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Yupido: a empresa portuguesa dos 29 mil milhões está a ser investigada pelas autoridades

Imagem retirada do site da Yupido
Imagem retirada do site da Yupido
Autor: Redação

A Yupido tornou-se famosa nas redes sociais depois de ter sido avaliada como a empresa de maior capital social em território português. São 29 mil milhões de euros e muitas perguntas sem resposta (ainda). Mas a misteriosa multimilionária, sem registo de vendas ou funcionários, já está a ser investigada por quatro entidades - Ministério Público, CMVM, Ordem dos Revisores Oficiais de Contas e Polícia Judiciária. 

Quem é, afinal, a Yupido?

Estamos a falar de duas vezes o valor de mercado da Galp, ou nove vezes o valor do BCP. Foi assim que a Yupido se tornou notícia, depois de ter sido avaliada pelo revisor oficial de contas António Alves da Silva, como empresa de capital social equivalente a 15% do PIB português - ou seja, que vale 15% da riqueza nacional - mas que não tem registos de empregados, que não tem vendas e que ainda soma prejuízos. 

A história da Yupido, conta o Observador, foi descoberta por um professor da Universidade do Minho que desconhecia a empresa, mas que detetou uma "anomalia estatística" durante uma investigação , enquanto traballhava na base de dados Amadeus, que reúne informações de cerca de 20 milhões de empresas europeias. A Yupido saltou logo à vista e suscitou-lhe curiosidade. Estava perante uma empresa com "243 milhões de euros parados no banco" e que prometia lançar uma grande variedade de serviços digitais, a partir de 2018. 

"Às vezes, aparecem valores anómalos nesta pesquisa e tento perceber se é um erro da base de dados ou não”, disse em declarações ao Observador, esclarecendo que não fez nada de estranho para chegar a esta informação, mas que, na verdade, 243 milhões como capital inicial levantam muitas dúvidas e que "não é habitual".

A Yupido, com sede nas Torres de Lisboa, mas com escritórios em Telheiras, tem como fundadores Cláudia Pereira Alves, Torcato Jorge da Silva e Filipe Besugo, todos jovens, mas de quem pouco se sabe. 

"Uma plataforma digital inovadora"

O aumento de capital, que suscitou muitas dúvidas, foi feito através de ativos "intagíveis", tendo por base uma “plataforma digital inovadora de armazenamento, proteção, distribuição e divulgação de todo o tipo de conteúdo media”, certificada pelo revisor oficial de contas (ROC) António José Alves da Silva, como avançou o jornal ECO, depois de ter acesso a um conjunto de documentos relativos à empresa. Segundo o revisor, a misteriosa tecnologia  - uma televisão - prometia ser "revolucionária", em face dos "algoritmos que a constituem". Alves da Silva, ao Observador, disse estar "completamente confortável com o valor que deu à televisão" há três anos, altura em que a empresa foi fundada.

E esta avaliação, que deu origem ao aumento de capital, está agora a ser alvo de averiguações por parte da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), mas também pela Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, Ministério Público e Polícia Judiciária.

O porta-voz da Yupido, Francisco Mendes, com quem o jornal Eco conseguiu chegar à fala, garantiu que a Yupido não se trata de uma empresa fantasma, estando disponível, por isso, para falar com a Polícia Judiciária, já que tudo foi feito dentro da regularidade, sem cometer nenhum crime, garante.