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Mercado imobiliário nos EUA enfrenta milhões de casas vazias com mudança geracional

Gtres
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Autor: Redação

O mercado imobiliário da maior economia do mundo pode deixar milhões de casas vazias, nos próximos anos, devido à grande mudança geracional que já está a começar a viver-se. Nem a Geração X, nem os 'millennials', são capazes de superar o poder demográfico da geração “Baby Boom” nos EUA. Mas outros fatores contribuem para essa realidade, como o facto de essas gerações terem outro conceito de lar e modo de vida, além da capacidade económica para conseguir ter acesso a uma casa.

As expectativas do setor imobiliário para os próximos anos no mercado norte-americano alertam para um possível excesso de oferta e procura de casa cada vez menor. E tudo pode ser explicado por uma questão matemática de demografia. A geração “Baby Boom”, nascidos depois da Segunda Guerra Mundial e finais dos anos 60, deu um grande impulso à economia do país e à necessidade de construir milhões de casas. Muitas delas dentro do estilo tradicional americano de bairros-dormitório na periferia dos grandes centros urbanos.

No entanto, espera-se que nos próximos 10 anos (2017-2027) cheguem ao mercado, para venda, até nove milhões de casas onde esses “Baby Boomers” vivem agora – simplesmente porque morrem ou mudam-se para a casa dos filhos ou lar de idosos. O mercado será capaz de absorver essa quantidade de casas? O valor pode aumentar ainda mais até 2037, chegando aos 21 milhões de casas vazias.

Millennials e Geração X são menos proprietários

Não há nenhuma geração capaz de igualar a população “Baby Boom”. A Geração X, para os nascidos entre finais dos anos 60 e inícios dos anos 80, e os seguintes, os "millennials", vivem no seio de outro tipo de famílias, com menos membros.

De acordo com os dados do Urban Institute, os “millennials” com idades entre os 25 e 34 anos possuem menos casas que as duas gerações anteriores, quando tinham a mesma idade. Vários estudos confirmam que até 70% dos "millennials" e 50% da Geração X gostariam de ter uma casa. Apesar disso, o mesmo estudo confirma que apenas 40% dos “millennials” e metade da Geração X estão a poupar para comprá-la.

Estas gerações têm outros modos de viver e de encarar a vida. Muitas nem sequer pretendem viver na mesma casa que os pais ou irmãos, quando têm outras preferências e costumes. É claro que as gerações mais novas preferem viver em áreas metropolitanas, mesmo que sacrificando o espaço, sendo menor, mas mais moderno. Outros, inclusive, preferem arrendar em vez de comprar, porque não querem arcar com os custos de ter uma casa própria.

Economia leva a novas formas de vida

Para tudo isso contribuem, ainda, os fatores económicos, como o preço das casas e o custo de vida. O salário e custo de vida suportado por alguém da “Geração X” ou “millennials” não são os mesmos da geração “Baby Boom” na idade deles.

Quem compra uma casa pela primeira vez paga até 39% mais que há quase 40 anos, de acordo com o Student Loan Hero. Somente 13% dos inquilinos 'millennials' poderiam ter capacidade para economizar os 20% tradicionais de entrada para uma casa nos próximos cinco anos. As gerações mais jovens estão a dar-se conta que o investimento numa casa já não significa o mesmo que para as gerações anteriores.