Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

REIT e carteiras de malparado da banca prometem animar imobiliário este ano

Quarteirão do BPI na Baixa de Lisboa vendido por 66 milhões / JLL
Quarteirão do BPI na Baixa de Lisboa vendido por 66 milhões / JLL
Autor: Redação

Boas notícias para o setor do imobiliário em 2019. Os valores recordes de 2018 poderão não voltar a repetir-se, mas antecipa-se já um forte dinamismo, alimentando pela venda de portólios de ativos imobiliários e de crédito malparado por parte da banca, a par do lançamento dos anunciados REIT (sigla inglesa para sociedades de investimento) - que o Governo de António Costa prometeu para Portugal.

“O cenário de crescimento transversal deverá manter-se em 2019, com a atividade transacional e ocupacional a manter-se muito robusta e com os valores de venda e rendas a manterem uma tendência de subida, embora suavizada à medida que a nova oferta vá surgindo", estima o diretor geral da JLL, Pedro Lancastre.

No investimento, segundo espera o especialista, "poderemos ter um ano novamente forte, porque além dos 'players' já ativos no mercado, há a possibilidade de se criar um novo veículo – os tão noticiados REIT – para o investimento, que poderá captar um volume de capitais muito interessante para o setor".

Além disso, os portfólios de ativos imobiliários e de crédito malparado detidos pela banca podem também animar bastante o mercado em 2019, tal como a maior atenção dos investidores nos ativos alternativos nas áreas da saúde, desporto e residências especializadas. "Bons fundamentais, portanto, mas aos quais é preciso adicionar um garante de estabilidade fiscal e legal. Nada tem maior capacidade de afastar investimento do que a incerteza”, frisa.

Banca reforça venda de REO e NPL

Por outro lado, a JLL recorda que o sistema financeiro português colocou à venda grandes carteiras de ativos próprios (real estate owned assets – REO) e de crédito malparado (non performing loans – NPL). Neste caso, o volume total de investimento associado superou os 5 mil milhões, num crescimento superior a 80% face a 2017.

Do lado da oferta, o Novo Banco liderou a colocação deste tipo de carteiras no mercado em termos de volume, seguido da Caixa Geral de Depósitos e do Millennium BCP. Do lado da procura, investidores como a Cerberus, Bain Capital, KKR, Anchorage e Deustche Bank estiveram muito ativos, e a JLL dá nota de que assessorou muitas destas entidades no 'underwritting' das principais carteiras disponibilizadas no mercado este ano, tais como o Project Nata (1,7 mil milhões de euros), Project Viriato (900 milhões) e Project Tagus (800 milhões). 

Pedro Lancastre, diretor da JLL Portugal  / JLL
Pedro Lancastre, diretor da JLL Portugal / JLL

Segundo as palavras de Pedro Lancastre, o volume total de investimento em transações do ano que passou "deverá repetir-se em 2019", com os mesmos bancos a "ser protagonistas deste tipo de operações". 

Sobre o futuro e as novas megaoperações, o responsável deixa “novidades" no ar, que deverão concretizar-se para breve. "Existem de facto algumas transações de fim de ano, que acabaram por resvalar e que deverão acontecer no princípio do ano”, adianta, sem revelar pormenores. 

"Este bom momento que veio para ficar"

O bom momento do setor "veio para ficar", nas palavras do diretor da JLL. O responsável acredita que "estamos a viver o melhor momento do nosso imobiliário", explicando que a consultora "olha para o futuro com algum positivismo",  até porque "sente que ainda há mesmo muito para fazer”.

Para Pedro Lancastre ainda há muito capital para ser investido em Portugal. "Capital não falta, é uma questão de oferta neste momento", remata.