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Portugal no mapa dos destinos LGBTI+: “Apetite de viagem está em alta”

Criar mais oportunidades de investimento LGBTI+ é o foco, tal como explica João Passos, presidente da Variações, em entrevista ao idealista/news.

Portugal é um destino de referência LGBTI+
Photo by Stavrialena Gontzou on Unsplash
Autor: Leonor Santos

Apesar da pandemia, o turismo LGBTI+ continua a animar a economia portuguesa e a estimular os negócios da comunidade. Neste segmento, aliás, o “apetite de viagem está em alta”, segundo conta João Passos, presidente da Variações – Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal, em entrevista ao idealista/news. O objetivo continua a ser tornar Portugal num destino de referência LGBTI+, mas não só. O futuro passa também por atrair pessoas que queiram mudar-se e viver/trabalhar no país, criando uma ‘guideline’ de apoio ao investimento direto estrangeiro neste segmento.

João Passos explica, por exemplo, que já em 2020, aquando da reabertura no verão após o primeiro confinamento, detetaram “que os negócios e hotéis destinados para o público LGBTI+ foram os que mais beneficiaram, apresentando uma taxa de ocupação a rondar os 90%, com preços médios acima da média do setor”.

João Passos, presidente da Variações
João Passos, presidente da Variações

Com isso em mente, diz, e para continuar a potenciar a atração da comunidade LGBTI+ para o país no pós-pandemia, estão neste momento em negociações com o Turismo de Portugal para voltarem a ter o seu apoio para um segundo ano da campanha ‘Proudly Portugal’, uma iniciativa da Variações que foi lançada no ano passado.

Promover Portugal internacionalmente como destino para a comunidade LGBTI+ continua a fazer parte da estratégia, mas a ideia é “alargar o âmbito da mesma para além do viajante” e focarem-se, também, naqueles que veem o país como um bom local para investir.

Campanha ‘Proudly Portugal’ revelou-se um sucesso

A campanha ‘Proudly Portugal’ foi lançada em 2020 com o apoio do Turismo de Portugal, e revelou-se um sucesso, segundo o presidente da Variações. “A campanha confirmou as nossas suspeitas sobre o potencial de Portugal se tornar num destino LGBTI+ de referência. Tal como é do conhecimento público, a estratégia de turismo para a década prevê “Promover Portugal como destino LGBTI+” como um dos pontos estratégicos. Neste sentido, a campanha conseguiu pôr Portugal no mapa dos destinos LGBTI+ com a presença nacional nos mais diversos eventos e presença em feiras para a ativação da marca Portugal para este segmento”, refere.

Pela primeira vez, diz, “criaram-se as bases para organizar o setor e uma plataforma online, que permite agregar a oferta nacional para o segmento e divulgá-la nacional e internacionalmente. A campanha tenta representar a diversidade do segmento, com várias personagens e mini vídeos que demonstram a variedade de pessoas, paisagens e oferta que existe em Portugal”.

Campanha ‘Proudly Portugal’
Photo by Tatiana Rodriguez on Unsplash

De acordo com o responsável, a campanha permitiu colocar Portugal na corrida para organizar um evento LGBTI+ internacional no futuro, “tal como demonstrado na candidatura ao EuroPride 2022, onde a proposta portuguesa ficou à frente de cidades como Barcelona ou Dublin, até à presença com um palco próprio com artistas e músicas portuguesas no maior evento Pride da Europa, em Madrid”.

O balanço do primeiro ano da campanha é, por isso, “extremamente positivo”, ainda que haja muito por fazer. “As bases estão lançadas para conseguir chamar a atenção para este segmento e tornar Portugal apelativo para os viajantes e investidores LGBTI+”, sublinha.

Uma nova candidatura ao EuroPride ou até aos EuroGames está em cima da mesa, assim como reforçar a oferta de eventos LGBTI+ nacionais. Encontram-se, de resto, em “negociações com algumas autarquias locais que demonstraram interesse em realizar eventos/festivais Pride LGBTI+, que permitam desenvolver os negócios locais bem como consciencializar a população para os valores de igualdade e promover os direitos humanos”.

Pandemia afeta alguns negócios históricos

Desde a sua criação e lançamento em 2018, a Variações “cresceu consistentemente todos os anos e hoje conta com mais de 65 profissionais/negócios enquanto associados, espalhados por todo o território nacional”, sublinha João Passos. “Isto não só demonstra a relevância deste segmento para os negócios mas também o trabalho em prol da promoção do segmento que temos feito internacionalmente”, acrescenta.

Apesar disso, sabem que vários dos associados foram “altamente afetados” por esta pandemia e que alguns ainda se encontram encerrados devido às restrições sanitárias da mesma. “Vale a pena relembrar que representamos negócios LGBTI+ com mais de 45 anos de existência, que foram a base de emancipação comunitária histórica da população LGBTI+ em Portugal. Todos estes factos fazem-nos estar preocupados com a possibilidade de não reabertura de alguns dos espaços históricos LGBTI+, o que representaria uma desvalorização económica e histórica do segmento”, diz.

Espaços históricos LGBTI+ em Portugal afetados pela pandemia
Photo by Eduardo Pastor on Unsplash

No entanto, mantêm a convicção de que Portugal “está cada vez mais dotado para receber investimento de pessoas LGBTI+ que escolhem o nosso país para viver e/ou investir, estando por isso a surgir cada vez mais negócios LGBTI+ friendly por todo o território nacional”. “Atendendo a que tal está a acontecer num período de incerteza pandémica, acreditamos que num futuro próximo tais investimentos se irão intensificar e expandir”, indica o responsável.

“Aliado a estes fatores, a maior aceitação e compreensão geral do público para este segmento, faz com que negócios não exclusivos LGBTI+ queiram cada vez mais afirmar-se como friendly e por isso afirmam a igualdade e diversidade como 'core value' das suas organizações e negócios”, remata o presidente da Variações.