A humidade é um dos problemas mais comuns, e mais persistentes, nas casas portuguesas. Aparece em paredes, tetos, pavimentos e mobiliário, muitas vezes de forma silenciosa, até se tornar impossível de ignorar. Manchas, bolor, tinta a descascar ou um cheiro constante a mofo são apenas os sinais mais visíveis de um problema que, quando não tratado corretamente, compromete o conforto, a salubridade da casa e o próprio valor do imóvel.
Quando chega a altura de fazer obras, escolher materiais resistentes à humidade deixa de ser uma opção estética e passa a ser uma decisão estrutural. Não basta “aguentar água”: os materiais têm de permitir a respiração das paredes, resistir ao uso diário e manter o seu aspeto ao longo do tempo. Saber quais escolher, e onde aplicá-los, é essencial para evitar soluções temporárias que acabam por sair caras.
- A humidade exige escolhas diferentes
- Cerâmica: resistência comprovada e versatilidade
- Pedra natural: beleza durável, com cuidados específicos
- Microcimento e revestimentos contínuos
- Tintas minerais e respiráveis
- Rebocos e argamassas desumidificantes
- Madeira: possível, mas com critério
- Pavimentos vinílicos e compósitos
- Vidro e metais tratados
- Que materiais usar em cada divisão?
A humidade exige escolhas diferentes
Nem todas as casas enfrentam a humidade da mesma forma. Em apartamentos, surge muitas vezes associada à condensação, falta de ventilação ou pontes térmicas. Em moradias, pode estar ligada à humidade ascendente, infiltrações ou contacto direto com o solo. Já nas casas mais antigas, os materiais tradicionais nem sempre são compatíveis com soluções modernas mal aplicadas.
É aqui que muitos erros acontecem. Materiais demasiado impermeáveis aplicados sobre paredes húmidas impedem a evaporação natural da água, agravando o problema em vez de o resolver. Por isso, escolher materiais resistentes à humidade não é apenas optar pelos mais “duros”, mas pelos mais adequados ao tipo de construção e ao contexto da casa.
Cerâmica: resistência comprovada e versatilidade
A cerâmica continua a ser um dos materiais mais resistentes à humidade e um dos mais usados, muito devido a:
- Baixa absorção de água, fácil limpeza e durabilidade.
- Ideal para cozinhas, casas de banho e lavandarias.
- Gres porcelânico resistente a manchas, temperatura e disponível em imitações de madeira ou pedra.
- Aplicação: juntas bem seladas, colas adequadas e base preparada.
Pedra natural: beleza durável, com cuidados específicos
A pedra natural é frequentemente associada a durabilidade e solidez — e com razão. Granito, ardósia ou quartzito apresentam excelente resistência à humidade, desde que devidamente tratados. São materiais particularmente indicados para pavimentos, zonas de duche, bancadas e áreas de transição entre interior e exterior.
No entanto, nem toda a pedra reage da mesma forma à água. Materiais mais porosos, como o mármore ou o calcário, exigem tratamentos de impermeabilização regulares para evitar manchas e degradação. Quando bem escolhida e corretamente aplicada, a pedra natural alia resistência, elegância e longevidade.
Microcimento e revestimentos contínuos
Nos últimos anos, o microcimento ganhou espaço como solução para ambientes húmidos, sobretudo em casas de banho e cozinhas.
- Sem juntas, reduz pontos de infiltração.
- Fácil manutenção e visual uniforme.
- Requer aplicação profissional e selagem correta.
Tintas minerais e respiráveis
Pintar uma parede húmida com tinta plástica convencional é um erro clássico. Estas tintas criam uma película impermeável que impede a parede de respirar, levando ao aparecimento de bolhas, descamação e bolor.
As tintas minerais, como as tintas de silicato ou à base de cal, são uma alternativa muito mais adequada. Permitem a evaporação da humidade, têm propriedades naturalmente antifúngicas e são particularmente indicadas para paredes antigas ou com problemas recorrentes de humidade. Além disso, contribuem para um ambiente interior mais saudável, com melhor qualidade do ar.
Rebocos e argamassas desumidificantes
Quando a humidade está presente nas paredes, sobretudo sob a forma de humidade ascendente, não basta mudar o acabamento final. É essencial tratar a base. Os rebocos e argamassas desumidificantes têm características muito valiosas, como:
- Absorvem e libertam humidade de forma controlada, evitando que esta se manifeste à superfície.
- Materiais porosos, compatíveis com construções antigas e fundamentais em intervenções de reabilitação.
Aplicados corretamente, ajudam a estabilizar as paredes e criam uma base adequada para acabamentos respiráveis.
Madeira: possível, mas com critério
A madeira não é, à partida, o material mais óbvio para ambientes húmidos, mas isso não significa que deva ser excluída. Algumas das caraterísticas a ter em conta são:
- Madeira resistente: teca, iroko ou carvalho tratado.
- Evitar contacto direto com água; usar tratamentos adequados.
- Alternativa: pavimentos vinílicos ou cerâmicos que imitam madeira.
Pavimentos vinílicos e compósitos
Os pavimentos vinílicos evoluíram muito nos últimos anos. As versões de alta qualidade são resistentes à água, estáveis e confortáveis ao toque, tornando-se uma solução interessante para cozinhas, lavandarias e até casas de banho.
Fáceis de instalar e manter, oferecem boa resistência à humidade e são uma alternativa prática para quem procura rapidez de execução e um custo controlado. Ainda assim, a qualidade do produto e da instalação é determinante para evitar deformações ou infiltrações nas juntas.
Vidro e metais tratados
Em ambientes húmidos, o vidro é um aliado óbvio. Resistente à água, fácil de limpar e visualmente leve, é amplamente utilizado em resguardos de duche, divisórias e até revestimentos decorativos.
Já os metais devem ser escolhidos com cuidado. Aço inoxidável, alumínio anodizado ou latão tratado apresentam boa resistência à humidade, ao contrário de metais comuns que oxidam facilmente. A escolha correta evita manchas, corrosão e substituições prematuras.
Que materiais usar em cada divisão?
Em zonas expostas à humidade constante, como casas de banho, cozinhas e lavandarias, investir em materiais adequados não é um luxo, mas uma necessidade. Poupar na base quase sempre resulta em custos mais elevados a médio prazo.
Já em zonas menos críticas, é possível equilibrar orçamento e desempenho, desde que se respeitem as características do espaço e a ventilação existente.
Casa de banho, prioridade máxima de resistência à água e vapor
Revestimentos cerâmicos ou grés porcelânico nas zonas de duche
Pedra natural tratada (granito, quartzito) em pavimentos
Microcimento devidamente selado
Tintas minerais ou à base de cal nas zonas não revestidas
Móveis com painéis hidrófugos (MDF hidrófugo ou contraplacado marítimo)
Metais inoxidáveis ou com tratamento anticorrosão
Cozinha, resistência à condensação, gordura e vapor
Azulejo ou grés porcelânico na zona entre bancada e armários
Bancadas em quartzo, granito ou compacto cerâmico
Pavimento vinílico de alta qualidade ou cerâmica
Tintas laváveis respiráveis nas restantes paredes
Lavandaria, exposição frequente a vapor e pequenas fugas de água
Pavimento cerâmico ou vinílico resistente à água
Rodapés impermeáveis
Paredes com tinta respirável anti-fungo
Armários com material hidrófugo
Sala e quartos, humidade indireta e pontes térmicas
Rebocos desumidificantes se houver histórico de humidade
Tintas minerais ou de silicato
Pavimentos flutuantes com barreira anti-humidade adequada
Rodapés resistentes à absorção de água
Exterior e zonas de transição, chuva direta e variações térmicas
Grés porcelânico exterior antiderrapante
Pedra natural resistente
Microcimento exterior técnico
Caixilharias com corte térmico
Tratamento adequado de juntas e impermeabilizações
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