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A Evergrande pode mudar a economia chinesa?

A crise na gigante imobiliária expôs as fragilidades da economia da China. Especialistas admitem abrandamento económico.

Autor: Redação

A crise na gigante imobiliária chinesa Evergrande agitou os mercados globais, mas também expôs a fragilidades do modelo de crescimento económico da China, fortemente dependente do setor imobiliário.

O mercado imobiliário representa 29% do PIB chinês. Trata-se do principal motor da economia chinesa e representa, paralelamente, um peso desporporcional na atividade económica do país, tal como escreve o Jornal de Negócios. Este crescimento refletiu-se nos preços das casas, que nos últimos 15 anos dispararam mais de 10% nas grandes cidades.

Para Kenneth Rogoff e Yuanchen Yang, da Universidade de Harvard, citados pela mesma publicação, existe mesmo uma bolha no setor imobiliário chinês, concluíndo que os preços do imobiliário nas principais cidades da China (como Pequim ou Xangai) aumentaram mais de 600% desde 2002.

E poderá mesmo ser difícil evitar um abrandamento da economia chinesa.  “É expectável que o peso do imobiliário e da construção como um motor de crescimento económico diminuam, dados os impactos negativos no curto prazo”, refere a analista do BPN Paribas para a China, Christine Peltier, ao Negócios.

De acordo com a especialista, se o governo chinês quer um “mercado imobiliário mais saudável, não pode deixá-lo corrigir demasiado dada a contribuição expressiva para o crescimento do PIB e dado que 70% da riqueza nos agregados familiares urbanos está no setor”.

Jornal de Negócios
Jornal de Negócios

Evergrande suspende comércio na bolsa de Hong Kong

Entretanto ficou a saber-se que o gigante imobiliário da China suspendeu hoje, dia 4 de outubro, o comércio na bolsa de Hong Kong, sem explicar quais os motivos desta decisão.

O preço das ações da Evergrande caiu cerca de 80% desde o início do ano. Estrangulado por uma dívida de 260 mil milhões de euros, o grupo privado tem vindo a lutar há várias semanas para cumprir os pagamentos.

"A negociação das ações do Grupo Evergrande na China será interrompida", disse a empresa à bolsa de valores. "Como resultado, o comércio de todos os produtos estruturados relacionados com a empresa será interrompido ao mesmo tempo".

O colosso chinês permanece à beira do colapso e a sua potencial falência pode abalar o setor imobiliário chinês e mesmo a economia nacional e global.

* Com Lusa