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Nova ala do Palácio da Ajuda concluída 226 anos depois – e Museu do Tesouro abre em novembro

Tudo o que é preciso saber sobre o longo processo de construção da nova ala do Palácio Nacional da Ajuda, bem como sobre o novo museu nacional.

Cerimónia de inauguração da nova ala do Palácio Nacional da Ajuda
Nova ala do Palácio Nacional da Ajuda foi inaugurada dia 7 de junho de 2021 / DCPC/ATL/CML
Autor: Redação

A nova Ala do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, foi inaugurada segunda-feira (7 de junho de 2021) e já está pronta a acolher o futuro Museu do Tesouro Real, que abre ao público em novembro deste ano, 226 anos depois da colocação da primeira pedra. Fica a saber tudo sobre o longo e complicado processo de construção da nova ala do Palácio Nacional da Ajuda, bem como do novo museu nacional. 

“Este espaço único e simbólico do património nacional vê agora escrita uma nova página na sua história, de relevância incontornável para a oferta cultural de Lisboa a nível internacional”, referem em comunicado a Direção Geral do Património Cultural (DCPC), a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Associação de Turismo de Lisboa (ATL).

Segundo a nota, a obra remata a ala poente, com a imponência e escala monumental características do Palácio da Ajuda, para a seguir receber um novo espaço museológico. 

Palácio Nacional da Ajuda
Interior da nova ala do Palácio Nacional da Ajuda / DCPC/ATL/CML

“Com um sistema de segurança do mais alto nível, o núcleo central deste edifício, que se apresenta com uma estrutura em vidro atravessada por lâminas verticais, irá ter uma caixa-forte com 40 metros de comprimento, 10 de altura e 10 de largura, três pisos e duas portas em aço, com cinco toneladas e 40 centímetros de espessura cada. É aqui que está a ser instalado o futuro Museu do Tesouro Real, onde poderá ser visitada a exposição permanente de um acervo de valor histórico, artístico e cultural em coleções de ourivesaria e joias da antiga Casa Real, cujo restauro das peças está a cargo dos técnicos do Laboratório José Figueiredo”, lê-se no documento.

Investimento de 31 milhões de euros

A totalidade do projeto, que também inclui a requalificação do espaço público na Calçada da Ajuda, tem um valor de investimento de 31 milhões de euros, maioritariamente viabilizado pelo Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa. 

O projeto de arquitetura é da responsabilidade da DCPC (arquiteto João Carlos Santos) e o de museologia e comunicação gráfica da “Providência Design”, estando a gestão e implementação da obra a cargo da ATL, por incumbência da CML. 

Segundo a informação que consta no comunicado, o acesso ao novo edifício da ala poente fica altamente reservado durante os próximos meses para que os trabalhos de instalação do Museu do Tesouro Real sejam realizados com a máxima segurança, sendo esta uma das prioridades deste projeto dado o valor do acervo museológico. Está ainda prevista uma campanha de valorização no Palácio Nacional da Ajuda, nomeadamente a recuperação do pátio, das fachadas e dos espaços exteriores.

Ponto final numa “maldição”

Citado pela Lusa, aquando da cerimónia de inauguração da nova Ala do Palácio Nacional da Ajuda, o arquiteto João Carlos Santos comentou, desta forma, a conclusão da obra: “Após mais de dois séculos do lançamento da primeira pedra, em novembro de 1795, pelo príncipe regente, D. João, e depois de várias vicissitudes na história trágica da construção do palácio, finalmente deu-se a coincidência de um grupo de personalidades ter tido a coragem de acabar com a maldição que sobre ele se abatia”.

Palácio Nacional da Ajuda
Cerimónia de inauguração da nova ala do Palácio Nacional da Ajuda / DCPC/ATL/CML

De referir que na marcaram presença na cerimónia de inauguração da nova ala o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, o presidente da CML, Fernando Medina, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, e o diretor do palácio, José Alberto Ribeiro, entre outras individualidades.

Curiosidades sobre o Palácio Nacional da Ajuda:

  • A primeira pedra do Palácio Nacional da Ajuda foi lançada a 9 de novembro de 1875, pelo Príncipe Regente D. João; 
  • As obras iniciadas em 1875, com um projeto do arquiteto Manuel Caetano de Sousa segundo uma estética barroca, foram interrompidas pouco tempo depois e reiniciadas em 1802, após a sua morte, segundo um projeto dos arquitetos Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva, mais moderno, já com uma estética neoclássica, expressão arquitetónica dominante nessa época na Europa;
  • Em 1807, com as invasões francesas, a obra é de novo interrompida e posteriormente retomada tendo António Francisco Rosa assumido a condução dos trabalhos em 1818. O Palácio que, a ser construído conforme projeto inicial, seria um dos maiores da Europa e do Mundo, viu a sua dimensão reduzida para um só pátio, tornando-se a fachada nascente a fachada principal;
  • Apesar das inúmeras tentativas que se fizeram, durante o século XIX e século XX, com vários projetos de remate ao longo de mais 200 anos, só em 2016 se iniciou finalmente o projeto e as obras necessárias ao remate poente do Palácio Nacional da Ajuda para instalação do Museu do Tesouro Real, numa parceria que envolveu o Ministério da Cultura/Direção Geral do Património Cultural, a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação de Turismo de Lisboa.

Números das obras do Palácio Nacional da Ajuda:

  • Área Bruta de Construção do Edifício - 12 mil metros quadrados (m2); 
  • Área Tratamento Espaços Exteriores – 8 mil m2;
  • Caixa Forte – 40 metros comprimento, 10 metros de largura e 10 metros de altura;
  • Estrutura Metálica do Edifício – 300 toneladas;
  • Estrutura Metálica na Caixa Forte – 100 toneladas;
  • Aço em Elementos Estruturais – 1000 toneladas;
  • Condutas de Climatização – 7 mil m2;
  • Cabos e Tubos das Redes Elétricas, Segurança e Comunicações – 106 quilómetros;
  • Pinturas de Paredes e Tetos – 22.200 m2;
  • Pedra de Lioz em Reconstrução de Fachadas – 200 toneladas

Assim será o Palácio Nacional da Ajuda e o Museu do Tesouro Real: