Escreve há mais de 20 anos. Passou por redações, publicou cinco livros e criou projetos digitais pioneiros. Mãe de quatro, apaixonada por arquitetura e por histórias de casas, pessoas e lugares, conta-as em formato multimédia no idealista/news.
Imagina que assinas a escritura, recebes as chaves, e meses depois, quando vais tratar de um seguro ou pedir crédito para obras, descobres que a casa nunca teve licença de utilização.
O pai tinha uma empresa de construção e, desde miúdo, era nas obras que ele passava os dias. Não sabia o nome do que queria ser. Sabia só que queria "desenhar casas". Foi uma professora da primária que pôs palavra naquilo: arquiteto.
Hoje quem procura uma casa de luxo em Portugal, seja em Cascais, no Porto, na Comporta ou em territórios emergentes como o Minho e a Costa Vicentina, quer discrição, assinatura e uma experiência quotidiana que justifique o investimento.
O negócio imobiliário de luxo tem mudado as suas exigências. Hoje quem assina um cheque de vários milhões por um imóvel quer jogar ténis numa academia com a chancela de um campeão, treinar padel num court que parece de competição, ter um centro equestre de nível olímpico do outro lado da rua.
Os pais eram contabilistas, números, rigor, contas certas. Mas eram estes mesmos pais que enchiam a casa de música, cinema sempre presente, ambientes que se construíam à volta das histórias.
Quem compra uma casa antiga sabe que está a comprar duas coisas: um conjunto de pormenores que já não se fazem - o pé-direito alto que enche a divisão de luz, o soalho de tábua larga que estala quando passas, os azulejos da cozinha, os estuques trabalhados no teto.Por outro, uma lista de problemas e
Um T1 tem um problema: a mesma divisão onde tomas o pequeno-almoço é onde trabalhas, onde recebes um amigo ao fim da tarde e, muitas vezes, onde dormes.
As imperfeições da madeira podem ser poesia: o nó que interrompe a fibra, a mancha de tonalidade que escapa ao padrão, o veio que muda de direção sem pedir licença.
Tiras a t-shirt ao fim de um dia de praia e lá estão elas, as marcas à volta da gola e nos ombros, no sítio exato onde espalhaste o creme antes de te vestires.
Recebe os nossos artigos mais recentes no seu endereço eletrónicoSubscrever