Projeto imobiliário "Mata de Sesimbra" sob investigação do DCIAP

Administração do Novo Banco enviou dossiê Greenwoods para a Procuradoria, por suspeitas à volta do processo de concessão de crédito.
Projeto imobiliário "Mata de Sesimbra" sob investigação do DCIAP
Wikipedia

Com base em suspeitas de uma propositada sobrevalorização do Greenwoods Ecoresorts, um projeto imobiliário em Sesimbra, o Novo Banco decidiu enviar para a Procuradoria-Geral da República (PGR) um dossiê com a descrição da operação bancária envolvida neste negócio, que gerou perdas de centenas de milhões para o banco, e que teve origem ainda no tempo do Banco Espírito Santo (BES) liderado por Ricardo Salgado.

A notícia é avançada pelo Jornal Económico, sendo apontado que este é um dos elefantes brancos herdados pelo Novo Banco. A entidade agora liderada por António Ramalho registou perdas que rondam 200 milhões de euros. Só na data da resolução, em 2014, este ativo obrigou à constituição de imparidades de 156 milhões. 

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A Greenwoods é uma das operações contempladas na auditoria independente da Deloitte ao Novo Banco, concluída em 2020, onde consta como a entidade com o maior aumento de custo de aquisição no período entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018. A auditoria, segundo o jornal, revelou que o empreendimento turístico estava avaliado em 70 milhões quando passou para as mãos do banco em 2014 e o contrato de promessa de compra e venda fez-se por pouco mais de 20 milhões de euros.

A PGR confirmou a receção da informação remetida pelo Novo Banco ao Jornal Económico. “A mesma foi remetida ao DCIAP – Departamento Central de Investigação e Ação Penal, onde se encontra em investigação. O inquérito em apreço encontra-se sujeito a segredo de justiça”, refere fonte oficial da PGR, citada pelo mesmo meio.

A Greenwoods foi constituída em 1998, centrando a sua atividade no desenvolvimento imobiliário do projeto “Mata de Sesimbra”, onde se integram diversos terrenos localizados no município de Sesimbra (Península de Setúbal) com mais de mil hectares e um projeto preliminar aprovado para construção de 650 mil metros quadrados em alojamentos turísticos, comércio e serviço. Em 2012, esse projeto era detido em 50% pelo Grupo Pelicano, que era devedor do BES, e em 50% por uma entidade do GES (Espart).

O projeto, tal como recorda a publicação, tinha previsto o financiamento do BES em 1.100 milhões e resultava de um acordo entre a Pelicano e o Estado português (que à data tinha como ministro das Cidades e Ordenamento do Território Isaltino Morais). Estava previsto arrancar em 2005 e ficar concluído em 15 anos.

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