Num quarto bem pensado, as mesas de cabeceira não são móveis só para encher, são aliadas do conforto com funções definidas. Escolher entre duas peças iguais ou duas diferentes é, no fundo, decidir como vais viver cada noite e cada manhã, onde pousas o livro, os óculos, o telemóvel, o copo de água, e também que atmosfera vai ter a divisão no seu conjunto.
A decisão pede mais do que o simples "gosto/não gosto": entram em jogo o espaço disponível, o estilo da decoração, os hábitos de quem dorme na cama e até a posição das tomadas.
Mesas de cabeceira: iguais ou diferentes?
Antes de te lançares na escolha, vale a pena parar um momento e observar como usas mesmo o quarto. Precisas de muita arrumação ou só de uma superfície de apoio? Lês na cama? Carregas vários dispositivos ao mesmo tempo?
E, sobretudo: tu e a pessoa com quem partilhas a cama têm hábitos parecidos ou muito diferentes? As respostas a estas perguntas encaminham-te de forma bastante natural para mesas coordenadas ou para combinações assimétricas.
Quando preferir mesas de cabeceira iguais?
As mesas idênticas de cada lado da cama funcionam sempre que procuras um resultado limpo e sem grandes surpresas. A simetria comunica de imediato ordem e descanso: o olhar lê o espaço num instante e a cama passa a ser a verdadeira protagonista, emoldurada de forma equilibrada.
É a lógica do quarto de hotel de design, e resulta particularmente bem em quartos pequenos, uma realidade comum nos T1 e T2 das cidades portuguesas, onde a simetria ajuda a dar a sensação de mais amplitude.
Quando funcionam melhor duas mesas diferentes?
Para quem gosta de ambientes mais vividos, com peças pessoais que não têm de combinar entre si, a solução das mesas diferentes é a que permite maior liberdade. É também a opção certa quando os dois lados da cama têm funções distintas.
Um fica junto à janela e serve de pequena zona de leitura. O outro está entalado entre a parede e o roupeiro, um cenário típico em quartos portugueses, onde a cama encosta muitas vezes ao armário, e pede soluções mais compactas ou suspensas.
Para inspiração adicional na parede por trás da cama, fica a sugestão de 7 ideias originais para uma cabeceira alternativa.
As medidas ideais: a relação entre mesa, cama e espaço
O erro a evitar é falhar nas proporções face à cama e à zona de passagem. Uma mesa demasiado baixa, demasiado funda ou que aperta a circulação torna o dia a dia incómodo, por muito bonita que fique na fotografia.
A altura da mesa face ao colchão
A altura é o primeiro parâmetro a verificar. Uma mesa de cabeceira alta de mais obriga a levantar o braço de forma pouco natural. Baixa de mais, obriga a inclinar o corpo e a arriscar deixar cair o que se pousa. Como regra:
- O tampo da mesa deve ficar sensivelmente à mesma altura do topo do colchão;
- A tolerância recomendada é de cerca de 5 cm, para cima ou para baixo, em relação ao colchão.
Largura, profundidade e passagens mínimas
Por vezes, só para ter duas mesas de peso, sacrificam-se centímetros preciosos de circulação, sobretudo em quartos que já têm roupeiros fundos ou portas de batente, algo frequente no parque habitacional mais antigo de Lisboa e do Porto. Valores de referência:
- Largura: cerca de 40 a 60 cm por lado (mínimo de 30 cm em soluções compactas);
- Profundidade: cerca de 35 a 45 cm nas mesas tradicionais; 20 a 30 cm nas versões suspensas ou em prateleira poupa-espaço;
- Passagem lateral entre a cama e a parede ou roupeiro: pelo menos 60 cm, idealmente 70 a 80 cm.
Mesas de cabeceira iguais: vantagens
Escolher duas mesas iguais não significa abdicar de personalidade. Pode ser a forma mais inteligente de construir uma base harmoniosa sobre a qual depois brincas com têxteis, quadros, candeeiros e acessórios.
O truque está em cuidar bem dos materiais, da cor e dos detalhes, para fugir ao típico conjunto de catálogo.
- Simetria e ordem visual: num quarto de casal, duas mesas idênticas transmitem calma imediata. O olhar pousa na cama sem se distrair, e a divisão parece maior e mais arrumada.
- Quando as mesas iguais são a melhor escolha: há contextos em que apostar em peças coordenadas é quase sempre o mais prático. Se o quarto se destina a hóspedes, se o imóvel está arrendado, uma situação cada vez mais comum num país onde arrendar se tornou a via de acesso à casa para muitos jovens, ou se costumas mudar de roupa de cama e decoração com frequência, duas mesas iguais deixam-te alterar o ambiente com poucos detalhes, sem mexer na estrutura principal do quarto.
Escolhe mesas com presença visual mais forte do que o resto do mobiliário: numa cor a contrastar com a parede por trás da cama, com puxadores marcantes, pés metálicos à vista ou trabalhos de madeira particulares (canelado, rattan entrançado, painéis de ripas verticais).
Se preferes libertar o chão, os modelos suspensos ajudam a ganhar sensação de espaço, é uma das soluções que te recomendamos para quartos pequenos. E há que ter em conta que estes 5 erros só pioram a situação.
Escolher mesas diferentes: como se combinam?
As mesas desirmanadas tornaram-se uma opção cada vez mais frequente nos quartos contemporâneos, precisamente porque contam mais sobre quem vive o espaço.
Vantagens estéticas e funcionais: com duas mesas diferentes aproveitas as assimetrias do quarto. De um lado, onde há mais espaço, cabe uma pequena cómoda com gavetas. Do outro, apenas uma mesa estreita ou uma prateleira.
Ao mesmo tempo, adaptas a arrumação a quem dorme de cada lado: quem lê muito ganha mais gavetas ou prateleiras; quem só pousa o telemóvel opta por algo mais leve.
Ao apostar em peças diferentes podes:
- Atribuir a cada mesa funções específicas (mais gavetas de um lado, mais superfície livre do outro);
- Valorizar peças recuperadas ou móveis alternativos em vez da mesa clássica, quebrando a monotonia de um quarto coordenado de mais.
Se um dos lados da cama acaba por ganhar outra função, como uma pequena secretária, surge a dúvida: num quarto que precisa de ser transformado em pequeno escritório, qual o melhor sítio para o colocar?
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