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Faz tu mesmo: aprende a construir um Ikebana para usufruires de um "mini-jardim" japonês em casa

Autor: Redação

A criação de um "mini-jardim" em casa com base num projeto Do It Yourself (DIY, sigla inglesa para "faz tu mesmo") de inspiração japonesa é o primeiro tema da nova rubrica semanal do idealista/news, dedicada à arquitetura e decoração e assegurada pela Architect Your Home.

Ao passeares pelo campo, com certeza, já passaste por ramos, folhas e outros elementos naturais que te chamaram a atenção e pensaste em levá-los contigo. Mas o que fazer com eles? A resposta poderá passar por um arranjo Ikebana. Certamente que para atingir um nível de excelência terás de praticar muito, mas seguindo algumas regras poderás começar a experimentar.

O que é um Ikebana?

Praticada no Japão há mais de 600 anos, esta arte intimamente ligada ao Budismo Zen  procura retratar o equilíbrio existente no universo, unindo o céu (Shin), o Homem (Soe) e a terra (Tai ou Hikae).

Os primeiros mestres e aprendizes eram sacerdotes e membros da nobreza, mas com o seu desenvolvimento foram surgindo diversas escolas e estilos. Uma das mais antigas é a escola Ikenobo, que em meados do período Muromachi (1338-1573) desenvolveu o estilo "Rikka" ajudando a elevar a Ikebana ao estatuto de arte.

Um simples arranjo floral? Não...

Com a abertura do Japão ao ocidente , no período Meiji (1868), apareceram novas flores bem como novas ideias o que levou ao aparecimento de um estilo mais livre, o "Moribana", que permite uma total liberdade na escolha dos materiais utilizados no arranjo, tendo-se tornado num dos estilos mais populares a nível mundial.

No ocidente, tradicionalmente, um arranjo floral tende a ser uma coleção de flores e rebentos multicoloridos, sendo estes o foco principal.

Neste sentido o Ikebana é mais do que um simples arranjo floral, pois para os japoneses o termo flor é mais alargado, abrangendo tudo o que tenha afinidade com as plantas - ramos, folhas, flores, raízes, musgo, entre outros.

Sempre presente está também a consciência de que a natureza está em constante mutação e tem o seu próprio ritmo e ordem. A beleza destes arranjos reside na combinação de cores, formas, linhas de força, espaço vazio e no significado subjacente à composição.

 É uma forma de arte disciplinada em que o arranjo constitui um fator vivo, no qual o ser humano e a natureza se conjugam.

Como criar um? 

Uma vez que existem inúmeros estilos de Ikenaba, vamos concentrar-nos no “Moribana”. Dentro deste estilo existem várias tipologias, variando de acordo com o tamanho e ângulo do ramos. As indicações que se seguem refletem a tipologia “Moribana” vertical ou direita .

A construção de um Ikebana baseia-se num triângulo constituído por 3 ramos principais que representam o céu (Shin), o Homem (Soe) e a terra (Tai ou Hikae). Através do equilíbrio da sua forma procura-se construir o significado subjacente ao arranjo.

Os dois primeiros são denominados ramo primário e ramo secundário, respetivamente, nestes é preferível para um principiante não utilizar flores, apenas folhas e botões. Já no ramo do céu, chamado de ramo ornamental, poderá utilizar flores abertas e coloridas.

Neste estilo o ramo principal é tão longo como a soma do diâmetro e da profundidade do contentor (este deverá ser pouco profundo). O ramo secundário deverá ter dois terços e o ornamental cerca de metade da dimensão do ramo principal.

Recorrendo a um "kenzan" (pica-flor), o ramo principal é colocado verticalmente (com uma inclinação de cerca de 15º) , ao passo que o secundário deverá ter uma inclinação de 45º e uma rotação de 30º para a esquerda.

O ramo ornamental terá uma inclinação de cerca de 75º e uma rotação aproximada de 45º para a direita. Vistos de cima os três ramos devem formar um triângulo que poderá ser preenchido com flores. (ver esquema).

Agora podes olhar para o que construiste, ver se te parece equilibrado, reorganizar, recomeçar ou dar por terminada a tua criação. Para te ajudar neste processo podes sempre procurar mais inspiração.

A Fundação Oriente/Museu Oriente e a embaixada do Japão em Portugal por vezes organizam cursos sobre esta temática.