É no arrendamento que se centram as atenções para atenuar a crise de acesso à habitação em Portugal no curto prazo. E, dentro do objetivo de aumentar a oferta de casas no mercado, o Governo está empenhado em dar mais incentivos aos proprietários para arrendarem os seus imóveis, como a redução do IRS para 10% no pacote fiscal e a agilização dos despejos em caso de incumprimento da renda. Como investidor, estás a pensar em comprar casa para arrendar ou já deste esse passo? Então esta informação interessa-te.
Para já, a rentabilidade bruta de comprar casa em Portugal para colocar a arrendar situou-se em 6,2% no segundo trimestre de 2026, menos 0,7 pontos percentuais (p.p.) do que no mesmo período de 2025 (6,9%) e menos 1 p.p. face ao segundo trimestre de 2024 (7,2%), segundo os dados do idealista. Isto quer dizer que os riscos deste negócio também diminuíram.
Este indicador mede o retorno do investimento em habitação antes de impostos, taxas e outras despesas. E o facto de estar a descer significa também que há menos riscos do negócio para os investidores imobiliários e famílias com alta liquidez. Ou seja, há maior probabilidade de arrendar a casa e até de ter uma valorização do imóvel no futuro.
Este ajuste no rendimento no negócio de comprar casa para arrendar no segundo trimestre do ano também foi influenciado pela variação de preços. Enquanto os preços das casas à venda continuram a subir - embora a menor ritmo (8,9% no último ano terminado em junho) -, as rendas das casas registam um movimento de queda há vários meses (-2,4% em junho), tal como mostra o índice de preços do idealista.
Em que cidades é mais rentável investir em habitação?
Analisando por capitais de distrito ou de regiões autónomas, são Castelo Branco e Vila Real que oferecem maior rentabilidade na compra de casa para investimento, ambas com um retorno de 8,1%. Nestas cidades há, contudo, maior risco de investir, podendo haver maior dificuldade de arrendar casa ou de o imóvel valorizar.
A lista de grandes cidades com maiores rentabilidades brutas na habitação segue com Bragança (7,6%), Santarém (6,6%), Coimbra (6,4%), Leiria (6%), Évora (5,7%), Ponta Delgada (5,6%), Setúbal (5,4%), Braga (5,3%), Funchal (5,2%), Aveiro e Viseu (5% em ambas).
No extremo oposto, a rentabilidade habitacional mais baixa observa-se em Lisboa (4,3%), seguida de Faro e Porto (4,8%). Importa lembrar que este indicador também reflete um menor risco do investimento nestas grandes cidades, havendo maior probabilidade de arrendar casa e de o imóvel valorizar, por exemplo.
Esta análise permitiu ainda avaliar a rentabilidade de outros produtos imobiliários a nível nacional. Os escritórios proporcionam uma rentabilidade de 7,8% e as lojas de 8%, sendo superiores à rentabilidade bruta na habitação. Já as garagens dão um retorno de 5,1%.
Metodologia
Para a realização desta análise, o idealista dividiu o preço de venda pelo valor de arrendamento solicitado pelos proprietários nos diferentes mercados no segundo trimestre de 2026. O resultado obtido corresponde à rentabilidade bruta que proporciona o arrendamento de uma casa ao seu proprietário. Estes dados permitem analisar o estado atual do mercado e são um ponto de partida básico para todos os investidores que pretendam comprar ativos imobiliários para obter rendimento.
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