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Gracinha Viterbo e a arte dos interiores: “Um ambiente tem de ser inspirado por quem lá vive”

A magia de interpretar vidas através dos espaços, criando identidades e cenários únicos. Gracinha Viterbo, e o seu mundo cá dentro e lá fora, em entrevista ao idealista/news.

Gracinha Viterbo, uma das mais reconhecidas designers de interiores portuguesas
Gracinha Viterbo, uma das mais reconhecidas designers de interiores portuguesas
Autores: Leonor Santos, Tânia Ferreira

Gracinha Viterbo cresceu “com as mãos na massa, a visitar museus, antiquários (...) enquanto a mãe escolhia a matéria prima para os seus projetos”. Desde sempre ligada ao mundo da criação artística, fez carreira (cá dentro e lá fora) na arquitetura e design de interiores, recriando ambientes únicos e inimitáveis, desde hotéis a projetos residenciais. Herdou a Viterbo Interior Design, fundada nos anos 80 por Graça Viterbo (a sua mãe), e assumiu os destinos da empresa ao lado do marido, Miguel Vieira da Rocha, ao longo da última década. Para Gracinha Viterbo o design de interiores não é escolher tecidos e materiais bonitos, é a “arte de interpretar vida através dos espaços” até porque “um ambiente tem de ser inspirado por quem lá vive”, tal como diz em entrevista ao idealista/news. A pandemia, garante, veio reforçar esta ideia: trouxe a procura do conforto, da segurança, mas também um maior investimento em qualidade e na personalização dos espaços.

“Muitas pessoas que fugiam de si mesmas tiveram de se enfrentar e também enfrentar o seu reflexo na forma com viviam as suas casas. E muitas deram-se conta de que não se conheciam, que ao andarem sempre a correr tinham-se esquecido se de quem eram e que as casas não refletiam quem são hoje”, começa por explicar.

A designer de interiores conta que na sua empresa, a Viterbo ID, nunca pararam durante a pandemia – e houve necessidade até de reforçar a equipa. Desde clientes antigos, que quiseram acrescentar zonas de lazer ou ginásios em casas, até clientes novos, que saíram de outros países para vir viver para Portugal ou da cidade para o campo/praia, de apartamentos para casas com mais espaço e também com zonas exteriores. “A casa ganhou um protagonismo e uma diversidade de papéis a desenrolar que há muito não tinha”, considera.

Gracinha Viterbo cresceu, desde sempre, em “terreno fértil e livre”, determinada a trabalhar conceitos novos, fundamentais no seu processo criativo. Acima de tudo, pretende desmistificar o papel do design de interiores enquanto arte menor, acreditando que este pode ter um impacto emocionalmente positivo na vida das pessoas. Com a sua equipa, cria ambientes personalizados e “cenários de vidas reais” e, diz, não interessa se são 40 ou 10.000 metros quadrados (m2). Para esta especialista na arte dos interiores, a inspiração está em tudo, mas garante que o 'copy paste' das imagens conhecidas do Pinterest não cria espaços únicos e especiais. Gracinha defende que os ambientes têm de ser inspirados nas formas de vida das pessoas e que tem de haver um “tear estético e emocional que torna cada espaço poderoso”.

Como foi herdar um negócio e dar-lhe continuidade? O que continua a apaixoná-la no mundo da arquitetura e design de interiores? Em que é que se inspira? A que tipo de projetos se dedica? Como é que a pandemia impactou o negócio? O que é que mudou? Gracinha Viterbo responde a estas e outras questões em entrevista, por escrito, ao idealista/news.

Gracinha Viterbo
Gracinha Viterbo

A Gracinha cresceu “com as mãos na massa, a visitar museus, antiquários e a brincar às escondidas em pedreiras enquanto a mãe escolhia a matéria prima para os seus projetos”. Foi difícil herdar o negócio e dar-lhe continuidade?

Cresci em terreno fértil livre, onde sentia que tinha uma voz. Lembro-me da minha mãe me pedir opiniões em escolhas desde muito pequena e de alimentar a minha confiança em decisões estéticas. Cresci no meio de artistas e artesãos, uma família muito ligada à Arquitetura, à Cultura e às Artes. Viajei muito em família, aprendi a explorar o mundo e mais tarde comecei a viajar sozinha, indo a lugares onde pudesse complementar o que aprendia na universidade, em Londres, cidade onde comecei também a minha carreira. Trabalhei ainda vários anos com a minha mãe antes de haver a passagem de pasta e foi muito especial porque havia um interesse mútuo em aprender uma com a outra. Uma espécie de mentoria mútua, muito equilibrada, fruto da relação de comunicação e diálogo que sempre trabalhámos. 

A minha mãe não podia ter ficado mais feliz porque é a passagem natural duma empresa familiar que ela criou a pulso numa altura difícil, e superando todos os desafios que se colocavam a uma mulher empresária nos anos 1970/80/90

O meu marido, Miguel, esteve comigo, praticamente desde o início, e integrou a equipa numa altura em que a Viterbo Interior Design estava a crescer e precisava de se estruturar e fazer a evolução de estúdio/ atelier para empresa. Foi ele quem teve a visão de implementar a nossa internacionalização e todo o serviço profissional que oferecemos aos clientes hoje. A passagem deu-se de forma muito natural, mas com uma vontade e responsabilidade nossa de comprar a empresa à minha mãe. Trabalhei muito com o Miguel para implementar a Viterbo ID internacionalmente, para a posicionar e organizar de modo para que fosse uma mais valia nos projetos dos nossos clientes, projetos esses que realizamos em qualquer lugar no mundo, sempre dando palco ao que de melhor se faz em Portugal. Também por tudo isto, a minha mãe não podia ter ficado mais feliz, porque é a passagem natural duma empresa familiar que ela criou a pulso numa altura difícil, e superando todos os desafios que se colocavam a uma mulher empresária nos anos 1970/80/90, numa indústria que então ainda era muito masculina. A passagem oficial foi preparada com muito tempo e a Viterbo seguiu caminho, evoluindo para uma equipa multidisciplinar e um serviço de topo, que funciona de Norte a Sul de Portugal, como no resto da Europa, Ásia e mundo.

Que balanço faz destes anos dedicados à arquitetura e design de interiores?

O balanço é muito positivo. Passamos já duas crises, em 2008 e a pandemia, e posso dizer que estes momentos mostraram como o meu marido Miguel Vieira da Rocha, partner e CEO da Viterbo Interior Design, nos preparou e estruturou de modo a proteger os nossos clientes e os seus projetos em momentos delicados. Nunca parámos de trabalhar e, pelo contrário, até tivemos de contratar mais equipa durante a pandemia. Temos apostado na especialização em vários estilos e na formação de uma equipa internacional de profissionais de alta qualidade para dar resposta a uma multiplicidade de projetos, sejam públicos ou privados, de pequena ou grande dimensão, e em simultâneo.

Hotel Albatroz / Foto: cortesia Viterbo
Hotel Albatroz / Foto: cortesia Viterbo

A Viterbo Interior Design passou a ter artesãos 'in house' só para os nossos projetos, incluindo um atelier de estofo e cortinas, carpintarias, pinturas decorativas, serralheiros, o que nos faz dar um resultado mais assertivo e controlado a nível de 'budget' e prazos de A a Z no processo de um projeto. Temos também um departamento especializado em desenhos técnicos de arquitetura, iluminação e mobiliário e outro departamento de gestão de encomendas e controle de qualidade que tira todas as dores de cabeça a um cliente e coordena tudo até à instalação. Poder fazer do projeto uma experiência positiva para os nossos clientes é a nossa missão.

Desde estúdios de 40 m2 a casas com 10 mil m2, em Portugal e pelo mundo fora, garante que o entusiasmo e dedicação mantêm-se os mesmos. O que continua a apaixoná-la neste “universo”? 

Nestes últimos 20 anos esculpi uma fórmula holística, de modo a conhecer, analisar o espaço e os clientes com o objetivo de poder criar com a minha equipa ambientes personalizados, cenários de vidas reais, não só onde haja uma conexão a nível de identidade e estética mas sobretudo lugares que se tornem momentos empoderadores, que elevem a confiança e felicidade das pessoas que os vivem. A minha missão é elevar vidas através de espaços e, por isso, não interessa se são 40 metros quadrados (m2) ou 10.000 m2. O que interessa é a relação positiva que criamos com os nossos clientes e como quase todos voltam para outros projetos, e isso não podia ser mais gratificante.

A minha missão é elevar vidas através de espaços e por isso não interessa se são 40 m2 ou 10.000 m2.

Viveu e trabalhou vários anos no estrangeiro. Que influências trouxe desses tempos “lá fora”? 

Viajei e trabalhei mesmo muito e viajar e trabalhar com tantas nacionalidades, culturas, rituais de vida diferentes, formas de pensar diferentes, de ver as cores de maneira diferente, ajudou-me a desenvolver uma elasticidade mental enorme, a ganhar maior empatia e experiência em ouvir e analisar as pessoas e responder aos seus 'briefings' de forma muito personalizada. Na Viterbo cada projeto tem um estilo, cada cliente tem uma história, não só nos especializámos ao longo dos anos em vários estilos como criamos fórmulas de trabalhar em zonas tão diferentes do globo como África ou Ásia.

Penthouse Bangkok / Foto: cortesia Viterbo
Penthouse Bangkok / Foto: cortesia Viterbo

Para mim não há “lá fora”, há um planeta, há a beleza da diversidade, das várias religiões, culturas, estéticas e quanto mais nos abrimos a elas e ganhamos conhecimento da sua história, referências, rituais, superfícies, mais entendemos como vivem as pessoas, o que também nos dá mais ferramentas para trabalhar. Mais do que "cá dentro" ou "lá fora”, gosto de celebrar o “vazio”, porque é o princípio de tudo.

Em que é que se inspira para recriar ambientes únicos e inimitáveis? 

No início da minha formação profissional, no ambiente criativo intenso da minha universidade, a Central Saint Martins, havia uma frase muito presente, "you can find inspiration in everything, and if you can’t ... look again”. A inspiração está em tudo à nossa volta. A arte está em saber usá-la e executá-la de forma única e original. Hoje em dia vejo muito 'copy paste' de imagens conhecidas do Pinterest ou redes digitais que se repetem, são “fáceis”, mas a nossa arte dos interiores não é fazer 'copy paste', é criar histórias através de estilos e curadoria de peças quase como se fossem notas musicais numa pauta a criar uma música que só àquele cliente pertence.

(...) a nossa arte de interiores não é fazer 'copy paste', é criar histórias

Um ambiente tem de ser inspirado por quem lá vive, a sua história, a sua forma de viver, os seus rituais, o momento da vida em que está, o respeito na viragem de capítulo que é sempre um projeto de interiores e no espaço em si, o que o circunda, os aromas, as cores, a luz, os materiais, a música que lá se vai ouvir, etc. Só depois entram outros fatores que constroem esse guião. No início de um projeto, levo comigo sempre o meu vasto conhecimento estético e do mundo, mas também emocional e psicológico, porque penso que importante haver um tear estético e emocional que torna cada espaço poderoso a nível de ligação com quem lá vive. Algo que só os clientes que passam pela Viterbo entendem completamente.

Projeto em Fafe/ Foto: Francisco Almeida Dias
Projeto em Fafe/ Foto: Francisco Almeida Dias

Há uns anos disse que o "Design de interiores não é só escolher tecidos e coisas bonitas". Esta imagem já mudou (ou está a mudar)?

Não. Um dia disseram-me “tens tanta sorte, o teu trabalho é tão giro, é só escolher tecidos, móveis e cores” e eu sorri, mas sorri porque gostei da ilusão associada a esta arte dos interiores. Uma arte de interpretar vidas através dos espaços, de saber criar do nada identidades ao detalhe, uma mais-valia que empodera pessoas, momentos e memórias. É uma arte das proporções, de interpretação, de estética, sim, mas também de técnica, de saber comunicar em obra com as especialidades, os empreiteiros, os engenheiros, os carpinteiros. De saber delinear planos, programas e cumprir prazos de vários projetos ao mesmo tempo, com várias equipas. “O quê? Para aonde? Para quê?”, são as três perguntas-chave que marcam o ritmo e a coerência da criatividade e estética.

É uma arte das proporções, de interpretação, de estética, sim, mas também de técnica, de saber comunicar em obra com as especialidades, os empreiteiros, os engenheiros, os carpinteiros.

O design de interiores não é só escolher tecidos e materiais bonitos, é construir identidades, empoderar vidas e fazer acontecer música onde ela não existe, trabalhar a várias mãos, em vários projetos com dezenas de 'moodboards' em cima da mesa e conseguir que cada um destes projetos seja único à sua maneira.

Acredita que o design de interiores pode ter um impacto emocionalmente positivo na vida das pessoas. A pandemia veio reforçar esta ideia? Em que medida?

Acredito que cada profissional escolhe uma missão diferente nesta indústria. Há quem venda tecidos e móveis. Quem só se interesse pelo ego e assinatura que tem e não para a identidade do cliente. Há quem crie para os outros designers e não para pessoas, humanos e vidas que correm. Eu tenho um 'approach' holístico focado na identidade de cada cliente. Acredito que existe, sem dúvida, um impacto emocional neste processo que liga a vida a  um espaço e eleva a sensação de consciência de si.

A pandemia trouxe uma procura de conforto, de segurança, de sentido, e de construção de identidades mais autênticas

A pandemia veio ser um momento pivotante na história do design de interiores. As energias deixaram de se focar no exterior e passaram a focar-se no interior... em todos os sentidos. Muitas pessoas que fugiam de si mesmas tiveram de se enfrentar e também enfrentar o seu reflexo na forma com viviam as suas casas. E muitas deram-se conta de que não se conheciam, que ao andarem sempre a correr tinham-se esquecido se de quem eram e que as casas não refletiam quem são hoje. A pandemia trouxe uma procura de conforto, de segurança, de sentido, e de construção de identidades mais autênticas e também de maior investimento em qualidade e na personalização dos espaços. Houve uma maior consciência da importância de tratarmos de nós mesmos e dos lugares onde vivemos e acredito que isso veio para ficar.

Ardmore Park, Singapura / Foto: cortesia Viterbo
Ardmore Park, Singapura / Foto: cortesia Viterbo

Atualmente, a Viterbo ID dedica-se a que tipo de projetos? 

A Viterbo ID está neste momento com projetos residenciais em Portugal, Itália e Inglaterra e projetos de hotelaria em Portugal também.

Estes (novos) tempos de pandemia trouxeram mudanças em termos de novos perfis de procura e/ou tipo de projetos? De que forma impactaram o vosso negócio? 

Nunca parámos durante a pandemia. O facto de já estarmos habituados a trabalho remoto por termos tido escritórios em Luanda e Singapura foi uma óptima ferramenta para, de um dia para o outro, nos adaptarmos a trabalhar durante os confinamentos sem que isso afetasse o andamento de projetos. Nenhum projeto parou. Aliás, entraram mais projetos. Para os clientes foi importante recorrerem a uma empresa com estrutura, resposta e experiência em que pudessem confiar numa altura mais frágil mundialmente. Vários clientes antigos quiseram acrescentar zonas de lazer ou ginásios em casas, mas surgiram outros clientes novos que saíram de outros países para vir viver para Portugal ou da cidade para o campo/praia, de apartamentos para casas com mais espaço e também com zonas exteriores.

Que tipo de grandes alterações têm notado em termos de pedidos por parte dos clientes na hora de decorar uma casa (por exemplo) para responder às novas necessidades de habitação?

Não há só uma corrente. Tanto há os clientes que querem mais 'open plans', a famosa cozinha aberta para a sala com uma ilha e o espaço mais aberto possível, como há quem peça para compartimentar mais para poder haver mais espaços de trabalho em casa (escola em casa), com privacidade e conforto. Também há mais interesse nas varandas ou 'rooftops' e em espaço para ginásios ou zona de yoga/meditação, mesmo em apartamentos mais pequenos.

Também há mais interesse nas varandas ou 'rooftops' e em espaço para ginásios ou zona de yoga/meditação, mesmo em apartamentos mais pequenos.

Quais as grandes tendências do momento? 

Diria ser o 'open plan' com cozinha aberta para a sala com ilha. E mais investimento em casas de banho com verdadeira qualidade, bons duches, bons materiais. E muitos clientes querem trazer para a decoração um sentido de convite à viagem, de escape. Estão a pedir mais detalhes de conforto como mini bares no quarto por exemplo ou bares na sala. A casa ganhou um protagonismo e uma diversidade de papéis a desenrolar que há muito não tinha.

Há algum trabalho recente que gostasse de destacar?  

Tenho vários projetos que gostaria de destacar, infelizmente por serem privados muitos não posso fotografar, mas posso mencionar dois, um que entreguei há pouco tempo e outro que entrego nos próximos meses. O primeiro foi uma recuperação de dois anos e meio no Chiado, um palacete lindo com vista sobre o castelo e rio Tejo. Outro é o meu primeiro projeto em Itália, uma casa de campo na Toscana, também muito especial com recuperação e intervenção total Viterbo ID.

Palacete Chiado / Foto: cortesia Viterbo
Palacete Chiado / Foto: cortesia Viterbo

Qual foi o projeto que mais a desafiou até hoje? 

Uma casa privada de 10.000 m2 em Bangkok, na Tailândia.

Em que consiste o serviço de design exclusivo e personalizado com a “Assinatura Exclusiva da Gracinha Viterbo”? 

Na VID fazemos projetos 'turn key' de alta qualidade, de arquitetura de interiores e/ou de decoração, sempre serviços personalizados, dependendo do que o cliente precisa. Temos uma estrutura organizada - na criaçãoplaneamento, gestão de projeto, acompanhamento das encomendas, artesãos 'in-house', controle da qualidade e de prazos, execução e instalação - para dar resposta a todas as necessidades. Na nossa loja, Cabinet of Curiosities, no Estoril, temos um serviço de consultorias pontuais e serviço 'prêt-à-porter' [para quem quer consultoria de cor, por exemplo, representamos as tintas eco-friendly da Farrow & Ball], há uma seleção de tecidos, objetos e móveis para quem não precisando de um projeto, quer algo único e original.

Projeto em Fafe/ Foto: Francisco Almeida Dias
Projeto em Fafe/ Foto: Francisco Almeida Dias

A Cabinet of Curiosities é um “espaço fora da caixa”. Pode falar-nos um pouco sobre a loja e o que é que a distingue? 

Nasceu duma vontade antiga de criar um lugar único, com ambientes que convidassem a viagens e estilos diferentes, que provocasse uns e fosse o norte de outros. Um lugar para cabeças que têm horizontes largos, peças únicas, em pares ou em números limitados que normalmente são difíceis de encontrar. Um lugar que eleva o feito à mão e “com vagar” é sinónimo da qualidade e autenticidade portuguesa e não só.

Que projeto gostaria de fazer agora? “Fazer um barco” ainda é a resposta? 

Na verdade, já fiz. E foi uma óptima experiência que me ensinou muito sobre 'masterplanning' e especialização a nível de criar especificamente para um espaço com restrições tão concretas tecnicamente. Dedico-me de coração e alma a todos os desafios e projetos que me propõe desde que haja espaço para confiança, inovação, diálogo e orientação. Tenho vontade de aprofundar mais a direção criativa com marcas concretas da minha indústria com coleções assinadas por exemplo. Colaborações onde a minha experiência e criatividade possam acrescentar valor.

Qta do Lago / Foto: Frederic Ducout
Qta do Lago / Foto: Frederic Ducout