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Mudança de ciclo: preço das casas começa a desacelerar a nível mundial... em Lisboa também?

The Economist
The Economist
Autor: Redação

Desde Amesterdão a Paris, Sidney, Madrid ou Lisboa, o custo da habitação nas principais cidades do mundo não deixou de subir nos últimos anos, após a crise financeira mundial que rebentou em 2008. Dez anos depois, os preços das casas registaram um aumento médio de 56%, desde os mínimos. E em 14 cidades o preço está por cima do seu máximo antes da crise, cerca de 45% em média. 

Na capital de Portugal, os preços das casas subiram 4,7% no último ano, mas somam um aumento de 17,9% em cinco anos. E agora o que vai acontecer?

O The Economist elaborou um índice de preços a partir do qual antecipa que a habitação está perto de um ponto de inflexão. Em 22 das principais cidades do mundo em análise, o preço das casas desacelerou, desde os 6,2% anual de há 12 meses para 4,7% atualmente. E em seis cidades os preços caíram de máximos.

The Economist
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O The Economist comparou o preço das casas com o dos arrendamentos e os rendimentos médios das famílias para saber se o encarecimento da habitação está fundamentado ou não. E o preço das casas sobe mais rápido a largo prazo do que as rendas ou os rendimentos dos lares então é gerada uma situação insustentável. Ou então os salários deveriam subir. 

No caso de Lisboa, a evolução dos preços das casas em comparação com a dos rendimentos não consta desta tabela, sendo que, por exemplo, no caso de Madrid chega-se à conclusão de que há uma sobrevalorização de 15%.

As três razões que o semanário económico britânico aponta para explicar porque agora pode estar a chegar ao fim o auge da habitação são a procura, a oferta e o preço do dinheiro.

Procura

Nos últimos anos houve um forte êxodo de população nas cidades. Por exemplo, mais de um terço da população de Londres nasceu no estrangeiro e em Torontom em mais de metade. Aliás, em 22 das cidades analisadas, a população aumentou cerca de 12% em média, na última década. Outro impulso à procura provêm dos investidores estrangeiros. Auckland, Londres, Sidney e Vancouver atraíram grandes investimentos, sobretudo, provenientes da China.

No entanto, The Economist prevê que o crescimento na população das cidades globalizadas rápido começará a desacelar. Uma das razões para que as pessoas possam deixar de acudir em massa às cidades é pelas dificuldades de entrada de capital. Por exemplo, Vancouver colocou dificuldades aos estrangeiros na compra de casa. Austrália aumentou os impostos à compra de habitação para os não residentes e Nova Zelândia proibiu diretamente os estrangeiros de adquirir imóveis.

Oferta

Já não se levantam casas casas novas nas principais cidades do mundo. Em Londres a população cresceu quase dois vezes mais rápido que o stock da habitação, vê-se que há dez cidades com um défice de 28.000 lares por ano na última década.

A política monetária facilitadora dos bancos centrais

Desde o rebentar da crise financeira, a política facilitadora dos principais bancos centrais do mundo fez com que as hipotecas sejam extremamente baratas. Isto fez com que o dinheiro barato tenha reduzido a rentabilidade dos títulos, empurrando os investidores para outros ativos, sobretudo, os imóveis.

Mas já se começou a viver um novo ciclo de subidas das taxas de juros. Nos EUA o banco central subiu várias vezes o preço do dinheiro e na Europa o Banco Central Europeu prepara-se para realizar a primeira subida em setembro de 2019, segundo as previsões do mercado. Seria a primeira subida em oito anos, já que na última vez que o BCE reviu em alta o preço do dinheiro foi em outubro de 2011.