 

Trabalhamos sobretudo com clientes que querem projetos de arquitetura e de interiores completos. São exigentes, não têm tempo a perder. Procuram-nos também por saberem que cumprimos, que resolvemos as suas questões, respondemos às suas exigências com profissionalismo. A CJC Architecture and Interior Design não estaria a comemorar 20 anos de existência, com um lote grande projetos entre mãos, se não tivesse essa capacidade de entregar projetos de grande qualidade. 

De que forma é que a arquitetura e o design de interiores valorizam financeiramente os imóveis?

Dou o exemplo de Lisboa: uma cidade com uma história longa e com a coexistência de vários séculos de construção. Não é provável que as novas construções resolvam todos os problemas de habitação e ninguém estaria de acordo com a destruição dos prédios da Baixa do século XVIII ou da Alfama medieval para construir habitação conforme as necessidades das famílias. A solução é reformular as construções existentes, com soluções técnicas que permitem ter os edifícios renovados por fora e com usos novos por dentro. 

"Salas amplas, frações com grandes áreas, planos abertos, distribuição de águas, elevadores e garagens são necessidades atuais que valorizam os imóveis e que a arquitetura e o design de interiores podem resolver tendo como moldura os edifícios pré-existentes. O preço do m2 aumenta quando estas estruturas estão garantidas pelo projeto de interiores"

Salas amplas, frações com grandes áreas, planos abertos, distribuição de águas, elevadores e garagens são necessidades atuais que valorizam os imóveis e que a arquitetura e o design de interiores podem resolver tendo como moldura os edifícios pré-existentes. O preço do metro quadrado (m2) aumenta, seja qual for o segmento, quando estas estruturas estão garantidas pelo projeto de interiores.

A decoração, nomeadamente o design de interiores, pode ser uma técnica de marketing imobiliário e ajudar a potenciar o valor de uma casa?

Tudo o que torna uma casa mais bonita, que mostra como o espaço pode ser utilizado em equilíbrio, ajuda a valorizar. Nós fazemos projetos que sejam perenes e que mais que técnicas de marketing sejam instrumentos para valorizar a vida dentro de casa.

Atelier CJC Architecture and Interior Design
Atelier CJC Architecture and Interior Design

O que é que os clientes procuram? Aquilo que “veem nas revistas”?

As revistas de arquitetura e decoração são um excelente veículo de divulgação do nosso trabalho. É pena que em Portugal não existam mais revistas dedicadas à decoração e ao design de interiores para os segmentos mais altos, onde possamos mostrar mais vezes o nosso trabalho. 

A verdade é que já tive contactos com clientes que se iniciaram porque viram um projeto meu numa AD Espanha, CasaVogue Brasil ou Austrália, na GQ ou na Elle Decoration Portugal. Os meus clientes, normalmente, são pessoas que querem projetos personalizados, únicos, originais e que apreciam a nossa linha de trabalho, a linha estética dos nossos projetos. 

Em que pontos/locais da casa é fundamental ter projetos inovadores de arquiteura e de design de interiores e /ou investir em detalhes de luxo? 

Em todos. Mas sem dúvida que as cozinhas, casas de banho e quartos de vestir são os que mais diferenciam e valorizam uma casa. 

"É pena que em Portugal não existam mais revistas dedicadas à decoração e ao design de interiores para os segmentos mais altos, onde possamos mostrar mais vezes o nosso trabalho"

Considera que nos últimos anos o acesso ao design de interiores se massificou e que de certa forma se tornou mais acessível?

O design nasceu como uma disciplina para a massificação dos produtos. Depois o conceito alargou-se e passou a significar uma metodologia de trabalho que pretende resolver problemas com a maior eficácia possível. No caso dos interiores haverá, talvez, dois níveis de “problemas”. Num primeiro nível, o problema é ocupar o espaço, mobilá-lo. Esse problema fica resolvido com a entrada em Portugal de marcas de design de mobiliário industrial e, portanto, acessível. O segundo nível de “problemas” nessa escala é aquele que nos interessa resolver. A função do design de interiores da CJC é desenvolver projetos únicos, que vão de encontro às necessidades dos clientes, que excedam as expectativas dos clientes, valorizando ao máximo a vivência nos interiores através de um projeto único onde a massificação não tem lugar.