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Porsche compra SIVA à SAG por 1 euro e Pereira Coutinho lança OPA de um milhão para salvar grupo

SIVA, distribuidora em Portugal de marcas alemãs, como a VW, muda de mãos  / Wikimedia commons
SIVA, distribuidora em Portugal de marcas alemãs, como a VW, muda de mãos / Wikimedia commons
Autor: Redação

Após meses de rumores sobre que a SAG - Soluções Automóvel Globais estava a negociar a venda da participada SIVA, nesta terça-feira (dia 30 de abril de 2019) confirmou-se que a Porshe Holding Gesellschaft é a nova dona da empresa dedicada à venda em Portugal de automóveis da Volkswagen e outras marcas do grupo alemão. O negócio foi feito pelo preço simbólico de 1 euro e faz parte de uma complexa operação acordada com a banca. João Pereira Coutinho lançou no mesmo dia uma OPA (oferta pública de aquisição) para controlar totalmente o seu império - em pleno momento de reestruturação.

Ao comunicar o acordo ao mercado, a SAG informou também que deram entrada, em tribunal, dois processos especiais de revitalização (PER), por separado, um para esta mesma empresa e outro para a SIVA, ambos com o apoio dos bancos credores - BCP, Novo Banco, BPI e ainda a Caixa Geral de Depósitos.

Perdão de dívida dos bancos e PER integram operação

A banca aceitou um perdão mínimo de dívida de 116 milhões de euros, dos quais 16 milhões de euros no acordo extrajudicial de recuperação da SAG e 100 milhões no acordo relativo à SIVA - que poderá ser maior se tal for necessário para a empresa ficar com uma situação patrimonial positiva. Para a SAG está também prevista a anulação total de créditos subordinados no valor de 253 milhões de euros.

Além disto, os os bancos portugueses acordaram emitir garantias bancárias para permitir no imediato que a distribuidora da Volkswagen em Portugal (e de outras marcas do grupo alemão, como a Audi) continue a importar e a vender carros no mercado nacional.

OPA para tirar SAG da bolsa e salvar emprego

Adicionalmente, a SAG - que fechou o exercício de 2018 com um resultado líquido negativo de 179,6 milhões de euros e um capital próprio negativo de 169,2 milhões - anunciou o lançamento de uma OPA sobre o seu próprio capital que está disperso por pequenos acionistas, para permitir a estes investidores sair da empresa.

João Pereira Coutinho já controla 80% do capital da SAG e 88,86% dos direitos de voto, pelo que a oferta incide apenas sobre pouco mais de 10% do capital da empresa, que tem em carteira quase 10% do capital em ações próprias. Isto significa, segundo contas feitas pelo Negócios, que para comprar as cerca de 17 milhões de ações da SAG que não controla, Pereira Coutinho terá de desembolsar pouco mais de 1 milhão de euros.

No anúncio preliminar da OPA, é sublinhado que o propósito da oferta é tirar a empresa de bolsa, incidindo sobre a totalidade das ações, e que a contrapartida oferecida será paga em numerário, correspondendo a 0,0615 euros por ação.

O empresário português diz ainda que o seu objetivo é assegurar às subsidiárias da SAG a continuidade da sua atividade por outra via e permitir aos acionistas venderem as suas participações na empresa dado que esta deixará de operar no negócio do ramo automóvel – isto é, na principal atividade que desenvolveu desde a sua constituição, refere o documento.