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Investimento institucional em residencial para arrendamento pode superar os 500 milhões em 2021

Segmento tem vindo a ganhar “peso” na Europa e poderá ter destaque em Portugal, revela a Cushman & Wakefield.

Moshe Harosh por Pixabay
Moshe Harosh por Pixabay
Autor: Redação

O investimento institucional em residencial para arrendamento poderá superar os 500 milhões de euros em 2021, sendo visto como um novo setor “estrela” em imobiliário em Portugal, segundo a Cushman & Wakefield (C&W). A consultora considera que esta classe de ativos, denominada internacionalmente por Private Rented Sector (PRS), e que consiste em portfólios significativos de unidades residenciais para arrendamento, tem vindo a ganhar destaque na Europa, tendo sido, em 2020, o segundo setor com maior alocação de capital.

“Poderemos ter algumas surpresas já em 2021. Se é certo que o setor de escritórios irá seguramente dominar a preferência dos investidores, espera-se uma manutenção do volume de investimento em hotelaria face a 2020, com tendência de crescimento para 2022. A novidade do ano será um dos setores que cada vez mais se encontra no radar dos investidores institucionais, o do investimento institucional em residencial para arrendamento, que poderá captar acima de 500 milhões de euros. (...) Em Portugal, a aposta neste tipo de investimento está ainda a dar os primeiros passos, mas são muitos os promotores e investidores que se estão já a posicionar para concretizar projetos nesta área”, refere a C&W, em comunicado.

Investidos 2.800 milhões em imobiliário comercial 

Relativamente a 2020, ano marcado pela pandemia da Covid-19, o investimento em imobiliário comercial em Portugal rondará os 2.800 milhões de euros, menos 14% que em 2019. É, ainda assim, o terceiro melhor resultado de sempre em termos de volume. Registou-se “um decréscimo no volume de investimento de 30% face às previsões feitas antes da pandemia para fecho de ano”, explica a consultora.

“Em dezembro de 2019, as estimativas da C&W apontavam para um volume de transações para 2020 próximo dos 3.400 milhões de euros. A cumprir-se, este representaria um novo máximo histórico. À data de hoje, o volume de investimento estimado para 2020 aproxima-se dos 2.800 milhões de euros, traduzindo uma quebra de 31% face às estimativas feitas há 12 meses”, lê-se na nota enviada às redações.

Segundo Paulo Sarmento, Partner e diretor de Capital Markets da C&W, “o interesse dos investidores estrangeiros no mercado português manteve-se ao longo do ano”, sendo que “os principais ‘players’ do mercado não só reconheceram a boa resposta que o país estava a ter face à pandemia, mas foram também pressionados pelos elevados níveis de liquidez que registavam”. Uma quebra no investimento imobiliário comercial que “está perfeitamente em linha com outros países”, assegura.

De acordo com a C&W, no primeiro trimestre do ano foram transacionados mais de 1.500 milhões de euros em ativos imobiliários, com o peso de capital estrangeiro a representar 73% do total, tendo depois o segundo trimestre sido um dos mais baixos de sempre da história do investimento imobiliário em Portugal, retratando a atitude cautelosa de muitos investidores – foram apenas transacionados 141 milhões de euros, na sua totalidade provenientes de capital estrangeiro. 

Incerteza para 2021

“Hoje, a poucos dias do fecho de ano, foram já fechados em Portugal mais de 40 negócios, num volume que se aproxima dos 2.600 milhões de euros. As estimativas da C&W apontam para que até 31 de dezembro se fechem transações num valor próximo dos 200 milhões de euros, prevendo-se assim um volume de investimento imobiliário institucional em 2020 de 2.800 milhões de euros”, refere a consultora, adiantando que estão em fase de pré-negociação cerca de 60 ativos imobiliários no país, com um valor próximo dos 2.000 milhões de euros. “Estas operações têm datas de fecho previstas entre 2021 e 2022, mas poderão ser aceleradas a confirmar-se uma melhoria gradual da situação pandémica e uma saída da crise a partir de meados de 2021”. 

De acordo com Paulo Sarmento, “é inevitável reconhecer que a crise pandémica teve um impacto significativo na atividade de investimento imobiliário comercial em Portugal”, sendo que as “perspetivas para 2021 estão ainda envoltas numa grande incerteza”.

“A pressão dos investidores para alocar o capital é mais forte do que nunca e, estando a situação monetária estabilizada, com o BCE a assumir uma política monetária altamente protecionista, os mercados de capitais manterão seguramente a sua elevada liquidez em 2021. Por outro lado, a tendência crescente dos investidores de optar por negócios ‘off market’ dificulta o exercício de previsões de mercado, e é muito provável que em 2021 sejamos novamente brindados com negócios inesperados”, conclui.