Antecipar o futuro: como aproveitar a casa quando a vida muda

A designer Laura Martínez explica como aproveitar melhor a casa quando a família cresce ou as necessidades mudam.
Sala aberta
Gloria Solà /Laura Martínez Interiorismo
Rafael Bermejo
Rafael Bermejo (Colaborador do idealista news)

É frequente termos a sensação de que a casa nos fica pequena à medida que passamos mais tempo nela. Quer a família tenha crescido, quer tenhamos mais coisas do que antes ou, simplesmente, as nossas prioridades e necessidades tenham mudado, associamos quase sempre essa sensação à falta de metros quadrados. 

Achamos que tudo se resolvia com mais metros, muitos mais…, mas raramente reparamos em como o espaço está organizado. Com o preço da habitação disparado, pode não ser possível mudar de casa ou, se o fizermos, não encontrar nada muito maior do que já temos, por isso este artigo talvez te interesse.

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"O design de interiores consiste em resolver o presente, mas também em antecipar o futuro", diz a designer de interiores Laura Martínez, com mais de 15 anos à frente do seu próprio atelier em Barcelona. 

Na sua opinião, quando a família cresce ou a nossa situação muda e procuramos casa nova, ou pensamos em remodelar aquela onde já vivemos, "é importante avaliar o espaço com um olhar novo". 

Ao fazê-lo, convém procurar continuidade visual, reforçar a entrada de luz natural ou ponderar soluções de arrumação integradas, tudo coisas que influenciam a forma como a casa é usada e percebida no dia-a-dia. "Quando o espaço respira e cada elemento tem o seu lugar, a sensação de amplitude multiplica-se", acrescenta a especialista.

Quando a família cresce, é preciso repensar cada divisão

Cozinha semiabierta
Cozinha semiabierta Yael Vallès /Laura Martínez Interiorismo

Quando uma família cresce ou, simplesmente, as nossas dinâmicas diárias mudam, por exemplo, por passarmos a estar em teletrabalho, a casa tem de se adaptar a essa nova etapa. "Antes de avançar para grandes obras, analiso sempre como estão a ser realmente utilizadas as divisões", comenta Martínez, que assegura ainda detectar, em muitas casas, "metros desaproveitados: corredores demasiado largos, quartos subutilizados ou salas onde a disposição do mobiliário limita a funcionalidade".

Mudar a distribuição nem sempre exige obras complexas

Por vezes, dar a volta à distribuição da casa não exige obras complexas nem caras. Mudar uma parede divisória não estrutural, por exemplo, pode rondar os 3.000 € (este valor pode incluir a substituição da zona de pavimento que seja necessária) e é uma operação eficaz para redefinir o espaço

Repensar a organização, livrando-se de mobiliário desnecessário, também é uma boa forma de transformar por completo a fluidez da casa sem precisar de intervenções complexas.

Sala luminosa
Sala luminosa Yael Vallès /Laura Martínez Interiorismo

Espaços polivalentes prolongam a vida útil da casa

"A flexibilidade é essencial", sublinha Martínez, que recomenda "desenhar espaços polivalentes que permitam antecipar as mudanças e prolongar a vida útil da casa". 

A título de exemplo, a especialista sugere que o quarto integre, desde o início, uma zona de estudo ou de trabalho; ou quartos que possam servir de escritório ou de quarto de hóspedes; ou ainda salas com áreas diferenciadas para actividades distintas: "são estratégias que ajudam a casa a evoluir com quem nela vive".

Arrumação estratégica: o segredo para ganhar amplitude

Sobretudo em apartamentos pequenos, ter espaço de arrumação suficiente mantém a casa organizada. A principal consequência de uma arrumação estratégica é a optimização do espaço e, claro, a sensação de que é maior do que realmente é.

"Desenhar armários à medida até ao tecto, integrar mobiliário multifuncional ou recorrer a soluções discretas que mantenham a ordem permite conservar o equilíbrio do espaço e evitar a saturação visual", diz Martínez.

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