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Corum entra em Portugal para investir em ativos imobiliários nacionais e comercializar fundos

Gestora francesa acaba de inaugurar escritório em Lisboa. Oferece produtos alternativos ao investimento imobiliário direto.

Edifício onde funciona Pingo Doce no Grijó é um dos 9 imóveis comerciais em que a Corum já investiu em Portugal. / Gaia Semanário
Edifício onde funciona Pingo Doce no Grijó é um dos 9 imóveis comerciais em que a Corum já investiu em Portugal. / Gaia Semanário
Autor: Redação

Com sucursal aberta em Portugal e escritórios inaugurados esta semana em Lisboa, a Corum Investments está a apostar no mercado nacional numa dupla vertente. Por um lado, está a investir em ativos imobiliários locais - por exemplo, comprou recentemente um edifício onde funciona um Pingo Doce, em Gaia - e, por outro, está a começar a comercializar os seus fundos imobiliários aos clientes domésticos. O país tem atualmente um peso de 3% nas carteiras de cada um dos fundos da Corum.

Em concreto, a sociedade francesa - responsável pela gestão de cerca de 3.000 milhões de euros a nível internacional - em Portugal oferece o Corum Origin e o Corum XL, dois fundos que investem em imobiliário comercial e visam entregar uma rentabilidade elevada aos seus subscritores. Com uma distribuição de rendimento mensal, estes produtos são uma alternativa diversificada ao investimento imobiliário direto.

O Corum Origin, um fundo que investe exclusivamente na Zona Euro, entregou uma rentabilidade de 7,28% em 2018, apresentando uma taxa interna de rentabilidade a cinco anos de 5,57%. Tem um preço de subscrição de 1.090 euros por ação.

Já o Corum XL, lançado apenas em 2017, investe dentro e fora da Zona Euro e pretende entregar uma rentabilidade de 10% num horizonte temporal de 10 anos, aliando a rentabilidade dos imóveis ao evento cambial, uma vez que o fundo investe em outras divisas. O preço de subscrição de uma ação é de 189 euros.

Estes dois fundos começaram por poder subscritos apenas nos balcões do EuroBic, mas após a autorização da Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM) passam também a estar disponíveis nas plataformas online da Corum e no escritório na Avenida da Liberdade.

Como funcionam estes fundos imobiliários

"A estratégia do fundo é muito simples: compram-se imóveis, arrendam-se e distribui-se rendimento mensalmente", explicou José Gavino, responsável para o mercado português, esclarecendo que a empresa trabalha apenas com arrendamento comercial e com contratos de longa duração, numa lógica de poupança - considerados Sociedades Civis de Investimento Imobiliário (SCPI), “muito comum entre os franceses” - com rendimento mensal, cujo reembolso funciona por entrada de novos investidores.

A comissão cobrada é única, de 12%, retirada no resgate, de maneira a garantir a estabilidade da carteira, desencorajando os investidores a entrar e sair do fundo a qualquer momento.

Para a gestora de fundos imobiliários, o volume desejável para uma carteira nos primeiros cinco anos situa-se entre os 5 e 10% em Portugal (na Europa o volume das carteiras é de 18%), esperando desde já um número de subscrições mais baixo do que nos outros países para onde se internacionalizaram, como por exemplo Áustria e Holanda, devido, entre outros factores, aos salários praticados.

A Corum Investments é uma sociedade gestora independente, não ligada a qualquer banco ou grupo bancário, criada em 2011, em França. Em Portugal a empresa - que conta atualmente com com escritórios em França, Portugal, Holanda e Áustria - adquiriu já 9 imóveis comerciais, o último dos quais o edifício que acolhe o supermercado Pingo Doce em Vila Nova de Gaia.

No mercado nacional, a Corum tem já duas equipas, uma de ‘IT’, composta por 10 pessoas que servem todo o grupo, e outra de cinco pessoas, para as restantes funções, que esperam que chegue às 10 até ao final do ano.