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Preços das casas disparam em todo o país, com pouca oferta para tanta procura

Luisa Azevedo/ Unsplash
Luisa Azevedo/ Unsplash
Autor: Redação

O mercado imobiliário em Portugal continua a ferver e já não é só em Lisboa que os preços das casas registam aumentos contínuos. O "boom" do setor estendeu-se a todo o território nacional. Porto e Algarve juntaram-se à capital no ranking das regiões onde está (muito) difícil encontrar casas a preços razoáveis. Um cenário alimentado pelo aumento da procura – que supera a escassez da oferta – e pelo significativo investimento estrangeiro.  Atualmente, na Europa, o aumento médio registado no setor é de 4,5%, ao passo que Portugal atingiu os 8% no último trimestre.

A notícia de que os preços das casas em Portugal não para de aumentar já chegou ao país vizinho, com o jornal El País a dar conta que o aumento de preços deixou de ser um fenómeno exclusivo da capital, mas que está a espalhar-se por todo o país. "O olho do furacão está em Lisboa", explicou Ricardo Guimarães, diretor do Confidencial Imobiliário (CI). "Mas os seus efeitos estão a começar a sentir-se no resto do país", acrescentou.

Com exceção de 15, os preços aumentaram nos 278 municípios do continente. "A revalorização do imobiliário em Lisboa é de 24,3% este ano, na vizinha Oeiras 13,6%, em Cascais 18,3% e na capital do Algarve, Faro, 26,7%. Ainda assim, com exceção de Lisboa, os preços no resto do país não atingiram os níveis anteriores à crise”, sublinhou o diretor do CI.

Constrói-se menos, reabilita-se mais

Ao contrário de outros países, o crescimento que o setor vive em Portugal não resulta da construção, mas sim da reabilitação. Apenas 14% das casas vendidas este ano são novas, ainda assim um número recorde desde 2013. Este ano, serão vendidas 280 mil casas face às cerca de 179 mil vendidas em 2013. "Mas o mercado não irá registar novamente o número das transações da década anterior, porque o setor imobiliário é inferior ao passado e porque o setor financeiro é muito mais conservador na concessão de créditos", adiantou o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima.

Agências afastam bolha. Proprietários discordam

Nenhuma das agências imobiliárias vê no dinamismo atual uma (possível) bolha, pelo menos não como a dos anos 2000, sobretudo porque não se está a repetir o cenário de crédito fácil. A maioria das aquisições em Lisboa (metade do mercado nacional) é feita com dinheiro e realizada, sobretudo, por estrangeiros, que de acordo com o El País chegam por ondas. Primeiro os chineses e brasileiros, depois os franceses, depois os escandinavos e, finalmente, os turcos.

Portugal tornou-se num país de refúgio, afirmou Ricardo Guimarães ."Não há bolha porque o mercado interno não apresenta uma dinâmica de preço irracional; o risco pode ser para o investimento, mas não para a residência", refere.

Já os proprietários têm uma opinião diferente. "Estamos numa bolha", esclarece o presidente da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), Luis Menezes Leitão. "Apenas os intermediários negam esta realidade”, disse o responsável, que aponta algumas causas para o cenário de bolha, nomeadamente o imposto sobre as novas propriedades, a extensão do congelamento de rendas, a concessão de vistos gold para a compra de apartamentos de meio milhão de euros, o turismo e os benefícios para os aposentados estrangeiros.

O presidente da APEMIP, Luís Lima, fala não só de uma, mas de múltiplas bolhas. "No centro de Lisboa, Porto e Algarve, os preços estão acima do mercado devido à falta de oferta, o que causará um aumento do metro quadrado nas áreas envolventes”, refere Lima.