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Residentes Não Habituais investiram já perto de 11 mil milhões de euros em Portugal

Gtres
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Autor: Redação

Os franceses são de longe os maiores investidores estrangeiros em Portugal, tendo já recebido 6.448 estatutos ao abrigo do Regime Fiscal para Residentes Não Habituais (RNH). Segue-se a Grã-Bretanha (2718), Itália (2513), Suécia (2042) e Brasil (2005), num total de 23.767 cidadãos provenientes de 146 países, num investimento direto entre os 9 e os 11 mil milhões de euros, desde que foi criado em 2009. Mas APEMIP avisa que notícias sobre alterações ao programa estão a gerar impasse junto dos investidores e esta dinâmica de forte aposta no imobiliário nacional pode ficar comprometida.

"A credibilidade do imobiliário e o seu potencial de valorização, aliados às características naturais como o clima, gastronomia, segurança e qualidade de vida, são os principais fatores que levam os estrangeiros a procurar o nosso país para viver”, considera o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), ao analisar estes números.

Luís Lima aproveita assim para destacar, em nota de imprensa, que o RNH e o Programa de Autorização de Residência para Atividades de Investimento (ARI), foram os principais responsáveis pela recuperação do setor imobiliário e pela dinamização da economia nacional.

“Este programa dinamizou o investimento estrangeiro em Portugal, ajudou a reabilitar os centros das cidades, criou emprego e gerou riqueza, aumentando também a receita para os Estado, não só por via de impostos diretos, como IMI ou IMT, mas também por via de impostos indiretos. Apesar de haver cada vez mais estrangeiros a procurar Portugal sem recorrer a qualquer programa de captação de investimento, não há dúvida de que a sua manutenção é essencial para continuar a gerar riqueza” diz Luís Lima.

Investidores já pensam duas vezes antes de investir em Portugal

A APEMIP salienta que Portugal não é o único país europeu com um regime fiscal desta natureza, mas recorda que tem sido um dos que mais discussão tem levantado.

“Em Portugal somos peritos em destruir aquilo que temos de bom, e utilizamos bodes expiatórios para encobrir o que de mal tem sido feito. Os investidores estrangeiros têm estado na mira do debate sobre a ausência habitacional em Lisboa e Porto, e o populismo que essa informação gera faz com que se esqueça que foram estes mesmos investidores que recuperaram e dinamizaram as principais cidades do país, que antes estavam votadas ao abandono. Hoje toda a gente quer viver nos centros das cidades, mas há cinco/seis anos estavam vazias ninguém queria lá morar”, diz o representante das imobiliárias que se diz preocupado com o rumo que a perceção dos investidores sobre o setor imobiliário português está a levar.

De acordo com a informação que tem sido veiculada por empresas associadas da APEMIP, o mercado já sente as consequências das notícias sobre eventuais alterações a este regime ou ao potencial aumento da carga fiscal sobre o setor imobiliário. “As notícias correm o mundo, e quem pensa em investir pondera muito bem a sua decisão. Ninguém quer correr o risco de apostar num mercado onde há uma constante ameaça de se mudar as regras a meio do jogo” avisa.