Quem são os novos donos do futebol português?

Dois terços dos clubes da I e II Liga já têm capital estrangeiro vindo de fundos norte-americanos, do petróleo e de estrelas de Hollywood.
Moreirense
Getty images

O futebol profissional português está a mudar de mãos e de escala. Dois terços dos clubes da I e II Liga já contam com capital estrangeiro, numa transformação que leva fundos de investimento, empresários multimilionários, grupos ligados ao petróleo e ao desporto norte-americano para as estruturas acionistas das Sociedades Anónimas Desportivas (SAD). O resultado é um campeonato cada vez mais integrado numa rede internacional de clubes, onde equipas de cidades pequenas passam a fazer parte de estratégias financeiras e desportivas globais.

Os novos donos do futebol português
Fonte: Expresso

Segundo o Expresso, o Moreirense é um dos exemplos mais mediáticos desta nova realidade. A SAD foi comprada em junho de 2025 pelo Black Knight Football Club, veículo do bilionário norte-americano Bill Foley, proprietário do Bournemouth e do Hibernian e acionista do Lorient. Entre os investidores do grupo está o ator Michael B. Jordan, com cerca de 3% do capital. O Famalicão, por sua vez, pertence maioritariamente ao israelita Idan Ofer, através do Quantum Pacific, enquanto o Estoril é controlado por uma estrutura que junta David Blitzer, ligado à Blackstone, e o Avenue Sports Fund de Marc Lasry. Também Rio Ave, Vitória de Guimarães, Sporting de Braga, Santa Clara e Alverca têm capital de investidores estrangeiros, vindos da Grécia, Egito, Estados Unidos, Catar, Brasil, Espanha e outros mercados.

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A II Liga confirma que o fenómeno ultrapassa os palcos principais. O semanário destaca o Feirense, controlado desde 2015 pela nigeriana Tavistock Global Resource, ativa nos setores do petróleo e gás. Chaves e Penafiel também passaram para mãos estrangeiras. Porém, esta abertura levanta desafios de transparência: desde 2023, o Instituto Português do Desporto e Juventude abriu 30 processos de contraordenação por incumprimento das regras aplicáveis às sociedades desportivas, sem que algum tenha chegado ainda a decisão. O regulador admite que seguir estruturas com ramificações em vários países, incluindo jurisdições de baixa tributação, é “um desafio enorme”.

*Com Lusa

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