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Prédio Coutinho em Viana do Castelo: desconstrução vai arrancar em breve

Desconstrução vai custar cerca de 1,2 milhões de euros. Mercado municipal vai ser "reposto" neste local.

Prédio Coutinho começa a ser desconstruído
Wikimedia commons
Autor: Redação

O prédio Coutinho, em Viana do Castelo, vai finalmente ser desconstruído. Foi assinado o ato de consignação para pôr fim a este edíficio esta segunda-feira (dia 2 de agosto de 2021) , cerca de 20 anos depois da decisão de o retirar do centro histórico da cidade. 

O dia 2 de agosto vai ficar na memória dos habitantes de Viana do Castelo como o dia em que foi assinado o fim do Edifício Jardim, mas conhecido como prédio Coutinho, construído no início da década de 70 do século passado e cuja demolição foi decidida aquando da aprovação do plano pormenor do Centro Histórico de Viana, em 2000, ao abrigo do programa Polis.

A desconstrução do prédio Coutinho vai ser levada a cabo pela Baltor - Engenharia e Construção e vai custar cerca de 1,2 milhões de euros. O prazo previsto para a execução das obras é de seis meses, devendo ocorrer entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022, escreve o Público.  

Todo o processo de desconstrução vai ser levado a cabo de forma a ser possível reciclar o máximo de materiais. “Todos os materiais vão ter uma segunda vida, vão ser devidamente britados para poder fazer parte das bases das novas estradas, pavimentações de infraestruturas”, salientou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, presente na assinatura do ato de consignação.

E já há planos bem definidos para este local. “Foi este grande romance que chega agora ao fim, ou melhor, não chega agora ao fim porque a seguir vai ser construído aquilo que era aqui, o mercado municipal”, afirmou o ministro do Ambiente. No seu entendimento, a construção do mercado municipal é “a vontade de uma clara maioria dos vianenses” e avança ainda que as suas obras deverão arrancar em 2022.

Prédio coutinho vai ser desconstruído e dá lugar a mercado
Novo mercado vai nascer no lugar do prédio Coutinho / Imagem de Pexels por Pixabay

Candidatura do centro histórico a Património Mundial

O desaparecimento do prédio Coutinho vai ainda possibilitar a concretização de um desejo da autarquia: candidatar o centro histórico a Património Mundial.

“O mercado é muito importante para a vida do centro histórico. É um mercado que vai estar inserido no coração da cidade, que vai fazer uma ligação com o jardim público. Vai ter componentes ligadas ao artesanato, aos produtos tradicionais, posto de turismo, serviços públicos e indústrias criativas”, adiantou o presidente da câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, também presente no local.

“As pessoas já estavam cansadas deste romance. Hoje começa-se uma nova página daquilo que é o urbanismo em Viana do Castelo. Foi logo pensado do início, mas não era possível com o Edifício Jardim. Viana do Castelo tem um belíssimo centro histórico, tem sido objeto de uma grande requalificação e valorização (…). Precisamos de ícones e referências”, justificou José Maria Costa.

Câmara quer candidatar centro histórico de Viana a Património Mundial.
Centro histórico de Viana do Castelo / Wikimedia commons

5 proprietários ainda sem acordo

Os últimos moradores do prédio Coutinho ainda tentaram travar o início da sua desconstrução, mas o Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga julgou improcedentes, em 19 e 20 de janeiro, a intimação para proteção de direitos, liberdades e garantias e a providência cautelar movidas, em junho de 2019.

Agora, dos cerca de 100 proprietários de frações no prédio Coutinho, cinco ainda não chegaram a acordo sobre a expropriação com a VianaPolis (sociedade detida 60% pelos ministérios do Ambiente e das Finanças e 40% pela Câmara de Viana do Castelo). Alguns optaram por mudar para um prédio nas imediações, outros para a área da marina e os restantes por receberem uma indemnização em dinheiro.

Note-se que este prédio de 13 andares foi construído legalmente e autorizado pela câmara da cidade, escreve o mesmo jornal. E chegou a ser habitado por mais de 300 pessoas.

*Com Lusa