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FMI: preços das casas altos em Portugal, mas mercado não está (ainda) em sobreaquecimento...

Autor: Redação

A evolução do mercado imobiliário em Portugal é uma das questões que mais se tem analisado e debatido ao longo dos últimos meses dentro e fora do país - devido ao impacto que uma bolha ou crise podem ter para a estabilidade financeira e para a economia nacional. Agora, o Fundo Monetário Internacional (FMI) veio confirmar que "o preço das casas continua a aumentar", mas, na sua opinião, "não há ainda um sobreaquecimento significativo". No entanto, deixa um aviso: é preciso um acompanhamento permanente dos preços, bem como uma monitorização mais apertada do mercado hipotecário, pelos riscos que existem para a banca.

Após uma quebra de 18% em termos reais sobre os preços da habitação a nível nacional, entre 2010 e 2013, verificou-se nos últimos quatro anos um aumento na ordem dos 20% sobretudo em Lisboa, no Porto e na região do Algarve. Em 2017, a subida foi de 7,9% em 2017, em termos reais, aponta o FMI, no relatório em que apresenta a conclusão da consulta de 2018, ao abrigo do Artigo IV, para Portugal, divulgado esta quinta-feira.

Com base nestes dados, o FMI diz concordar com a avaliação feita pelo Banco Central Europeu (BCE) que, em maio, sugeriu haver "sinais incipientes de sobreavaliação no mercado residencial".

Os técnicos da autoridade internacional explicam que os aumentos dos preços foram em grande parte impulsionados por transações de habitação protagonizadas por cidadãos não residentes, sendo que as transações habitacionais financiadas pela banca em Portugal têm vindo a aumentar desde 2015 (atingindo 41% do total no último trimestre de 2017). 

Aplaudindo a redução do malparado por parte dos bancos nacionais, o FMI admite temer que um choque no imobiliário possa pôr em causa todos os esforços feitos no sentido de limpar os balanços para poderem dar o seu contributo no crescimento da economia nacional.

O fundo liderado por Christine Lagarde pede assim às autoridades que melhorem a qualidade dos dados e de ferramentas de análise do imobiliário em Portugal para melhor se poderem medir os riscos neste setor.

Subida de taxas de juros e longas maturidades no crédito à habitação: o rastilho que pode incendiar-se a qualquer momento

Uma das grandes preocupações do FMI tem a ver com o elevado nível de endividamento das famílias portuguesas, que pode ser algo crítico não apenas em momentos de “choques negativos de rendimentos” -  sobretudo devido às “longas maturidades dos empréstimos (33 anos em média), que se estendem pelos anos da reforma”; bem como num contexto de subida das taxas de juro - uma vez que, por exemplo, a grande maioria dos contratos de habitação no mercado nacional está indexada às Euribor (que variam e influenciam o valor final da prestação paga ao banco, afetando o esforço financeiro das famílias).

O fundo recorda em 2017 o saldo de crédito dos particulares se tornou positivo pela primeira vez desde 2011. Ou seja, os montantes dos novos empréstimos concedidos mais do que compensaram os valores que venceram, movimento que foi conduzido pelo aumento do crédito ao consumo e à habitação. Refere também a baixa taxa de poupança das famílias portuguesas, lembrando que no ano passado esta se fixou em apenas 5,4% do rendimento disponível.

“Estes desenvolvimentos traduzem-se num abrandamento do processo de desalavancagem”, avisa o FMI que acrescenta ainda na fórmula o elevado nível de endividamento privado. No ano passado, as dívidas das famílias portuguesas representavam 73,4% do Produto Interno Bruto (PIB), o que compara com um rácio de 56,2% da média da Zona Euro.

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