O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, disse esta segunda-feira, dia 2 de fevereiro de 2026, que empresas de construção civil vão concentrar na região Centro trabalhadores que estavam noutros pontos do país para a reconstrução das zonas afetadas pelo mau tempo, numa altura em que Portugal vai investir cerca de 171 milhões de euros anuais em medidas de adaptação às alterações climáticas, o que representa apenas 43% do valor necessário para se proteger contra fenómenos meteorológicos extremos, segundo o instituto McKinsey.
“Já há escassez de mão de obra na área da construção civil no país inteiro. Apesar disso, eu acho que todo o país se sente solidário com o que está aqui a acontecer e, portanto, as grandes empresas de construção civil que aqui estiveram, esta segunda-feira, mostraram essa disponibilidade para trazer trabalhadores que estavam a trabalhar noutras regiões e que vão ser concentrados aqui na região Centro”, afirmou aos jornalistas Castro Almeida.
O governante falava após uma reunião, em Leiria, com o ministro das Infraestruturas, vários secretários de Estado, construtoras, associações empresariais, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, diversas comunidades intermunicipais, Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), os presidentes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e o responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin.
Segundo o ministro, “isso significa que alguns trabalhos vão ficar para trás, vão atrasar-se”, mas “é inevitável que assim seja”.
“A noção que transmitiram as empresas de construção civil é que vai haver pessoas suficientes para fazer o trabalho”, referiu.
Castro Almeida adiantou que na reunião foi abordada também a forma como levar para o terreno a recuperação dos edifícios, mas, principalmente, “evitar a degradação maior do mal que já está feito”.
Nesse sentido, salientou ser necessária “uma intervenção de emergência para impedir o agravamento daquilo que já está”, explicando que essa será suportada pelo Estado.
O governante acrescentou que se falou também sobre “formas de impedir alguma especulação de preços que comece a surgir e para fazer aprovisionamentos necessários” dos materiais e equipamentos necessários.
Questionado sobre o tempo que vai demorar para reerguer esta região, Castro Almeida respondeu “muitos e muitos meses de trabalho, porque há estruturas que ficaram quase completamente destruídas”.
“É como construir de novo”, declarou, reiterando que os prejuízos serão superiores a dois mil milhões de euros.
Já o responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin, Paulo Fernandes, sublinhou que têm pela frente “uma agenda ultra urgente”, para impedir uma maior degradação, estimando, por isso, que o tempo de vida deste organismo seja o mais breve possível.
“A questão central é que ela viverá enquanto for necessária, mas seguramente também deixará de funcionar, e esperemos que o mais depressa possível, no dia que ela não for necessária”, vincou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Portugal tem de investir o dobro para se proteger contra fenómenos meteorológicos
“Portugal investe atualmente cerca de 200 milhões de dólares (171 milhões de euros) por ano em medidas de adaptação às alterações climáticas, um valor que corresponde apenas a 43% do investimento necessário para proteger o país dos impactos dos fenómenos meteorológicos extremos aos padrões das economias desenvolvidas”, concluiu o McKinsey Global Institute (MGI), no estudo ‘Advancing adaptation: Mapping costs from cooling to coastal defenses”.
Ainda assim, conforme apontou, em comunicado, o montante investido por Portugal está 10 pontos percentuais acima da média global.
Um quarto do país está atualmente exposto a riscos climáticos, como cheias, incêndios florestais e seca, o que abrange cerca de 7% da população portuguesa.
Segundo esta análise, 22% da linha costeira está protegida nas zonas expostas a cheias e 30% das linhas elétricas encontram-se enterradas em áreas de risco de incêndio.
Num cenário de aquecimento global de 1,5º C previsto para 2030, cerca de 95% da população poderá estar exposta a riscos climáticos.
Esta percentagem sobe para 96%, em 2050, num cenário de aquecimento global de 2ºC.
“Para responder a este nível de exposição, o custo atual de adaptação em Portugal poderá aumentar para cerca de 2.000 milhões de dólares (cerca de 1.700 milhões de euros) por ano até 2050, o equivalente a dez vezes o investimento atual”, alertou o instituto.
Grande parte (68%) deste valor está relacionada com a adaptação a ondas de calor e seca.
Mesmo que os níveis de proteção fiquem inalterados, o investimento de Portugal cobrira pouco mais de metade (52%) das necessidades futuras.
Este estudo tem por base uma análise geoespacial e a avaliação de 20 medidas de adaptação, como soluções de arrefecimento e irrigação e infraestruturas de proteção.
A nível global, são investidos cerca de 190.000 milhões de dólares (160.315 milhões de euros) anuais na adaptação climática para proteger 1.200 milhões de pessoas.
Contudo, hoje vivem expostas a riscos climáticos 4.100 milhões de pessoas, o que implicaria um investimento anual de 540.000 milhões de dólares (cerca de 456.000 milhões de euros).
Tendo em conta o mesmo cenário de aquecimento de 2ºC até 2050, os custos de adaptação podem atingir os 1,2 biliões de dólares por ano, seis vezes acima do atual investimento.
*Com Lusa
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