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IFFRU 2020 é o "Ronaldo da reabilitação urbana” nacional e um ‘case study’ internacional

Instrumento apoiou já a construção de 770 habitações, para cerca de mil novos residentes, e a criação de mais de 2.600 postos de trabalho. 

Bons resultados do IFFRU revelados na Semana da Reabilitação Urbana do Porto / Gtres
Bons resultados do IFFRU revelados na Semana da Reabilitação Urbana do Porto / Gtres
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

Os bons resultados obtidos na aplicação do IFFRU 2020 – Instrumento de Reabilitação e Revitalização Urbanas – fazem com que este programa seja já reconhecido a nível internacional como o “Cristiano Ronaldo da reabilitação urbana”. Quem o afirma é Abel Mascarenhas, presidente Comissão Diretiva da Estrutura de Gestão do IFRRU 2020, que esteve presente na conferência “Soluções Santander no Contexto da Reabilitação Urbana”, realizada na quarta-feira (13 de novembro de 2019), no âmbito da Semana da Reabilitação Urbana do Porto, que tem o idealista como portal oficial. 

Segundo o responsável, “temos um instrumento de apoio cuja importância é reconhecida em Portugal, mas também a nível internacional”. Por isso, diz, “podemos dizer que o IFFRU 2020 é o Cristiano Ronaldo para a reabilitação urbana, reconhecido nos outros países”. 

Abel Mascarenhas, que falava para uma plateia de promotores e investidores - muitos deles com projetos em apreciação e mesmo em execução-, destacou que os bons resultados conseguidos nos últimos dois anos de trabalho, permitem que este instrumento seja considerado “um case study” e a sua execução esteja a ser acompanhada por técnicos que estão a “escrever sobre os seus resultados”. 

Por isso, alerta, “se temos um instrumento que é reconhecido em Portugal e a nível internacional, devemos aproveitá-lo”. 

Investimento contratado de 479 milhões de euros 

De acordo com os dados apresentados por Abel Mascarenhas, referentes a 30 de setembro de 2019, o IFFRU já recebeu 411 candidaturas, que atingem os 1.052 milhões de euros de investimento potencial. No total foram assinados 151 contratos de financiamento, num montante de investimento de 479 milhões de euros.  

Dados que demostram o interesse que este instrumento de financeiro de reabilitação tem suscitado junto do mercado, sendo previsto que nos próximos meses aumentem substancialmente os contratos assinados e os montantes de financiamento aprovados. 

Programa tem uma dimensão nacional  

O responsável do IFFRU destacou a dimensão nacional deste instrumento, que, neste momento, já chegou a 54 cidades, distribuídas por todas as regiões do país. Neste cenário destacam-se as 62 operações aprovadas no Norte do país, 44 em Lisboa, 22 no Centro, oito no Alentejo, oito na Madeira, seis no Algarve e uma nos Açores.  

Os projetos são maioritariamente apresentados por empresas, com 115 contratos assinados, seguindo-se os particulares, com 24, os municípios, com oito e, por último, as IPSS, com quatro. Em relação aos usos, parte dos projetos, 64, dizem respeito à habitação, 79 são projetos relacionados com atividade económicas e oito são equipamentos públicos e sociais. 

Abel Mascarenhas, destaca, que os projetos financiados pelo IFFRU permitiram a construção de 770 habitações reabilitadas em áreas urbanas, para cerca de mil novos residentes, e a criação de mais de 2.600 postos de trabalho. 

Este instrumento que resulta de dotações do programa de apoio comunitário Portugal 2020, entre outros, e recebeu o financiamento de duas instituições europeias, o Banco Europeu do Investimento (BEI) e o Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), tem uma capacidade de financiamento de 1.400 milhões de euros, que vai permitir gerar um investimento de cerca de 2.000 milhões de euros. 

Santander já recebeu 400 candidaturas, num total de 600 milhões 

O banco Santander recebeu até ao momento 400 candidaturas, para um total de 600 milhões de euros de apoios, que representa um investimento total de 900 milhões de euros. 

Os dados foram apresentados por António Fontes, diretor para a área de fomento à construção, do Santander, destacando, contudo, que foram “aprovadas 85 operações, que representam 211 milhões de euros de investimento”. 

O Banco Santander, que é a instituição financeira que apresenta uma maior dinâmica na reabilitação através do IFFRU, é “responsável por uma fatia de 52%, do total dos fundos”, destacou o responsável.  

Assim, o Santander ficou com “767 milhões de euros para apoiar projetos de reabilitação e de revitalização urbana, através do IFRRU 2020”, montante que se deve também ao facto de ter assumido a fatia que o banco Popular tinha contratualizado, depois da sua aquisição. 

Recorde-se que além do Santander, a rede comercial dos bancos selecionados para a comercialização dos fundos do IFFRU inclui o banco BPI e o Millennium BCP. Sendo que, para além dos fundos disponibilizados pelo instrumento financeiro do IFRRU 2020, a banca comercial disponibiliza também uma fatia do investimento. 

Taxa de juro mais favorável 

O programa de financiamento do IFFRU 2020 beneficia de uma taxa de juro mais favorável (cerca de metade em relação aos produtos para a mesma finalidade) e de uma comissão inicial única, que inclui dossier, avaliação e formalização.  

Os montantes de financiamento podem ir até 20 milhões de euros, com prazos alargados – maturidade a 20 anos para arrendamento e de sete anos para venda –, e carência até 4 anos. 

Lançado em outubro de 2017 é um instrumento financeiro composto por empréstimos hipotecários e empréstimos com garantia das SGM (Sociedades de Garantia Mútua) para apoiar projetos de reabilitação e revitalização urbanas, e de eficiência energética, em todo o território nacional, em áreas definidas como prioritárias por cada câmara municipal.