Casa Marvila: "Gostamos que as pessoas imaginem o que podem criar aqui"

Um espaço criativo e autêntico, transformado em negócio. Atrai criativos e marcas, tendo sido palco de todo o tipo de produções.
Casa Marvila
Casa Marvila

Há lugares feitos de uma linguagem própria, onde a estética não é neutra nem genérica, mas carregada de significado. Muitas vezes, não é necessário acrescentar muito: o espaço já diz o suficiente. A Casa Marvila, situada num dos bairros mais criativos de Lisboa, é um exemplo disso, ao afirmar uma identidade singular onde os formatos raramente se repetem. Desde eventos privados, ativações de marcas, sessões fotográficas, filmagens, lançamentos de produtos ou produções culturais, tornou-se uma “casa” que convida à criação. Lou Couvreur, responsável pelo projeto, partilha com o idealista/news por que é que este espaço é tão especial. 

As suas raízes encontram-se na ‘Little Chelsea Experience’, uma galeria de arte dedicada à fotografia musical – criada pela sua mãe –, cuja herança continua presente nas paredes e na atmosfera do local. A Casa Marvila reúne agora dois ambientes distintos, a Galeria Loft e a Casa Patio, que partilham a mesma identidade, mas oferecem diferentes formas de viver e imaginar um espaço.

Publicidade

É um local intimista que cruza arte, cultura e experiências. Mas é, sobretudo, um lugar pensado para responder a necessidades concretas de produção, comunicação e negócio. A Casa Marvila serve marcas, equipas criativas e clientes que procuram um enquadramento diferente para apresentar produtos, desenvolver campanhas, organizar eventos ou produzir conteúdos, criando um ambiente onde diferentes universos se encontram e se transformam.

Em conversa com o idealista/news, Lou Couvreur explica como é que um projeto familiar se transformou num dos espaços mais originais da capital. Mais do que um cenário, apresenta-se como um lugar com história e personalidade: "A Casa Marvila foi construída na intersecção destas duas dimensões: a intimidade de um local à escala humana e a riqueza de um ambiente que já possui a sua própria personalidade".

Casa Marvila
Casa Marvila

Como definiria a Casa Marvila?

Definiria a Casa Marvila como um espaço criativo e versátil, concebido para acolher eventos, produções e projetos de todo o tipo num ambiente que já possui uma identidade forte.

Hoje, a Casa Marvila reúne dois espaços distintos, mas complementares: a Galeria Loft, uma antiga galeria de arte de espírito industrial, e a Casa Patio, uma casa mais intimista com o seu pátio e os seus espaços exteriores. Juntos, permitem acolher eventos privados, ativações de marcas, lançamentos de produtos, sessões fotográficas, filmagens e produções audiovisuais.

Mas, além da sua função, a Casa Marvila é, acima de tudo, um lugar que se torna nosso. Cada projeto traz a sua própria energia e a sua própria visão. Gostamos da ideia de que as pessoas que atravessam a porta possam imediatamente projetar-se e imaginar o que poderiam criar ali.

Mais do que um simples espaço para arrendar, é um local com uma história, uma atmosfera e uma personalidade, que se torna o terreno de expressão daqueles que nele investem.

"Mais do que um simples espaço para arrendar, é um local com uma história, uma atmosfera e uma personalidade"

Qual foi a ideia original por trás deste espaço e como é que ele evoluiu para este local híbrido?

Inicialmente, o local era gerido pela minha mãe, que ali criou uma galeria de arte chamada 'Little Chelsea Experience', instalada no espaço hoje conhecido como Galeria Loft. A galeria dedicava-se principalmente à fotografia ligada ao mundo da música. Representávamos fotógrafos como Allan Tannenbaum, Baron Wolman ou Michael Grecco, cujas obras retratam figuras emblemáticas como Andy Warhol, Jimi Hendrix, Patti Smith, Lou Reed ou ainda os Rolling Stones.

Além das exposições, o espaço acolhia também concertos, encontros e diversos eventos culturais. A galeria continua a existir hoje através da sua atividade de venda de obras, e as fotografias continuam a ocupar as paredes dos dois espaços. Este legado artístico permanece no cerne da identidade do projeto.

Com o tempo, constatámos que a experiência proporcionada pela galeria ultrapassava naturalmente o âmbito das exposições. As pessoas vinham descobrir as obras, mas também assistir a concertos, participar em encontros ou simplesmente desfrutar da atmosfera do local. Criava-se ali algo muito acolhedor e à escala humana, que muitos apreciavam.

Aos poucos, algumas pessoas começaram a perguntar-nos se seria possível organizar os seus próprios eventos no local. Outras já imaginavam sessões fotográficas ou filmagens nos espaços. Recebemos também vários pedidos relativos à casa situada por cima da galeria, que, no entanto, ainda não estava aberta ao público.

Quando retomei o projeto, pareceu-me natural acompanhar essa evolução. A ideia não era transformar radicalmente o que já existia, mas sim prolongar a sua história. Abrimos então a casa e criámos a Casa Patio, oferecendo vários ambientes e possibilidades de utilização num único local.

O que hoje é a Casa Marvila surgiu de forma muito natural: observando a forma como as pessoas já viviam o local e abrindo, gradualmente, novas possibilidades.

Casa Marvila
Casa Marvila

Em que momento percebeu que havia uma procura por espaços mais íntimos e acolhedores em Lisboa?

Acho que não houve um momento específico. De certa forma, essa procura já existia através dos eventos que organizávamos na época da galeria. Os formatos eram, muitas vezes, bastante intimistas e percebíamos que as pessoas apreciavam particularmente essa proximidade. Sentiam-se à vontade, podiam interagir facilmente e o ambiente era muito diferente do de espaços maiores ou mais impessoais.

Quando começámos a acolher mais projetos privados, voltámos a encontrar essa mesma necessidade expressa pelos nossos clientes. Muitos explicavam-nos que queriam reunir as pessoas que realmente lhes importavam num local acolhedor, com personalidade, em vez de num espaço padronizado.

De um modo mais geral, penso que assistimos hoje a uma evolução das expectativas. As pessoas continuam a procurar locais funcionais, claro, mas estão também cada vez mais sensíveis à atmosfera, à história e à identidade de um espaço. Querem viver uma experiência e criar memórias num local que já conte alguma coisa.

A Casa Marvila foi construída na intersecção destas duas dimensões: a intimidade de um local à escala humana e a riqueza de um ambiente que já possui a sua própria personalidade.

"Os visitantes circulam no meio de obras emblemáticas da cena musical internacional, o que confere uma profundidade e uma personalidade que raramente se encontram em locais mais neutros"

O que distingue a Casa Marvila de um espaço para eventos ou de um estúdio tradicional?

Penso que o que distingue acima de tudo a Casa Marvila é a sua autenticidade. Nem a Galeria Loft nem a Casa Patio foram concebidas inicialmente como cenários ou como espaços criados para acolher eventos. A galeria já existia como espaço cultural e artístico, enquanto a casa foi pensada como um verdadeiro local de vida.

Isto cria uma atmosfera muito diferente daquela de um estúdio ou de um espaço concebido apenas para ser arrendado. O outro elemento essencial é a presença permanente das obras. As fotografias expostas não estão lá para decorar um evento: fazem parte integrante da história do projeto.

Os visitantes circulam no meio de obras emblemáticas da cena musical internacional, o que confere uma profundidade e uma personalidade que raramente se encontram em locais mais neutros. Acreditamos também que esta identidade forte é uma verdadeira mais-valia. Muitos dos nossos clientes escolhem a Casa Marvila precisamente pelo seu universo já existente. O espaço possui já uma decoração, uma atmosfera e uma estética que podem ser utilizadas tal como estão ou servir de ponto de partida para novas ideias.

O que nos distingue é provavelmente a diversidade de projetos que podemos acolher. Recebemos tanto eventos privados como ativações de marcas, sessões fotográficas, filmagens, lançamentos de produtos, produções audiovisuais ou projetos culturais. O espaço não impõe um formato específico: oferece um ambiente no qual cada um pode imaginar e construir o seu próprio projeto.

Casa Marvila
Casa Marvila

Como conseguem equilibrar estas duas atmosferas: a galeria loft industrial e a Casa Pátio?

Nunca procurámos uniformizá-las. Pelo contrário, pensamos que é precisamente a sua diferença que cria o equilíbrio do espaço. A Galeria Loft possui uma identidade mais crua, com influências industriais, artísticas e barrocas. É um espaço vivo, com personalidade, que se presta particularmente bem a certas produções, ativações ou eventos.

A Casa Patio oferece uma experiência diferente. Com o seu interior acolhedor, o seu pátio e a sua vegetação, proporciona algo mais íntimo, mais calmo, mas igualmente único e artístico. Esta dualidade permite que cada um encontre a atmosfera que melhor lhe corresponde, ou mesmo que combine as duas no âmbito de um mesmo projeto.

Algumas pessoas sentem-se imediatamente atraídas pela energia da galeria, outras pelo caráter mais acolhedor da casa. Apesar das suas diferenças, estes dois espaços partilham a mesma alma. Encontramos neles o mesmo gosto pelos objetos, pelos materiais, pela arte e pelos detalhes que contam uma história. Esta continuidade cria um fio condutor entre os dois universos e contribui para a identidade global da Casa Marvila.

"Gostamos de ver o local transformar-se ao ritmo dos projetos e descobrir novas formas de o habitar"

Que tipo de projetos recebem com mais frequência atualmente?

Atualmente, recebemos uma grande variedade de projetos. Estes vão desde eventos privados a eventos empresariais, passando por lançamentos de produtos, ativações de marcas, jantares, sessões fotográficas, filmagens publicitárias ou produções audiovisuais.

Nos últimos meses, recebemos, nomeadamente, uma sessão fotográfica para a Opticalia no âmbito da sua colaboração com o Rock in Rio, eventos de imprensa e de influência para várias marcas, como a Swatch, bem como celebrações privadas, como o aniversário de Mel Jordão organizado por Diogo Piçarra.

Recebemos também filmagens publicitárias, sessões fotográficas editoriais, reuniões empresariais, apresentações de produtos ou ainda eventos mais intimistas que reúnem família e amigos.

O que une todos estes projetos não é o seu formato, mas a vontade de criar uma experiência num local que já possui uma identidade forte. E é precisamente esta diversidade que apreciamos. Gostamos de ver o local transformar-se ao ritmo dos projetos e descobrir novas formas de o habitar.

Casa Marvila
Casa Marvila

A Casa Marvila é totalmente privada ou há formas de o público visitar o local?

Atualmente, a Casa Marvila funciona principalmente mediante marcação privada. No entanto, a sua ligação com a sua origem artística continua muito presente. As obras expostas nos espaços podem sempre ser adquiridas através da galeria 'Little Chelsea Experience', e é perfeitamente possível organizar visitas privadas para descobrir as fotografias ou trocar ideias sobre os artistas que representamos.

Recebemos também regularmente pessoas que desejam visitar o local no âmbito de um projeto futuro ou de um evento. Isso faz parte do processo: vir descobrir o espaço, passear por ele, imaginar o que poderia tornar-se durante um dia ou uma noite.

"Hoje em dia, as pessoas procuram mais autenticidade. Querem criar experiências que tenham sentido e que deixem uma impressão duradoura"

Que liberdade criativa concedem às pessoas que utilizam o espaço?

Uma liberdade muito grande. Não consideramos a Casa Marvila um espaço rígido com um manual de instruções preciso. Cada projeto é diferente e, precisamente por isso, gostamos que as pessoas possam apropriar-se do espaço de acordo com os seus desejos, necessidades e imaginação.

Algumas chegam com uma visão extremamente precisa do que pretendem criar. Outras descobrem o espaço e constroem o seu projeto a partir da sua atmosfera, da sua arquitetura ou dos diferentes ambientes que este oferece. O nosso papel é, acima de tudo, disponibilizar um ambiente inspirador e acompanhar os nossos clientes, se necessário.

Podemos ajudá-los a encontrar os prestadores de serviços adequados, a construir o seu projeto ou a coordenar diferentes aspetos da sua realização, deixando-lhes sempre a liberdade de criar algo que lhes seja próprio.

Casa Marvila
Casa Marvila

Notou alguma evolução no que as marcas, os criativos ou os particulares procuram hoje em dia?

Sim, sem dúvida. Os grandes espaços clássicos continuam, evidentemente, a seduzir e manterão sempre o seu lugar. São intemporais, funcionais e podem responder a inúmeras necessidades. Mas observamos também um desejo crescente por locais que já possuem uma identidade forte.

As marcas, os criativos e os particulares procuram cada vez mais espaços que contem uma história, com uma atmosfera, um universo e uma personalidade. Muitos dos nossos clientes escolhem a Casa Marvila precisamente por isso. Gostam da decoração existente, das obras de arte, do mobiliário, dos diferentes ambientes e de tudo o que já faz parte do local.

Muitas vezes, não é necessário acrescentar muita decoração ou cenografia: o espaço já possui a sua própria estética. Penso que, hoje em dia, as pessoas procuram mais autenticidade. Querem criar experiências que tenham sentido e que deixem uma impressão duradoura.

"Gostamos desta ideia de que a Casa Marvila continue a enriquecer através do contacto com as pessoas que a utilizam"

Qual é a vossa visão a longo prazo para a Casa Marvila?

A nossa prioridade é continuar a desenvolver a Casa Marvila, preservando ao mesmo tempo aquilo que constitui a sua identidade. Pretendemos manter a nossa presença em Lisboa e no mercado português, abrindo-nos progressivamente ao mercado internacional, nomeadamente através de produções, marcas e projetos criativos provenientes do estrangeiro.

Mas, além do crescimento em si, o que nos motiva é, sobretudo, a diversidade dos projetos que podemos acolher. Esperamos continuar a receber ideias nas quais nunca teríamos pensado por nós próprios.

Algumas das mais belas evoluções do espaço nasceram de pedidos inesperados ou de projetos imaginados pelos nossos clientes. Gostamos desta ideia de que a Casa Marvila continue a enriquecer através do contacto com as pessoas que a utilizam.

A nossa ambição é, portanto, continuar a dar vida a este espaço, a fazê-lo evoluir naturalmente, mantendo ao mesmo tempo o que o torna único: a sua história familiar, o seu legado artístico, o seu caráter humano e a sua capacidade de acolher experiências muito diferentes num mesmo ambiente.

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.