O acesso à habitação em Portugal está a deteriorar-se cada vez mais, num contexto de falta de oferta a preços acessíveis para os bolsos das famílias.
Os trabalhadores, antes da pandemia, iam para o escritório e regressavam a casa no final do dia, numa rotina diária que consumia, em muitos casos, bastante tempo. Essa era a regra. Hoje, com o incremento do trabalho flexível e com as empresas a apostarem em modelos híbridos, o cenário parece estar a mudar de figura. Ganha força a flexibilidade, que não é acompanhada pela mobilidade (de transportes). Paralelamente, os inflacionados preços das casas empurram muitas famílias para localizações mais afastadas dos centros urbanos. Será que, com esta conjugação de fatores, está a ganhar força a procura de espaços de trabalho descentralizados, mais distantes do "miolo" das cidades? E estarão as empresas, nomeadamente de trabalho flexível, atentas a esta tendência?
O Porto tem uma identidade própria, uma cultura e qualidade de vida que continuam a atrair famílias para viver, bem como para investir.
Mais do que um problema estrutural isolado, a crise da habitação em Portugal resulta da combinação de vários fatores.
O cenário macroeconómico para 2026 muito mudou nas últimas semanas devido ao impacto do conflito no Médio Oriente nos preços da energia. E todo este cenário poderá mesmo elevar a inflação na zona euro e travar o crescimento económico europeu. Estas não são boas notícias para as famílias e investidores em imobiliário. Este contexto de elevada incerteza poderá “tornar a procura de crédito e investimento imobiliário mais cautelosa, condicionada pela evolução das tensões geopolíticas”, antecipa ao idealista/news Luísa Sá Carneiro, Diretora de Corporate e Assessoria Patrimonial do Banco Carregosa, entidade fundada no Porto em 1833.
O imobiliário tem atraído muitos investidores nos últimos anos em Portugal, sendo considerado um setor interessante pela rentabilidade que oferece, além de ser visto como uma peça-chave segura na construção de património a longo prazo.
A história tem mostrado que os investidores imobiliários tendem a procurar mercados mais seguros - como Portugal - em períodos de maior instabilidade internacional.
A escalada da guerra no Irão no final de fevereiro fez disparar a incerteza mundial para novos patamares.
A casa não é apenas um espaço físico, é um espaço mental e sensorial. É feita de várias dimensões e incorpora nela um ambiente emocional, cognitivo e fisiológico que influencia diretamente o bem-estar de quem lá vive ou visita.
Depois de ter vencido com o maior número de votos de sempre a segunda volta das eleições presidenciais 2026, contra André Ventura, o socialista António José Seguro prepara-se para assumir o cargo de Presidente da República a 9 de março - exatamente no dia em que faz 40 anos da tomada de posse de Mário Soares. E uma das grandes prioridades do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém passa por garantir o acesso à habitação enquanto direito fundamental, numa altura em que os preços das casas estão a subir a níveis recorde e há falta de oferta para as famílias e jovens.
Recebe os nossos artigos mais recentes no seu endereço eletrónico Subscrever