Há datas que ficam gravadas no coração antes de qualquer explicação. O Dia da Mãe é uma dessas. Em Portugal, assinala-se no primeiro domingo de maio de 2026, dia 3 e, por todo o mundo, é o momento em que famílias inteiras se param, se juntam à mesa e se lembram do que realmente importa.
Mas a sua história começa muito antes e estende-se muito além das fronteiras nacionais. Mas afinal, como nasceu esta tradição? E porque é que não se celebra no mesmo dia no mundo inteiro?
Qual a verdadeira origem do Dia da Mãe?
A origem do Dia da Mãe perde-se no tempo e remonta às civilizações da Grécia e de Roma antigas, onde eram celebradas festividades em honra de divindades femininas ligadas à fertilidade e à maternidade, como Reia e Cibele.
Estas celebrações estavam profundamente associadas aos ciclos da natureza, à renovação da vida e à abundância, refletindo o papel central da figura materna na continuidade das comunidades.
Com o passar dos séculos, as tradições foram sendo absorvidas pela cultura cristã, passando a centrar-se na figura de Maria, mãe de Jesus, símbolo máximo de maternidade nas sociedades ocidentais.
Ainda assim, o Dia da Mãe tal como o conhecemos hoje só começou a ganhar forma no final do século XIX e início do século XX, nos Estados Unidos, impulsionado por movimentos sociais e iniciativas individuais que procuravam valorizar o papel das mães na sociedade.
Sabias que o Dia da Mãe foi um movimento social?
A história tem nome, rosto e flores. Uma das primeiras vozes a defender a criação de um dia dedicado às mães foi a poetisa Julia Ward Howe que, em 1872, apelou à criação de um "Dia da Mãe para a Paz", numa altura marcada pelas feridas da guerra.
Mas foi Anna Jarvis quem transformou essa ideia numa celebração real. Após a morte da sua mãe, Ann Reeves Jarvis, uma ativista que promovia o apoio às famílias e a reconciliação social, Anna mobilizou a sua comunidade para criar um dia de homenagem. E foi assim, com flores e afeto, que tudo começou.
As datas que mudaram tudo:
- 1872 — Julia Ward Howe apela à criação de um "Dia da Mãe para a Paz";
- 1905 — Morre Ann Reeves Jarvis, mãe de Anna e ativista social;
- 1907 — Anna Jarvis organiza a primeira celebração em Grafton, com 500 cravos brancos;
- 1914 — O presidente Woodrow Wilson institui oficialmente o Dia da Mãe nos EUA.
O reconhecimento oficial rapidamente se espalhou pelo mundo e deu origem à celebração global que hoje conhecemos.
O que simbolizam os cravos no Dia da Mãe?
Anna Jarvis continuou a enviar cravos ao longo dos anos, e foi assim que esta flor se tornou um símbolo universal desta data. Mas nem todos os cravos têm o mesmo significado:
- Cravo branco: para homenagear as mães já falecidas;
- Cravo encarnado: para celebrar as mães que ainda vivem.
Porque é que em Portugal o Dia da Mãe é no primeiro domingo de maio?
Em Portugal, nem sempre foi assim. Durante muitos anos, a data assinalava-se a 8 de dezembro, coincidindo com o dia da Imaculada Conceição, uma clara ligação à tradição católica e à figura de Maria.
Foi apenas na segunda metade do século XX que a celebração passou para o primeiro domingo de maio, alinhando o país com outros países europeus e com um mês carregado de simbolismo:
- É o mês da primavera e da renovação;
- É, por tradição, o mês de Maria na cultura católica;
- É o mês de uma das maiores celebrações religiosas do mundo, com milhares de peregrinos a dirigirem-se ao Santuário de Fátima.
Quando é que se celebra o Dia da Mãe na Europa?
Na Europa, não existe uma data única para celebrar o Dia da Mãe, o que reflete a diversidade cultural do nosso continente.
O que une (e separa) os países europeus:
- A maioria segue o 2.º domingo de maio: Itália, Alemanha e Dinamarca;
- O Reino Unido celebra no 4.º domingo da Quaresma, o "Mothering Sunday", com raízes religiosas distintas;
- Portugal e Espanha optam pelo 1.º domingo de maio;
- França pode variar entre o último domingo de maio e o início de junho, consoante o calendário.
Dia da Mãe: uma data celebrada com amor pelo mundo
Em praticamente todo o mundo, mas nem sempre no mesmo dia.
| Data | Países |
|---|---|
| 1.º domingo de maio | Portugal, Espanha, Moçambique, Cabo Verde, Angola, Lituânia, Hungria |
| 2.º domingo de maio | EUA, Brasil, Canadá, Austrália, Itália, Japão, Turquia, Finlândia, Dinamarca |
| Último domingo de maio | França, Suécia, Colômbia |
| Outubro | Argentina, Índia, Bielorrússia |
| Novembro | Rússia |
| Fevereiro | Noruega |
| 15 de agosto | Bélgica, Costa Rica |
O calendário muda, a essência não. No mundo inteiro, o Dia da Mãe é (e sempre foi) um momento para parar, reconhecer e celebrar o amor.
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