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Tekever pagou 1,3 milhões de euros por edifício Nau que afinal não pode usar para escritórios

Quase 3 anos após ficar com a concessão do icónico imóvel do Parque das Nações, tecnológica diz estar impedida de ocupar o espaço.

Marina Parque das Nações
Marina Parque das Nações
Autor: Redação

É um dos edifícios mais emblemáticos do Parque das Nações, em Lisboa, pela arquitetura e uso que teve no âmbito da requalificação para a Expo’98 - foi o palco dos serviços administrativos e centro de informação do evento. Hoje continua ao abandono, apesar da vontade manifestada pelos novos "donos". A tecnológica Tekever pagou perto de 1,3 milhões de euros pela concessão de metade do imóvel, para instalar uns inovadores escritórios para mais de 100 engenheiros, mas diz que está impedida de ocupar o espaço.

O Jornal de Negócios, que avança com a história, recorda que ao longo dos anos o edifício teve vários concessionários, até que o último, a Compacta – Empreendimentos Imobiliários, que detinha os direitos de utilização de cerca de metade do edifício, faliu sem nunca lhe ter dado uso.

Em sede de insolvência da Compacta, os direitos de concessão de 2.240 metros quadrados do Nau chegaram a ir à praça por um valor mínimo de 1,662 milhões de euros, mas não recebeu ofertas. Foi então que, segundo conta o diário, a Tekever arrematou o negócio, num contrato assinado a 24 de maio de 2017, por aproximadamente 1,3 milhões de euros - tendo sido o contrato assinado por Pedro Sinogas, o então CEO e sócio maioritário da fabricante de drones e satélites, que viria a perder todos os cargos e a participação acionista, na sequência de processos judiciais que resultaram no arresto dos seus bens.

A empresa diz que só depois de assinar o contrato é que descobriu que o edifício não estava licenciado para o fim que queria, continuando sem poder ocupar o espaço. E já se passaram dois dos 10 anos de concessão.

"O Edifício Nau é um espaço com características únicas", começou por reagir fonte oficial da empresa, ao Negócios, adiantando que "mantém todo o interesse em dar seguimento ao investimento já iniciado e desenvolver um projeto que permita trazer-lhe uma nova vida". Nesse sentido, diz "aguardar que as entidades competentes criem as condições contratuais e de licenciamento necessárias para o efeito".