Bungalow dos anos 60 ganha nova vida num bosque situado na Bélgica

Num bosque em Sint‑Martens‑Latem, perto de Ghent, um bungalow foi totalmente reinventado pelo atelier belga Decancq Vercruysse.
Bungalow
Eric Petschek

Quintas‑feiras são sinónimo de casa de sonho no idealista/news, mas isso não tem de significar ostentação ou metros quadrados sem fim. Há casas que encantam precisamente pela história que carregam e pelo tempo que lhes ficou preso nas paredes. É o caso deste discreto bungalow dos anos 60, escondido num denso bosque em Sint‑Martens‑Latem, bem perto de Ghent, Bélgica, que acaba de ganhar uma segunda vida sem perder o seu encanto original.

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A arquitetura residencial de meados do século XX tem um charme difícil de repetir e, com a intervenção certa, transforma‑se numa verdadeira joia no mercado imobiliário de hoje. 

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Aqui, o atelier belga Decancq Vercruysse foi buscar essa memória e trabalhou-a. Restaurou cuidadosamente as fachadas para preservar a essência da casa térrea e, por dentro, levou a cabo uma transformação espacial completa a partir do seu esqueleto estrutural. O resultado é uma moradia pensada para o quotidiano de uma família jovem, totalmente adaptada ao estilo de vida contemporâneo, mas com um claro piscar de olho à estética dos anos em que nasceu.

Entre a vida social e a privacidade

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Os arquitetos perceberam que, embora a estrutura base do imóvel estivesse num excelente estado de conservação, a distribuição interior precisava claramente de ser repensada. Por isso, o primeiro passo foi reposicionar a entrada principal.

Originalmente virada para o jardim nas traseiras, a porta de acesso foi deslocada para a fachada oposta, voltada diretamente para o bosque. Esta decisão ajuda a preservar a privacidade do terreno face a olhares indiscretos e cria, ao mesmo tempo, uma chegada muito mais cénica, através de enormes lajes que funcionam como degraus, perfeitamente integradas na paisagem natural.

No interior, esta alteração do acesso abriu a oportunidade para reorganizar a casa de forma lógica e funcional. Sendo um bungalow, era crucial garantir uma transição suave entre as zonas de dia e as zonas de noite. O antigo átrio de entrada foi, de forma muito inteligente, transformado num espaço flexível, que pode funcionar como zona de trabalho ou sala de jogos, equipado com uma grande secretária rebatível.

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Este elemento de mobiliário feito à medida funciona como um mediador, separando o bulício das áreas sociais da tranquilidade da ala dos quartos.

A planta foi deixada em open space, unificando cozinha, sala de estar e zona de jantar. O eixo que estrutura este grande espaço é uma imponente lareira central, com um parapeito de tijolo pintado de branco que se projeta em consola em três direções, organizando os diferentes usos da sala à sua volta e assumindo‑se como o verdadeiro coração da casa.

Uma viagem aos anos 60 com o conforto do século XXI

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O sucesso de uma reforma integral mede‑se, sobretudo, pela fluidez dos espaços e pela escolha dos materiais. O projeto de interiores desenhado pelo atelier é claramente contemporâneo, mas as formas, as texturas e os acabamentos prestam homenagem aos detalhes arquitetónicos dos anos 60, alcançando uma coerência muito fina entre o que é antigo e o que é novo.

O tijolo à vista pintado de branco assume o protagonismo na grande lareira central e surge como elemento recorrente, em diálogo com o tratamento das fachadas exteriores. Desta forma, esbate‑se a fronteira entre o interior da casa e o bosque que a envolve, reforçando aquela sensação de que tudo faz parte do mesmo cenário.

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O trabalho de marcenaria merece uma menção à parte: toda a carpintaria, feita à medida, foi executada em afrormósia, uma madeira de tom escuro e veio elegante, muito semelhante à teca. Para reforçar essa estética mid‑century, os arquitetos aplicaram um brilho subtil aos acabamentos, uma técnica típica da época que confere aos espaços uma sofisticação inegável.

Este material contrasta com os apontamentos em aço inoxidável presentes na cozinha e nas casas de banho, onde sobressaem peças de desenho marcantes, como um par de móveis de lavatório gémeos, de clara inspiração retro, e prateleiras flutuantes.

Para pavimentar a casa e delimitar visualmente os diferentes ambientes sem recorrer a paredes, optou‑se por um jogo de texturas no chão, alternando elegantes ladrilhos quadrados em pedra com zonas de alcatifa, que acrescentam conforto térmico e acústico, além de uma sensação extra de aconchego.

A nova planta da casa acomoda três quartos amplos. A suíte principal dispõe de uma casa de banho em que uma parede envidraçada permite aos proprietários desfrutar de um relaxante banho com vistas totalmente desimpedidas para a imensidão do bosque.

Por fim, um pormenor curioso no exterior: um “chapéu” singular sobre uma das chaminés exteriores, pensado para enfatizar a sua verticalidade, funciona quase como um pequeno gesto escultórico que remata o conjunto.

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