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Projeto imobiliário "Mata de Sesimbra" sob investigação do DCIAP

Administração do Novo Banco enviou dossiê Greenwoods para a Procuradoria, por suspeitas à volta do processo de concessão de crédito.

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Autor: Redação

Com base em suspeitas de uma propositada sobrevalorização do Greenwoods Ecoresorts, um projeto imobiliário em Sesimbra, o Novo Banco decidiu enviar para a Procuradoria-Geral da República (PGR) um dossiê com a descrição da operação bancária envolvida neste negócio, que gerou perdas de centenas de milhões para o banco, e que teve origem ainda no tempo do Banco Espírito Santo (BES) liderado por Ricardo Salgado.

A notícia é avançada pelo Jornal Económico, sendo apontado que este é um dos elefantes brancos herdados pelo Novo Banco. A entidade agora liderada por António Ramalho registou perdas que rondam 200 milhões de euros. Só na data da resolução, em 2014, este ativo obrigou à constituição de imparidades de 156 milhões. 

A Greenwoods é uma das operações contempladas na auditoria independente da Deloitte ao Novo Banco, concluída em 2020, onde consta como a entidade com o maior aumento de custo de aquisição no período entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018. A auditoria, segundo o jornal, revelou que o empreendimento turístico estava avaliado em 70 milhões quando passou para as mãos do banco em 2014 e o contrato de promessa de compra e venda fez-se por pouco mais de 20 milhões de euros.

A PGR confirmou a receção da informação remetida pelo Novo Banco ao Jornal Económico. “A mesma foi remetida ao DCIAP – Departamento Central de Investigação e Ação Penal, onde se encontra em investigação. O inquérito em apreço encontra-se sujeito a segredo de justiça”, refere fonte oficial da PGR, citada pelo mesmo meio.

A Greenwoods foi constituída em 1998, centrando a sua atividade no desenvolvimento imobiliário do projeto “Mata de Sesimbra”, onde se integram diversos terrenos localizados no município de Sesimbra (Península de Setúbal) com mais de mil hectares e um projeto preliminar aprovado para construção de 650 mil metros quadrados em alojamentos turísticos, comércio e serviço. Em 2012, esse projeto era detido em 50% pelo Grupo Pelicano, que era devedor do BES, e em 50% por uma entidade do GES (Espart).

O projeto, tal como recorda a publicação, tinha previsto o financiamento do BES em 1.100 milhões e resultava de um acordo entre a Pelicano e o Estado português (que à data tinha como ministro das Cidades e Ordenamento do Território Isaltino Morais). Estava previsto arrancar em 2005 e ficar concluído em 15 anos.