Investidos 260 milhões em imobiliário comercial até março

Consultora JLL antecipa no Market Pulse uma recuperação da dinâmica da procura nos diversos setores ao longo do ano.
investimento imobiliário
Foto de Rodeo Project Management Software no Unsplash

O imobiliário português apresentou um desempenho “estável” no arranque do ano, conclui o mais recente estudo Market Pulse da JLL. No primeiro trimestre de 2024, o investimento em imóveis comerciais rondou os 260 milhões de euros, menos 5% face a igual período do ano passado.

Em parte dos setores analisados, de acordo com a consultora, a “escassez de oferta disponível para ocupação imediata continua a criar condições para o crescimento de preços e rendas, mesmo num cenário de procura”.

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“Já se esperava um início de ano com atividade moderada. Este é sempre um período de maior expetativa em relação à evolução da economia, especialmente devido à inflação e às subidas das taxas de juro. A realização das eleições contribuiu para aumentar a incerteza que naturalmente já predomina no arranque do ano, levando a que os agentes económicos se mostrassem mais cautelosos nas suas decisões de investimento. A resposta do mercado a um maior nível de incerteza foi a de “esperar para ver”, quer no mercado comercial quer no residencial",  nota Joana Fonseca, Head of Strategic Consultancy & Research da JLL, citada em comunicado.

No entanto, e volvido o 1º trimestre, o mercado "voltou a provar a sua resiliência em situações de maior incerteza ou adversidade", segundo a responsável. "E, agora, que já temos novo Governo em funções, com anúncio da retificação de muitas medidas especialmente penalizadoras para o setor; em que se antecipa um desagravamento nas condições de acesso ao crédito e o controlo dos níveis de inflação, a perspetiva é que o ano de 2024 vá progressivamente recuperando a dinâmica da procura nos diversos setores, mantendo o consequente estímulo de valorização”, salienta.

Análise por segmentos imobiliários

  • No setor hoteleiro, o número de hóspedes e dormidas nos dois primeiros meses do ano apresentam ligeiras melhorias face a 2023 (5% e 3%, respetivamente), bem como os níveis de ocupação, que atingiram 60% em Lisboa e 53% no Porto no 1º trimestre, em ambos os casos mais dois pontos percentuais que no 1º trimestre de 2023.
  • No retalho, as vendas também sinalizam uma variação residual da ordem de 0,5%, destacando-se a estabilidade operacional dos diferentes formatos de imobiliário de retalho.
  • Já o segmento de escritórios destaca-se dos restantes pela positiva, frisa a consultora, que assinala uma “recuperação assinalável” face ao ano anterior, com take-up a mais que duplicar quer em Lisboa quer no Porto, com 73.700 m2 e 18.000 m2 tomados, respetivamente.
  • A consultora assinala ainda comportamento do imobiliário industrial e logístico, no qual a ocupação apresenta uma quebra homóloga de 20%, "embora em resultado da falta de oferta para absorver, já que as rendas continuaram a subir".

No que diz respeito à habitação, a JLL estima que a procura neste trimestre seja ainda “ligeiramente inferior” à do trimestre homólogo, contudo, a tendência mais recente é de estabilização nos níveis de transação, destacando-se ainda uma “boa dinâmica das vendas em planta para projetos diferenciados e também a manutenção de atividade entre os compradores internacionais”.

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