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Com a fotografia muda-se o mundo: este artista português cria cenários surreais e incríveis

Converte simples cenários em lugares fantásticos através do poder da perspetiva. Hugo Suíssas fala sobre este projeto em entrevista ao idealista/news.

Créditos: Hugo Suíssas
Créditos: Hugo Suíssas
Autor: Leonor Santos

Da Torre de Belém, em Lisboa, às ruínas Chichén Itzá em Cancún, no México. Desde simples edifícios a monumentos, objetos ou simplesmente paisagens, o artista português Hugo Suíssas faz do mundo a sua arte, criando imagens incríveis, mágicas e até surreais. As fotografias que tira tornaram-se virais e mostram que, tal como na vida, tudo é uma questão de perspetiva. Converte simples cenários em lugares fantásticos e inusitados, criando paralelismos entre as formas do quotidiano e os espaços/ambientes. Reconhecido "cá dentro e lá fora”, este Diretor de Arte natural de Lisboa, a viver e trabalhar na Alemanha numa agência de publicidade, tem uma “extrema sede de criar coisas que nunca antes foram feitas” e conta em entrevista ao idealista/news que, como artista, o que mais o inspira é “saber que uma imagem tem o poder de impactar e resolver problemas profundos a nível global”.

E foi com esta premissa que criou durante a pandemia a série “Vaccine Towers”, em plena campanha mundial de vacinação contra a Covid-19, para consciencializar as pessoas “de que só voltaremos a erguer-nos de novo se todos formos vacinados”. Como? Mostra a semelhança entre os topos de edifícios ou torres mais famosas do mundo (como a Torre Eiffel em Paris e o Campo Pequeno em Lisboa) e as seringas utilizadas para administrar as vacinas. Como artista, sente que tem a obrigação de contribuir para o nosso mundo, “ainda por cima quando ele está a precisar mais do que nunca”. Neste momento está a dedicar-se a 100% a este projeto, com o objetivo de fazer “chegar a mensagem visual a todo o mundo”.

Conta, aliás, que a pandemia foi o desafio “mais difícil e empolgante” que já recebeu até hoje. “Tornou-me melhor e fez-me perceber o quão poderosa é a criatividade”, diz. “A minha cabeça não sabe o que significa a palavra “parar” e como o mundo nunca pára, diria que esta é uma conjugação que funciona e encaixa bem. Sou uma pessoa simples, que gosta de simplicidade, de ideias simples e de simplificar a vida”, frisa.

Mas, afinal, como é que tudo começou? Como é que surgiu esta ideia de criar um Instagram repleto de fotos que nos obrigam a olhar o mundo de maneira diferente? O que é que move este artista? E por que é a fotografia tem o poder de mudar o mundo? Hugo Suíssas responde a estas e outras questões nesta entrevista escrita ao idealista/news.

Créditos: Hugo Suíssas
Créditos: Hugo Suíssas

Podes contar-nos um pouco sobre a tua história? Como e quando surgiu a paixão pela fotografia?

O meu nome é Hugo Suíssas, mais conhecido por Suíssas, tenho 31 anos e sou de Lisboa. Vivo e trabalho atualmente na Alemanha. Sou formado no IADE e trabalho como Diretor de Arte numa agência de publicidade. Sempre estive ligado às artes desde muito novo e sempre soube que era por aí que queria caminhar, mas quando descobri a fotografia, tudo mudou, e de que maneira. Comecei a fotografar há mais ou menos oito anos (2013) e a ideia de abrir um perfil no Instagram surgiu porque na altura um amigo meu já fotografava e a comunidade do Instagram em Portugal estava a começar a crescer, e essas duas coisas juntas suscitaram curiosidade em mim para entrar nesse maravilhoso mundo da fotografia.

O teu trabalho faz sucesso “cá dentro” e “lá fora”. Como e quando é que surgiu a ideia de criar este projeto (que podemos acompanhar no instagram)? E como chegou este reconhecimento?

A ideia de criar o meu perfil de Instagram não foi planeada. Simplesmente aconteceu. Tinha que ser. Tudo foi surgindo ao longo do tempo com muitas tentativas, muitos erros, muitas dúvidas e muito trabalho. O reconhecimento do meu trabalho nunca foi objetivo. “Reconhecimento” é uma palavra com que nunca me preocupei nem nunca esteve presente na minha cabeça ao longo destes anos. O reconhecimento e o trabalho árduo são muito amigos e como eu trabalho muito diariamente isso acabou por acontecer naturalmente.

Créditos: Hugo Suíssas
Créditos: Hugo Suíssas

Quais foram as principais motivações?

O que me motiva todos os dias para continuar a fotografar são as biliões de ideias que ainda estão por se criar. Elas andam aí escondidas à espera da primeira pessoa que a apanhe. Mas a maior motivação de todas é o facto de ter uma extrema sede de criar coisas que nunca antes foram feitas antes neste planeta ou noutro qualquer da galáxia, é isso que me move.

O que me motiva todos os dias para continuar a fotografar são as biliões de ideias que ainda estão por se criar

As tuas fotografias são quase mágicas e ao mesmo tempo surrealistas. É tudo uma questão de perspetiva?

Eu quando era miúdo fazia truques de magia e cheguei a dar alguns espetáculos e é curioso porque a perspetiva é muito semelhante a um truque de magia, porque tudo aquilo é uma ilusão meramente com o objetivo de impactar/impressionar alguém. E talvez essa infância “mágica” que eu tive me tenha inspirado a fazer o que eu faço hoje. É tudo uma questão de perspetiva e de uma poderosa ideia por detrás. Mas claro que a técnica perspetiva mais conhecida por “trompe l'oeil” vinda da antiguidade, não deixa de ser apenas um recurso para materializar as minhas ideias, até porque esta técnica nem sempre está presente no que eu faço.

É tudo uma questão de perspetiva e de uma poderosa ideia por detrás

Existe quase sempre uma interação entre a “pessoa” e os objetos e/ou arquitetura dos espaços para criar ilusão ótica. Como se desenvolve o processo de criação?

A minha cabeça não sabe o que significa a palavra “parar” e como o mundo nunca pára, diria que esta é uma conjugação que funciona e encaixa bem. Sou uma pessoa simples, que gosta de simplicidade, de ideias simples e de simplificar a vida. E o processo de criação que uso é exatamente o mesmo, simplicidade em tudo e poucas palavras. Sou extremamente obsessivo e com muitas paranóias, trabalho muito e não espero que as coisas aconteçam sozinhas. Eu todos os dias sento-me à mesa com um papel branco e uma caneta e exercito a cabeça para tentar chegar a ideias e projetos relevantes. Mas no fim do dia não existe um processo de criação específico, existe apenas um trabalho e um critério duro comigo mesmo.

Créditos: Hugo Suíssas
Créditos: Hugo Suíssas

Cada fotografia conta uma história de uma forma divertida. É também uma forma de contrariar o mundo sério (e às vezes aborrecido) em que vivemos?

O intuito de cada fotografia que crio tem primeiramente o objetivo de me satisfazer, desafiar-me a mim mesmo e alegrar-me. Se por consequência conseguir alegrar outra pessoa que esteja do outro lado do mundo, perfeito.

O que é que te inspira como artista?

O que me inspira como artista é saber que uma imagem tem o poder de impactar e resolver problemas profundos a nível global.

Como foi viver o processo criativo na pandemia?

A pandemia foi o momento mais produtivo que vivi até hoje. Transformei-me. Estive em processo de criação 24 horas por dia. Dormir? O que é isso? A pandemia foi o desafio mais difícil e empolgante que já recebi até hoje. Tornou-me melhor e fez-me perceber o quão poderosa é a criatividade. Foi na pandemia que criei o projeto “Vaccine Towers” que se tornou e ainda é viral.

A pandemia foi o desafio mais difícil e empolgante que já recebi até hoje. Tornou-me melhor e fez-me perceber o quão poderosa é a criatividade

As viagens são (também) uma fonte de inspiração? Como foi viver o processo?

Sim, viajar é fulcral para a criação do meu conteúdo. Durante a pandemia continuei a viajar… dentro da minha cabeça. Foi uma aventura inesquecível e low cost.

Como surgiu a ideia de criares a série Vaccine Towers? Foi destacada em vários países... Que feedback tiveste?

O projeto Vaccine Towers surgiu porque como artista sinto que tenho a obrigação de contribuir para o nosso mundo. Ainda por cima quando ele está a precisar mais do que nunca. Além de se tornar viral, já foi destacado em vários países e espero continuar por muitos mais. E este projeto é uma campanha mundial de consciencialização sobre a vacinação contra o coronavírus, com a esperança de que possamos livrar-nos deste vírus o mais rápido possível. Estamos a atingir o pico da campanha de vacinação contra o vírus Covid-19.

De Nova Iorque a Berlim, este projeto lembra as pessoas que só podemos erguer-nos de novo, se todos formos vacinados. Para já estou a gerir este projeto “Vaccine Towers” e a dedicar-me a 100% com o objetivo de fazer chegar a mensagem visual a todo o mundo. O feedback até agora tem sido incrível e não podia estar mais feliz.

No instagram percebemos que já fizeste trabalhos para várias marcas reconhecidas. BMW, Heineken, Continente, Super Bock, etc.. O que é que as marcas procuram?

As marcas procuram exatamente o que eu procuro - grandes ideias. Ideias simples e impactantes que possam mudar a maneira como as pessoas pensam e agem. E é gratificante saber que as marcas já confiam no meu trabalho e sabem com o que podem contar, mas essa parte vou deixar que as marcas respondam por mim (ahah).

Créditos: Hugo Suíssas
Créditos: Hugo Suíssas

De entre tudo o que já fotografaste... há alguma imagem favorita? Se sim, porquê?

De tudo o que já fotografei não há nada favorito. Eu não gosto de favoritismos porque isso desfoca do que está ainda por ser criado. Ter uma imagem favorita traz-me conforto e isso desconforta-me. Quando andar de bengala, talvez escolha uma imagem que goste mais.

Qual a foto que não poderás deixar de fazer na vida?

Adorava saber a resposta a essa pergunta. Mas essa resposta só o destino a dirá.

Como promoves o teu trabalho?

Tudo o que crio é promovido e partilhado através do meu perfil de instagram @suissas e deixo naturalmente que as fotografias me promovam por esse mundo fora.

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