Cortinas iguais: o erro que estraga até os interiores mais elegantes

O segredo é identificar um ou mais elementos recorrentes: um detalhe, um acabamento, uma paleta, a repetir com coerência.
As cortinas devem ser todas iguais?
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As cortinas têm um papel bem mais importante do que se imagina: além de filtrarem a luz, ajudam a definir o estilo e a atmosfera de cada divisão. Por isso, na hora de as escolher, surge a dúvida: devem as cortinas ser todas iguais em casa ou é melhor variar? 

Não há uma regra universal. A solução mais interessante passa por pensar num conjunto coordenado, com tecidos, cores e acabamentos que dialoguem entre si, adaptando-se às características de cada espaço.

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As cortinas têm mesmo de ser todas iguais?

As cortinas devem ser todas iguais?
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Do ponto de vista legal, na maioria dos casos não têm de ser iguais. Não há qualquer lei que obrigue a usar o mesmo modelo na cozinha, no quarto, na sala e na casa de banho. As escolhas de decoração interior ficam ao teu critério, desde que não prejudiquem a segurança (por exemplo, obstruindo janelas de emergência).

A questão muda quando as cortinas são visíveis do exterior. Aqui entram fatores a não ignorar:

  • O regulamento do condomínio pode impor cor, padrão ou modelo para toldos, estores exteriores ou cortinas expostas nas fachadas — algo comum nos prédios portugueses regidos pela propriedade horizontal.
  • Em edifícios históricos ou zonas classificadas (como as áreas de intervenção da Baixa lisboeta, do centro do Porto ou de Évora), há muitas vezes indicações precisas sobre tonalidades, materiais e até dimensão dos toldos.
  • Dentro do apartamento, pelo contrário, podes escolher livremente tecidos, cores e sistemas de abertura, sem que tenham de coincidir de divisão para divisão.

Coerência e harmonia: sem copiar tudo

As cortinas devem ser todas iguais?
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Muita gente acredita que uma casa arrumada exige cortinas todas iguais. Na verdade, a coerência visual não nasce da cópia idêntica, mas de escolher elementos recorrentes que se repetem de divisão em divisão. O objetivo não é uniformizar tudo, mas criar uma "família" de cortinas que falem a mesma língua:

  • Repetir um elemento recorrente: o mesmo tipo de tecido, um debrum ou um acabamento que regressa em várias divisões.
  • Manter uma paleta cromática coerente, jogando com tonalidades diferentes dentro da mesma família de cores.
  • Usar o mesmo tipo de cortina (franzida, de onda, de rolo) numa zona da casa, para dar continuidade visual mesmo com tecidos distintos.

Critérios para escolher cortinas diferentes em cada divisão

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Cada divisão tem uma função e pede um tipo de cortina:

  • Sala luminosa: melhor cortinas filtrantes, em linho ou mistura, combinadas com um véu leve. Um duplo folho permite modular a luz ao longo do dia. Numa cozinha aberta para a sala, faz sentido usar cortinas iguais ou muito semelhantes nas duas zonas. Para aprofundar o tema, tens sugestões neste guia sobre cortinas modernas para a sala de estar.
  • Quarto virado a sul: compensam tecidos opacos ou blackout, pelo menos como segunda camada, para favorecer o sono e reduzir o calor nas horas mais quentes, um pormenor útil nos verões portugueses.
  • Quarto virado a norte: tecidos claros e leves, que deixem entrar o máximo de luz. Aqui, cortinas iguais às do quarto a sul arriscam tornar o ambiente demasiado escuro.
  • Cozinha: materiais práticos, laváveis e resistentes ao vapor, que não retenham odores nem gordura. Soluções de rolo ou estore romano deixam a bancada livre.
  • Casa de banho: tecidos resistentes à humidade e que garantam privacidade. Evita materiais delicados e comprimentos que toquem no chão.
  • Escritório em casa: sistemas que reduzam reflexos nos ecrãs, como cortinas de rolo filtrantes.

Espaço aberto vs. divisões separadas

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  • Num espaço aberto (sala com zona de refeições e cozinha à vista), faz sentido usar cortinas relativamente homogéneas, pelo menos nas janelas que partilham o mesmo ambiente, a repetição de tecidos e cores unifica as funções num único volume. 
  • Em divisões fechadas e bem separadas, é muitas vezes contraproducente ter tudo igual: convém escolher o grau de filtragem, o tecido e a tonalidade em função da orientação e luz de cada janela, das necessidades de privacidade (rés do chão sobre a rua, último andar) e do estilo dos móveis já presentes. 

Como obter harmonia sem cortinas todas iguais

A chave é identificar um ou mais elementos recorrentes: um detalhe, um acabamento, uma paleta, a repetir com coerência. Por isso tens três caminhos:

  • Cortinas diferentes com um detalhe em comum: um debrum monocromático que regressa em cada divisão, uma passamanaria discreta igual em todo o lado, presilhas do mesmo material, ou varões e calhas coordenados no acabamento (branco mate, preto, aço, latão acetinado).
  • Cor diferente, tecido igual: o mesmo linho, algodão ou mistura técnica em vários espaços, variando apenas a tonalidade, mais quente no quarto, mais neutra no escritório, mais luminosa na sala, mantendo o mesmo tipo de franzido.
  • Jogar com o mesmo gradiente de cor: uma única família cromática em várias nuances. O branco é o melhor exemplo, com variantes muito distintas: branco leite (suave, para o quarto), branco ótico (limpo, para espaços minimais), branco marfim (quente, para a sala) ou branco fumo (com uma ponta de cinza, para ambientes de inspiração nórdica).

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